Mateus Sartori

No dia 28 de novembro, o Prefeito eleito Marcus Melo anunciou a permanência de Mateus na secretaria de cultura,

Postado dia 30/11/2016 às 13:27 por Sociedade Pública

Foto: Divulgação

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Ele nasceu na cidade de Franca, no interior de São Paulo e veio de uma família simples. Seu pai Ramon Barbosa já havia trabalhado na roça mas conseguiu um ótimo emprego na cidade de Guarulhos, então assim,sua família se mudou para Mogi das Cruzes. Mateus Sartori chegou em Mogi com dois anos de idade, acompanhado também de sua irmã mais velha Karina Sartori e de sua mãe Maria Aparecida Sartori Barbosa, a Cidinha, depois de quatro anos nascia seu segundo irmão, Lucas Sartori. Mateus é uma pessoa que se destaca em Mogi das Cruzes por ser um músico talentoso e um excelente cantor com cinco discos gravados. Já participou de importantes eventos e dividiu o palco com grandes personalidades da música contemporânea brasileira. Atualmente é casado com Karina Sartori e possui uma filha, Bethânia Sartori. Dedica-se como secretário da cultura da cidade de Mogi das Cruzes, cumprindo seu quarto ano consecutivo no cargo e conforme publicado no dia 28 de novembro, o Prefeito eleito Marcus Melo anunciou a permanência de Sartori a frente da pasta. Nessa entrevista, a Revista Digital Sociedade Pública conversa com esse cidadão mogiano que nos fala um pouco sobre sua vida, sua carreira, cultura e políticas públicas.

Como começou sua relação com as artes?

Na imagem, um antigo registro do avô de Mateus, Waldomiro Sartori, segurando um violino

Na imagem, um antigo registro do avô de Mateus, Waldomiro Sartori, segurando um violino

Essa relação vem da minha família. A família da minha mãe sempre foi muito musical, meus avós e tios eram bem envolvidos com música. Os encontros familiares eram frequentes e nessas ocasiões, todos se juntavam para cantar e tocar. Meus tios eram compositores e meu avô Waldomiro Sartori era um grande músico, tocava sete instrumentos diferentes, mas infelizmente sofreu um acidente de trabalho. Ele era marceneiro e um dia serrou os dedos da mão trabalhando, assim, ficou impossibilitado de tocar, mas ainda tinha um ótimo ouvido, então quando eu ganhei meu primeiro violão aos 13 anos de idade, lembro-me que pedia para ele me ajudar a afinar o instrumento.

Alguma influência por parte da família do seu pai?

Por parte de pai, havia apenas um parente que era músico, meu tio Hermes Barbosa que tocava acordeon, mas sabia somente uma música, então sempre que tinha a oportunidade ele tocava a mesma canção durante uns 40 minutos e a todo mundo ficava feliz da vida dançando.

Você chegou a praticar alguma outra atividade artística diferente da música?

Minha mãe também me influenciou bastante pois ela fez magistério e posteriormente faculdade de artes, chegou a participar de um grupo de teatro, então muitas vezes eu a acompanhava nessas atividades, inclusive, atuei com ela em uma peça chamada “A noviça Rebelde”, fazendo o papel de um cachorrinho, entre outras oportunidades que tive de experimentar o teatro em musicais como “O Calabar” em Londrina-PR e a “Opera do Malandro” em Itajaí-SC, ambos musicais escritos por Chico Buarque.

E quando decidiu que queria ser músico?

Eu comecei a aprender a tocar umas músicas de ouvido, no começo com uma flauta doce, logo depois, ganhei um violão do meu pai, porém o violão tinha apenas duas cordas, mas eu conseguia tocar a música “Menino da Porteira”. A partir daí comecei a aprender a tocar sozinho e logo fui fazer aulas de violão, mas eu não gostava muitos das aulas pois desde cedo eu gostava mesmo era de cantar. Comecei a cantar nos corais da cidade, entre eles, o Coral da Universidade de Mogi das Cruzes. Lá eu conheci duas pessoas que direcionaram meu estudo: Dulce Primo que era preparadora vocal e regente de corais e Alexandra Grossi, uma pianistaque dava aula na Escola Municipal de Música em São Paulo. Para estudar canto lírico na Escola Municipal de Música e na ULM (Universidade Livre de Música) hoje conhecida como Escola de Música do Estado de São Paulo Maestro Tom Jobim (Emesp), era preciso ter mais de 19 anos, pois era preciso que o estudante tivesse uma voz formada para iniciar os estudos práticos.Com 16 anos eu fiz um teste na Escola Municipal de Música e essas duas professoras informaram os professores que eu já tinha um trabalho de voz realizado com o acompanhamento delas e uma boa experiência na área, então eu consegui entrar na escola e um ano depois entrei na ULM para estudar regência. Nesse mesmo período eu passei no vestibular para fazer arquitetura em Mogi, então tive que aprender a conciliar as três atividades.

Como foi pra você esse período de adaptação entre as três atividades?

