Marca e credibilidade

Kotler ensina que todas empresas precisam conter o princípio da credibilidade, mas para empresas jornalísticas ele é imprescindível

Postado dia 29/04/2016 às 08:00 por Heródoto Barbeiro

kotler

Foto: Reprodução/Internet

O primeiro passo para quem decide se estabelecer comercialmente é identificar se existe mercado e procura para o produto. É uma forma segura de iniciar um negócio. É um risco muito grande inverter o processo, ou seja, primeiro criar o produto e depois esperar que o mercado o adquira. Em um determinado momento empresários avaliaram se havia mercado para a instalação no Brasil de veículos eletrônicos 24 horas de notícias. Inspirados em iniciativas internacionais exitosas, implantaram canais de tevê e rádio all News. Além de identificar a existência de público para essa iniciativa, havia também a dúvida se o mercado publicitário apoiaria economicamente os projetos. Considerando-se o perfil do público brasileiro poucas agências de publicidade resolveram arriscar o dinheiro de seus clientes em meios de comunicação que não tinham tradição no Brasil. A concorrência era constituída por veículos ecléticos que misturavam entretenimento com noticiário. Só noticia, dia e noite, sábados, domingos, feriados e dias santos era imprevisível comercialmente. Ou seja, com ou sem certeza, o fenômeno da especialização, segmentação chegava ao jornalismo.

As relações comerciais são baseadas numa equação simples: empresas vendem o que consumidores precisam, ensina o mestre Phillip Kotler. É, mas com jornalismo não é bem assim. O público compra com sua audiência, contudo as agências de publicidade também precisam comprar. Não basta ter audiência e não ter patrocinador. Nenhuma empresa de comunicação suporta. É verdade que algumas empresas utilizavam o cabo e com isso podiam contar com alguma remuneração dos assinantes. Além disso outras empresas concorrentes abertas não cobravam assinatura ainda que tivessem pouco tempo destinado ao jornalismo. Só havia uma saída: construir uma marca. Kotler ensina que todas empresas precisam conter o princípio da credibilidade, mas para empresas jornalísticas ela é imprescindível. O público tem que ter certeza que vai encontrar o que procura: jornalismo plural, ético, transparente e comprometido com o interesse público.

O norte da empresas de comunicação All News era a CNN fundada na década de 1980. As notícias sobre seu desempenho eram favoráveis. Tinha escala global, agilidade, correspondentes conhecidos e 24 horas de notícias. O advento do novo canal bateu as velhas fórmulas adotadas por veículos como BBC, Voz da América, Deutsche Vele, Voz da Rússia e outras. A CNN era uma empresa privada, não tinha nenhuma interferência do Estado como tinham as antecessoras. Não veiculava as mensagens gestadas nas redações do governo e inaugurava novas tecnologias. As transmissões eram, sempre que possível, ao vivo, o que aumentava a credibilidade do noticiário: “não permitia edição “como diziam alguns. A primeira guerra do Golfo, o ataque americano contra Bagdá de Sandam Hussein, a destruição das Torres Gêmeas de Nova York consolidaram a marca. Ela passou a vender um produto diferenciado, por um preço alto, ainda que aparentemente ele pudesse ser encontrado em qualquer lugar. Foi, sem dúvida, um êxito empresarial que inspirou iniciativas semelhantes no Brasil com o advento de emissoras de rádio e tevê de 24 horas de notícias.

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Sobre o Autor

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Heródoto Barbeiro

Heródoto Barbeiro, escritor e jornalista, âncora do Jornal da Record News e editor do Blog do Barbeiro. Foi âncora do Roda Viva da TV Cultura e do Jornal da CBN. Tem livros nas áreas de jornalismo, história, mundo corporativo e budismo.

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