Mas eu me mordo de ciúme… Quem nunca?

Todos nós já experimentamos em algum grau deste sentimento nas mais variadas fase da vida, seja por um objeto, amizade ou par amoroso

Postado dia 31/03/2016 às 08:30 por Rose Villela

ciume

Foto: Reprodução/Internet

Numa escala de intensidade, colocando da forma branda até a mais severa, o ciúme pode desde apimentar uma relação, até causar tragédias na vida de uma pessoa. Quando criança, durante o desenvolvimento, temos a fase em que tudo é nosso, o brinquedo, os amigos, os pais – é um sentimento de poder e posse.

Em torno dos seis anos de idade, a criança passa a desejar um dos pais e se torna rival do outro, mas para não ser aniquilado, destruído pelo outro, se identifica com ele, imitando o jeito, querendo se vestir igual e não é raro ouvir declarações de amor para o pai ou mãe, dizer que é namorado ou quando crescer vai casar com um dos pais. Dependendo de como essa fase é resolvida a criança vai aprender a lidar e aceitar o que é seu e o que não é, precisa ficar bem claro para a criança que ela é filha e a mamãe é do papai e vice versa, que nesta relação ela é querida, bem vinda, mas que seu espaço é de filha. Alguns pais acham lindo e acabam incentivando esse comportamento da criança, não colocando a ordem de hierarquia e sentimento, deixando a criança confusa com relação aos papeis e lugar de importância nesta relação.

Quando adulta, ela vai ter mais dificuldade em lidar com as parcerias, com medo de perder o outro, de não ser amado, do outro ser mais importante do que ele, há probabilidade de ser uma pessoa mais ciumenta com autoestima rebaixada, inseguro e controlador.

Alguns casais utilizam o ciúme como um jogo para aquecer a relação, provocar o ciúme não só faz com que se sintam amados, queridos. Geralmente, depois de uma briga terminam com uma boa dose de sexo selvagem.

Para outros, o ciúme é um verdadeiro tormento, a pessoa se sente amarrada, vigiada, tem de ter cuidado com o que fala e com quem fala, para onde olha para não virar um briga e às vezes chegando à violência verbal e física.

Outra situação é o ciúme patológico, os casos severos, considerado como um transtorno obsessivo compulsivo (TOC), a pessoa acredita nas histórias que ela mesma cria e começa a ir à busca de provas que confirmem as suspeitas de estar sendo traído (a), vasculham gavetas, bolsos, bolsas, abrem cartas, seguem, mexem no celular, vasculham lixos… Criam as mais diversas situações como armadilhas para o parceiro (a) se contradizer.

É uma situação que gera muito sofrimento para ambos, pois o ciumento sofre intensamente, existe uma tensão enorme, não consegue descansar, o coração está sempre acelerado a mente não para de pensar e o parceiro (a) também, pois vive sem liberdade inclusive para expressar o que sente e pensa.

Quando se chega neste estágio é fundamental que se procure por um tratamento psicoterapêutico e, em alguns casos, até psiquiátrico para indicação de medicação. Sugiro que nem precise chegar ao ápice, o ideal é que trate logo que perceber que o ciúme está o consumindo internamente, que se está perdendo o controle da situação.

Sugiro assistir ao filme: O inferno do amor possessivo, de Claude Chabrol. Ele retrata bem o que o ciúme pode fazer com uma relação.

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Sobre o Autor

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Rose Villela

Psicóloga com especialização em sexualidade humana, terapia corporal reichiana, EMDR, constelação familiar, renascimento.

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