Foi bem difícil. Pegava o trem todos os dias. Cheguei a ter sérios problemas de saúde e em determinado momento comecei a desmaiar de tanto estresse e cansaço. Lembro que recebia um salário de 128 reais por serviços prestados na Universidade e durante mateus3quatro anos meu almoço foi o churrasco grego e o “ki suco” da estação da Luz em São Paulo. Hoje eu brinco que depois de tanto churrasco grego dificilmente eu fico doente pois eu tenho todos os tipos de anticorpos possíveis para o resto da minha vida, posso até comer aqueles ovos cor de rosa de boteco que eu sei que não vou passar mal. Lembro um dia que fiquei bem feliz quando achei uma moeda de um real na rua e pude comprar dois pedaços de pizza na padaria…

E como foi o começo de sua trajetória como músico profissional?

Desde os meus 16 anos eu já tocava na noite em alguns bares e ganhava uma grana. Me dediquei em finalizar a faculdade de arquitetura e meus estudos musicais. Tocando na noite eu percebi que essa era uma boa escola, mas comecei a sentir uma necessidade de planejar projetos maiores e comecei a montar meu primeiro trabalho, que foi lançado no ano de 2006 intitulado “Por todos os cantos”. Essa obra foi apresentada no Theatro Vasques em Mogi das Cruzes. Esse dia que fiz meu show foi bem no dia que ocorreu o ataque do PCC por São Paulo e havia o toque de recolher na região metropolitana, inclusive em Mogi, felizmente o teatro, um dos poucos lugares abertos naquela noite, estava lotado e as críticas foram bem positivas.

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Algum momento marcante em seu início de carreira?

Em 2002 deixei arquitetura para me dedicar somente à música, então eu fui para uma oficina de violão em Curitiba, mas eu não sou violonista e era a única pessoa que ia para o curso sem levar violão. Nessa oficina eu tive aula com um dos meus maiores ídolos que é o Guinga, um músico excelente que compõe divinamente bem. Na quinta aula o Guinga perguntou porque não levava violão, e eu disse a ele que eu era cantor mas queria entender a forma que ele compunha, queria estar perto para acompanhar sua metodologia. Quando ele ia dar uma lição no violão pedia para eu acompanhar cantando, e eu sabia as músicas dele. Houve um dia que o Guinga estava fazendo um show, e na plateia tinha grandes nomes da música. Além de meus professores, comparecia naquela noite para assistir o show o Hermeto Pascoal, eu também estava na plateia e era meu aniversário, então o Guinga no meio do show me convidou para cantar uma música que ele havia composto com Chico Buarque, chamada “Você, Você” e foi um momento maravilhoso. Nesse período que passei com o Guinga, além de lições musicais importantes, ele me ensinou também que um músico não deve nunca ser vaidoso, pois a vaidade somente atrapalha o desenvolvimento profissional, isso me serviu de base pra aprender um tanto de coisas importantes para minha carreira, inclusive escolha de repertório e a postura durante a apresentação em cima do palco. Tenho uma grande carinho pelo Guinga, depois de um tempo fizemos shows juntos e ele participou da gravação do meu primeiro e segundo disco.

E como foi o lançamento do seu segundo disco?

mateus6Me diziam que quando eu lançasse meu primeiro disco já deveria pensar no próximo, pois os contratantes sempre irão pensar no trabalho contínuo, isso reforça a carreira. No lançamento do meu primeiro CD eu fiz dois shows apenas. Comecei a me preparar então para o segundo disco, nesse novo trabalho eu queria mostrar o meu lado crooner, uma obra onde eu pudesse explorar mais meus conhecimentos como cantor. Eu chamei o Rodolfo Stroeter, ele produz os discos da família Caymmi, então eu decidi gravar um disco com músicas do Dorival Caymmi e apresentei a ele 40 canções que eu havia selecionado para repertório. O Rodolfo adorou a ideia e sugeriu que fosse um disco de somente voz e violão onde haveria dois solistas. O disco foi um sucesso.Lançado em 2007 e intitulado como “Dois de fevereiro”, foi eleito pela Folha de São Paulo como o melhor disco do ano. As pessoas começavam a ligar para shows e aprovei projetos importantes nesse período. Danilo Caymmi participava dos shows e recebi uma carta de seu pai, Dorival Caymmi, que me parabenizou pelo trabalho. Dessa vez eu rodei 6 estados brasileiros e fiz 170 shows. Esse disco teve uma experiência bem interessante que foi a vivência da obra, pois eu me dediquei a conhecer todos os pontos turísticos ou alimentos mencionados nas letras e assim interagir melhor com o trabalho. Outro fato interessante sobre esse disco foi que todos os CD’s adquiridos na pré-venda, eu entreguei pessoalmente na casa de todos os compradores.

Mateus, hoje você é secretário de cultura de Mogi das Cruzes cumprindo seu 4º ano consecutivo no mandato. Como foi essa transição de artista renomado para gestor público?

