Magia cerimonial da rosa – uma visão mística sobre a espiritualidade

Shakespeare, em Romeu e Julieta, com uma única frase, definiu bem aquilo que sentimos por esta flor: “aquilo que chamamos de rosa, com outro nome, seria igualmente doce”

Postado dia 08/12/2015 às 00:00 por Antonio Carlos

rosas

No sincretismo místico e religioso empregado pela Humanidade, um dos símbolos de maior expressão, senão o maior, é a utilização da Rosa nas suas sagradas tradições e sua origem se perde nas brumas no tempo da civilização.

Diz a Tradição que somente quem é, ou foi Iniciado, pode compreender seu significado mais profundo, mais místico e filosófico da rosa! A rosa é o símbolo da pureza, da inocência, dos seres que viviam no Reino Adâmico, época em que ainda não era conhecido o “Pecado Original”. Sendo a rosa uma das raras flores que se fecham sobre o seu coração, simboliza o segredo guardado, o silêncio sublime, que o homem deve guardar. Quando a rosa abre a sua corola, sabe-se que está na hora da morte. Talvez o famoso escritor de outrora, Umberto Eco no seu famoso livro O Nome da Rosa, tenha “insinuado”, o misterioso e intrincado “poder da rosa” em seu enigmático conto sobre a Igreja Católica da época na Idade Média. Inúmeras Sociedades Secretas, senão na sua quase totalidade, tem a rosa como seu emblema, em seu estandarte, em suas insígnias, em seus Rituais de Instruções para os seus Adeptos. Ela lidera na maioria dos casos, os chefes dessas Sociedades, cuja característica principal é sua liturgia com seus delicados nuances espirituais, ligados diretamente ao simbolismo hermético do nosso Senhor Jesus, o Cristo!

rosa1Desde a época mais remota que se tem notícias, a rosa sempre foi honrada pelos deuses e seus respectivos heróis. Por exemplo, ela ornava o escudo de Aquiles (O escudo de Aquiles teria sido usado pelo lendário herói grego para combater o troiano Heitor), os escudos dos bravos cavaleiros da Idade Média, com a seguinte divisa de triplo sentido, ou seja;

“quanto si monstro men tanto e piu bela”,

ou seja;

“quanto menos ela se mostra, mais bela ela é”.

Familiarmente, era costume em épocas remotas, que ao descobrir a taça das rosas, significava desvendar um segredo!

Isso foi passado no decorrer dos séculos, como uso e costumes no seio da sociedade tal procedimento “velado”, ou seja; “coberto por um véu”, sendo comum até num passado recente, e em algumas comunidades, impor a “Lei do Silêncio” aos seus convivas, colocando em cima da mesa, uma taça com um ramo de rosas. O objetivo de tal procedimento era transmitir e impor aos presentes, que o bom “tom e a honra” que qualquer conversa colocada na reunião, fosse mantida rigorosamente sigilosa, secreta e pura, sem quaisquer deslizes e/ou comentários fora da mesa. Por considerarem a rosa, um emblema de pureza, de castidade e característica imaculada, tal procedimento foi implantado na sociedade da época! Esse procedimento era praticado em outras terras com uma variante, ou seja; colocavam uma rosa suspensa por cima da mesa do banquete, e seria faltar à honra, sujeito até à morte, repetir as conversas realizadas sob a “proteção da rosa”. Daí o termo “sub rosa” muito usado em alguns países da Europa, na Idade Média. Quando havia necessidade de falar mais abertamente durante uma refeição, os participantes da mesa solicitavam ao anfitrião que a taça fosse coberta com um véu, ou seja; fosse “velada”, sendo que antes de abandonarem a mesa, a taça era novamente descoberta pelo véu, e a “Lei do Silêncio” voltava a ser uma obrigação sagrada. Na Escola Pitagórica (principalmente os Acusmáticos), os Franco-Juízes (membros da Santa Vehme), os Cavaleiros Errantes, os Templários, Cavaleiros de Rodhes, Rosa-Cruzes, os Rosati, e também os membros do Alto Clero Cristão, usavam também a rosa como um importante emblema intimidador e esotérico. Interessante notar que os Franco-Juízes do Santa-Vehme constituíam um tribunal secreto, e eram encarregados da execução dos indivíduos culpados por “perturbar a ordem social e religiosa”, e tinham sobre o ferro do seu machado justiceiro, a gravação de um punhal e um cavaleiro segurando um ramo de rosas.

rosa 2Todo aquele que traísse o segredo colocado sob o signo da flor, era morto com o punhal. Se eles passassem nas proximidades de uma rosa cortada, os franco-juízes deviam segurá-la com a boca ou colocá-la sobre o seu coração.

