Mandrágora e Orvalho

Postado dia 18/08/2016 às 07:30 por Rick Ferreira

mandragora

Foto: Reprodução/Internet

 

Há lágrimas no que existe.

Em tudo, sim!

Mesmo na incapacidade do olhar.

Há lágrimas de não saber,

Há aquelas de tanto ser e tentar,

E as de saudade por não ir…

Eis aí que a mandrágora nos sorri,

Por nossos dias de fora a fora.

Banhados que somos em luz de plasma,

Adormecidos pelo som das palavras

De todos que nos pensam por dentro.

Quão multi-simultâneos e atarefados somos,

Unidos na solidão tautológica de nossos lábios lépidos,

E surdos aos sinais que as ausências gritam por todos os corpos.

Mas há curas para a vida que dóem muito mais

Além do que toda coragem de “arak” é capaz…

Eis aí que gotas de orvalho nos sorriem,

Escavando poços, revolvendo ossos,

Tramando novos seres pelos jardins.

Outras tantas secam inertes sob o sol,

Na captura de luz para a indústria do dia.

À espera, talvez, da lágrima-poeta que lhes arrebatem

Para nenhuma serventia,

E tal como se praticasse nelas a cristalomancia,

Vislumbrasse o próximo verso

Para as próximas vidas.

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Rick Ferreira

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