Depois de ter gravado o “Dois de fevereiro” eu gravei um disco chamado “Barroco” para homenagear os compositores da cidade de Mogi das Cruzes em 2009, em 2011 eu gravei meu quarto disco chamado “Franciscos” cantando músicas de todos os Franciscos da música popular brasileira, esse disco foi bem elogiado pela crítica, teve boa repercussão e eu fui convidado para me apresentar no programa Som Brasil. Em 2012 eu gravei “O que se deseja rever”, onde gravei um projeto que tinha como base voz e acordeon, interpretando Luiz Gonzaga em parceria com Guilherme Ribeiro, que havia viajado comigo durante a turnê de 2011. Fizemos alguns shows juntos, porém o Guilherme foi chamado para fazer parte da banda Teatro Mágico e eu fui chamado para a secretária de cultura. Eu assumi o cargo e a partir desse momento eu me dediquei somente à gestão pública na área cultural de Mogi das Cruzes.Cheguei a finalizar minha agenda de shows no início do meu mandato mas desde então eu não retomei as atividades como cantor. O prefeito acreditava que era importante ter um artista na secretaria de cultura e durante uma reunião estabelecemos como trabalharíamos juntos, mas agora no próximo ano eu volto a cantar.

O que te motivou a assumir a secretária de cultura?

Acredito que me senti preparado por tudo que eu já havia construído em minha vida profissional desde mateus1meu primeiro disco. Paralela a minha vida artística eu possuo uma empresa de produção cultural também há 10 anos chamada E3 Produções, e com ela eu adquiri um grande conhecimento de como organizar pessoas, plateia, estruturas, logística, produção, palco, e tudo que é necessário para que um evento cultural seja bem sucedido. Com o tempo eu fui me moldando gestor e artista. A administração pública não pode ser o meu meio de sobrevivência, por isso já estou planejando novos trabalhos para voltar a fazer aquilo que sempre me dediquei durante minha vida.

O que mudou em Mogi nesses quatro anos na área cultural?

Acredito que uma das ações mais relevantes que realizamos foi o programa “Diálogo Aberto” que é um programa de ouvidoria. Nós realizamos 76 reuniões entre debates, fóruns, seminários e conferências. Fizemos uma interface entre cultura e educação com 71 ciclos de diálogos para políticas públicas para a juventude mogiana, assim, ouvimos no total 9216 pessoas. Ouvimos de que forma? Nós incluímos todas as pessoas envolvidas no meio cultural para participarem dos projetos públicos. Assim os projetos saem do papel de forma democrática buscando atender o maior número de exigências e solicitações. Aprovamos também uma lei importantíssima que é o Sistema Municipal de Cultura, assim o próximo secretário de cultura deverá manter os fóruns setoriais, os fóruns de cultura, os seminários, as conferências e principalmente os diálogos com as pessoas antes de modificar quaisquer projetos.

O que é a lei de incentivo e o Programa de Fomento à cultura?

A Prefeitura de Mogi das Cruzes aprovou duas Leis de extrema importância para o cenário cultural da cidade. A primeira é a lei de incentivo fiscal instituída em 2014, onde qualquer pessoa física ou jurídica pode direcionar para um projeto cultural aprovado, um valor de até 20% de seu IPTU e/ou ISS, para que haja maior crescimento e investimento em novos trabalhos e eventos. A prefeitura abre mão de receber essa porcentagem do IPTU/ISS do investidor para incentivar as pessoas a buscarem os próprios recursos e colaborarem com crescimento cultural do município. Mês passado aprovamos o Programa de Fomento a Arte e Cultura de Mogi das Cruzes (PROFAC) onde os projetos culturais aprovados, recebem o apoio financeiro direto da Prefeitura de Mogi das Cruzes por meio da Secretaria de Cultura.

O que é o EMAM?         

O EMAM é o Estúdio Municipal de Áudio e Música, um projeto que criamos para incentivarmos os músicos da região a produzirem novos trabalhos. A prefeitura custeia todo o processo, desde o aluguel de estúdio, mixagem dos discos, encarte e a entrega do produto final totalmente grátis, onde o artista recebe todo o material para vender e ficar com todo o lucro das vendas de um produto de excelente qualidade e 100% pago pela prefeitura. Realizamos já diversos trabalhos e todo o processo é acompanhado pela equipe da secretária de cultura do início ao fim.

Com quatro anos de mandato, o que sua gestão garantiu até o momento para Mogi das Cruzes além dos projetos já comentados?

Uma série de programas, leis importantes e espaços culturais que visam atender um grande número de cidadãos. Temos hoje diversos auditórios descentralizados em vários pontos da cidade que podem ser utilizados para a realização de muitos eventos, temos a casa do hip hop, a pinacoteca municipal que está aberta para visitantes, fizemos a reforma do Theatro Vasques modernizando toda a estrutura, criamos também uma importante lei que protege os museus municipais. Construímos o CEU Vila Nova União, um local grande e bem estruturado que recebe muitos jovens para proporcionar a eles esportes e lazer, e entre várias outras atividades frequentes que ocorrem, temos o Centro Cultural de Mogi funcionando, que está sempre com novidades e aberto para visitantes. Aumentamos a frequência de crianças no teatro e toda semana há eventos, e vem novidade por aí, pois no próximo ano devemos inaugurar a Estação Cultura que é será Escola de Artes, o Museu Virtual e a sede do Arquivo Histórico Municipal.

Mateus Sartori se apresentando no programa Som Brasil:

 

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