No Cristianismo, devido à importância mística atribuída a rosa, ela era adornada nas igrejas católicas, e em todos os lugares como elemento sagrado, representado como atributo de pureza e virgindade, a flor era inserida aos pés da Nossa Senhora Virgem Maria, várias rosas adornando ao seu redor, que simbolizava por sua vez, a pureza angélica e castidade celestial.

No século XII, os teólogos cristãos introduziram tal procedimento místico e teológico, nas principais catedrais das grandes cidades, inserindo a figura rosácea nos seus vitrais.

rosa 3Com o seu forte fervor místico, religioso e sagrado pela população, o simbolismo esotérico da rosa começou a ser expandido em outras praças, cidades e vilarejos, e era constantemente reforçado pelos eminentes teólogos cristãos, através da introdução de uma rosa multicor, que a “Luz” (expressando a “Luz Oculta e Divina”), entra nos santuários para purificar os pecados veniais de seus seguidores.

Para realizar e confirmar tal maravilha, foi colocada uma rosa na Catedral de Notre Dame, em Paris, como gratidão e reverência, tendo a sua dimensão no formato com 12,90 metros de diâmetro. Era um absurdo colossal para a época, sendo necessário que o Mestre Arquiteto contratado para realizar tal tarefa, conhecesse os segredos da geometria sagrada, o seu respectivo número de ouro, (número phi = 1,618), da resistência do material e das fórmulas sábias, que apenas eram conhecidos pelos grandes iniciados das sociedades secretas. Daí a magia, a mística e misteriosa flor entra em ação, com todos os seus predicados, seus atributos e nuances magísticos empregados, que são o silêncio com seus segredos em torno de si.

rosa 4A evolução do misticismo da rosa passou das Catedrais para as casas de seus seguidores católicos, em meados do século passado, na cidade de Lyon, na França, era comum nas casas haverem sobre a porta de entrada, gravada na pedra, uma pequena cabeça coberta por um capuz e com uma enorme rosa por cima.

Segundo a Tradição, essas casas com tais emblemas, significavam que havia proteção mística e espiritual de algumas Fraternidades Brancas para os seus membros, pois desde a Idade Média, inúmeras estalagens ostentavam a palavra rosa na tabuleta: “A la Rose de Provins”, “La Rose et l’Eglantine”, “Auberge de la Rose”, etc. Isso significava que os que ali se hospedavam, indicavam aos viajantes que eles se encontravam “sub rosa”, e que tudo o que dissessem, ou fizessem, seria mantido em segredo.

Segundo historiadores da época relatam o decreto do Parlamento de Ruão, isso no final do século XVI, que proíbe aos habitantes da cidade irem à Taberna da Rosa e à Taberna da Roseira. É dessa época que data o “cisma da rosa”, que opôs os Iniciados laicos aos Iniciados Cristãos.

Dessa forma, cada vez mais, as sociedades secretas, fundadas sob o signo dessa flor, afastavam-se do dogma rígido instituído pelos franco-juízes. Partindo desse enfoque, teoricamente os Rosa-Cruzes seriam os últimos possuidores da verdade “sub rosa”, que os grandes ocultistas consideram como a única que provém em linha direta de nossos antepassados místicos. Porém existe uma corrente filosófica muito forte, que tem como máxima a “rosa” como símbolo, e é considerada a uma restritiva Sociedade Secreta, que teria alguns seletivos membros em Portugal, Brasil, Chile, Argentina e América Central. À porta de suas casas estariam plantadas, de um lado e de outro, uma roseira vermelha e uma roseira branca.

rosa 5Foi no ano de 715 que foi instituída a bênção das chaves da confissão de São Pedro, as quais foram entregues, em seguida, a alguns estabelecimentos religiosos privilegiados.

Pressupõe-se que deriva desse costume o Rito da Rosa de Ouro, ou também conhecido como o Rito da Rosa dos Papas da Igreja Católica.

Por volta de 1.048, o Papa Leão IX ordenou dois mosteiros, detentores das chaves de confissão de São Pedro, que fornecessem, como reconhecimento, todos os anos, uma “rosa de ouro”, ou pagassem o seu valor.

A importância desse ato tem um místico e esotérico valor, pois ele representa o símbolo da fragilidade humana! A inalterabilidade do metal representava uma imagem da eternidade da alma.

rosa 6Era uma simples rosa brava, que pintavam de vermelho, e depois veio o hábito de a ornamentarem ao centro com rubis e pedras preciosas.

Desde Sisto IV (ano de 1471), a Flor dos Papas, cinzelada com ouro fino, era feita de um ramo espinhoso com várias rosas em flor ornadas de folhagem.

A flor colocada no cimo do ramo era maior do que as outras, e tinha, à laia de coração, ao centro da corola, uma pequena taça perfurada. Quando da bênção da rosa, o Papa deitava nessa cúpula vários perfumes imitando o odor da rosa para “recordar aos Iniciados, as misteriosas propriedades que estão ligadas à flor (rosa)”.

Jamais o sentido secreto da rosa cristã foi revelado aos profanos!

rosa7O símbolo da rosa com a cruz, daí R + C, tem grande valor místico para a Ordem Iniciática Rosa-Cruz, sob o ponto de vista alquímico a saber:

A Rosa representa o símbolo do Fogo;

A Cruz representa o símbolo do cadinho (transmutador alquímico);

Para o grande ocultista e considerado um dos maiores expoentes da Alquimia, Fulcanelli explicava em suas anotações, que a Pedra é a Rosa Vermelha, e a flor do cadinho.

Alquimicamente falando, a Rosa-Cruz representa o sangue de Cristo, pelo qual os nossos pecados foram lavados, ou analogicamente falando, representa o Cordeiro de Deus, que foi sacrificado para que Deus aceitasse as oferendas do sacrifício humano… O simbolismo da Cruz representa a dor humana, porque é através da Dor que poderemos sublimar a suprema Beleza irradiada no homem virgem dos pecados, livre das paixões e emoções do mundo mundano, o Homem Adâmico de outrora, o Bom Pastor, ou ainda, o Homem Vitruviano de Leonardo da Vinci! Dessa forma, o simbolismo da Rosa passa a ser a verdadeira representação do A M O R, mas num sentido muito mais amplo, abrangente e infinito, ou seja, alquimicamente no sentido crístico da palavra! A Maçonaria astutamente empregou em seus rituais, o simbolismo da rosa. Na Maçonaria Simbólica, ela associou a rosa com o Homem Adâmico, anteriormente comentado, pois o Homem Vitruviano tem a sua representação com o hermetismo da maçonaria esotérica, simbolicamente com a Quintessência, o Homem com seus atributos mais puros e elevados, a Rosa, unida a Cruz, expressão da mais alta espiritualidade. Por isso é que nos altos corpos filosóficos da Maçonaria, ele se destaca como sendo um dos maiores, fortes e representativos graus espirituais que a Maçonaria incluiu nos seus rituais iniciáticos, trata-se do Grau 18 da maçonaria, chamado de Cavaleiro Rosa-Cruz.

rosa8Sua Jóia do Grau 18 é representada pelo Pelicano, cujo atributo maior é a F I L A N T R O P I A iniciática, onde aparece bicando seu próprio peito, para alimentar os seus 07 (sete) filhos, onde cada filho é responsável para combater os 07 (sete) pecados capitais do Homem, ou seja; Orgulho, quando oriundo de uma vaidade terrível, porque tal pecado ofusca os espíritos fracos; a Preguiça, originária da passividade lunar, que repousa em sua inércia absoluta; a Avareza, pela sua excessiva previdência e prudência em excesso; a Gula, para aqueles que são hospitaleiros e generosos, que se preocupam exclusivamente do Eu; a Inveja, aqueles que jamais se satisfazem, ambicionando tudo aquilo que não possuem; a Luxúria, aqueles que exageram na qualidade das características de Vênus; e a Cólera, aqueles que exaltam a violência e os transportes, teimam em perseguir as fraquezas que a Humanidade carrega em sua existência terrena! Novamente nos deparamos constantemente com a numerologia pitagórica e sagrada do número 07… Alquimicamente, a C R U Z representa também, a JUSTIÇA e a IMORTALIDADE, como a figura mitológica de Prometeu, que sendo eternamente dilacerado seu fígado pela ave rapina, renascia diariamente na figura imortal um deus menor. A Rosa, com seu simbolismo mágico, representa o Segredo inviolável do Eterno. A figura do Compasso, tem em sua esfera mais sublime e simbólica, a representação da Verdade, a Razão e a Virtude, a Intelectualidade, a Moderação e a Justiça, que nada mais são que paradigmas para uma boa direção de vida… Para a Igreja Católica, o símbolo da Rosa Mística está diretamente relacionada à Virgem Maria!

rosa 9Segundo a Tradição, ela foi conservada pelos católicos de forma velada, oculta e enigmática, pois Ela (Virgem Maria) apareceu várias vezes para uma vidente italiana chamada Pierina Gilli, na cidade de Montichiari, entre os anos de 1947 e 1.976. Em suas inúmeras aparições, a Virgem se apresentava com o coração ornado por uma coroa luminosa, parecendo uma rosa, que desabrochava em todas as cores, como se fosse um caleidoscópio.

A idéia mística e espiritual da rosa, associada à lembrança da cor de sangue, e aos espinhos que provocam o seu derramamento, enalteceu e contribuiu com forte comoção e sedução os relatos apresentados.

Os Rosa-Cruzes atuais tem uma interpretação mais mística a respeito da Cruz e da Rosa, ou seja; a Cruz representaria a parte material do ser humano, enquanto que a Rosa representaria a força espiritual aflorando em seu ser.

Naquela época, a perseguição na Idade das Trevas (Idade Média) daqueles seguidores das escolas esotéricas (Alquimia, Maçonaria, Santo Graal, …) se uniram e refugiaram em outras Instituições Iniciáticas, entre elas a Rosa-Cruz, cuja preocupação máxima era o segredo da imortalidade e da regeneração universal. Como a Rosa era considerada uma flor iniciática para diversas ordens religiosas, inclusive a Arte Sacra, que considera a rosa como sendo símbolo da paciência ou do martírio. A Rosa representa a mulher, enquanto que a Cruz representa o simbolismo do sexo masculino. Assim, os hermetistas acreditavam que a Cruz é o símbolo da junção eclíptica com o equador terrestre (eclíptica é a órbita aparente do Sol, ou a trajetória aparente do Sol que descreve anualmente no céu); ambos se cruzam no Equinócio da Primavera e no Equinócio de Outono. 7

Assim por analogia, a Rosa simboliza a Terra, como ser feminino, e a Cruz simboliza a virilidade do Sol, com sua força criadora que fecunda a Terra.

A junção dos sexos leva à imortalidade da vida, resultando dessa correlação, a Regeneração Universal, que é o ponto mais importante da filosofia Rosa-Cruz, pois representava também, o Ad Contínuon, para o conceito da ressurreição.

A Rosa também tem uma forte influência na religião hinduísta, pois segundo a tradição Hindu, a deusa LAKSHMI (deusa do amor), nasceu de uma Rosa. Símbolo da Beleza e da Pureza, perfeição em todos os sentidos.

Para finalizar, as Rosas possuem um forte simbolismo de suas cores, hoje em dia, com a manipulação genética, é possível tê-las em diferentes tonalidades, com isso, foi introduzido diferentes significados para cada cor.

Por exemplo:

  • Rosas Azuis: confiança, harmonia e afeto;
  • Rosas Champanhe: admiração, simpatia;
  • Rosas Brancas: reverência, segredo, inocência, pureza e paz;
  • Rosas Amarelas: amor por alguém que está a morrer ou um amor platônico… ou…uma verdadeira amizade;
  • Rosas Azuis: verdadeiro amor eterno, raro, forte, que nunca se abala ou descolore, em algumas culturas ela tradicionalmente significa mistério ou a busca _ ou o alcance do impossível;
  • Rosas Coloridas em tons claros: amizade e solidariedade;
  • Rosas Coloridas, predominando as vermelhas: amor, paixão e felicidade;
  • Rosas Cor-de-rosa: gratidão, agradecimento, o feminino;
  • Rosas Vermelhas: paixão, amor, respeito, adoração;
  • Rosas Vermelhas com Amarelas: felicidade;
  • Rosas Vermelhas com Brancas: harmonia, unidade;
  • Rosas Laranjas: entusiasmo e desejo;
  • Rosas Vermelhas bordeaux: beleza inconsciente;
  • Rosas Verdes: esperança, descanso da juventude e equilíbrio;
  • Rosas Violetas: calma, autocontrole, dignidade e aristocracia;
  • Rosas Pretas: separação, tristeza e morte;
  • Rosas Cinzentas: desconsolo, aborrecimento e velhice.

 

 

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Sobre o Autor

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Antonio Carlos

Antonio Carlos é mestre em economia e palestrante. Além de ser autor de vários livros voltados para ciências e espiritualidade.

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