Mãe, podemos conversar?

A falta de diálogo entre pais e filhos na puberdade e adolescência  é ainda uma realidade muito triste e presente no cenário que versa sobre a sexualidade

Postado dia 27/05/2016 às 08:30 por Luanda Nogueira

 

filhos

Foto: Reprodução/Internet

No trabalho clínico que realizo junto aos adolescentes, observo o conflito deles quando querem conversar com seus pais sobre as questões mais íntimas, e muitas vezes esses jovens se deparam com uma grande barreira, e mal conseguem se aproximar.

Claro que não posso generalizar porque existem exceções e algumas famílias  adotam o diálogo aberto e tranquilo de modo que o adolescente possa compartilhar  suas dúvidas e  experiências, mas é necessário melhorar essa comunicação em muitas famílias.

Interessante é que, no discurso de alguns adolescentes, eles contam que até gostariam de participar suas experiências e dúvidas com os pais, mas muitas vezes quando chegam pra falar, ou  o pai ou a mãe não tem tempo para ouvir ou, quando conseguem começar o assunto, os pais pedem para eles pararem de contar por não saberem como lidar com alguns relatos dos filhos.

Um exemplo?

-Mãe preciso te contar o que rolou ontem com o menino que eu estou ficando… Ah, ele me abraçou, me beijou…

– Pode parar filha, “não quero” saber dessas coisas!!!  Só digo que tem que ter cuidado hein, olha lá o que está fazendo… Vai me chegar grávida!

Uma oportunidade rica e íntima que o jovem tenta na aproximação com seus pais, por questões de segundos tudo vai por rio afora, e sobra então os amigos para contar  e trocar experiências. O pior é que esse(a) jovem tão cedo não vai querer contar mais nada a seu respeito.

Este cenário é triste pois a oportunidade do adolescente poder compartilhar seus sentimentos e experiências com os pais é um momento especial, pois neste contexto familiar compreende que está acolhido, confortável e que sempre poderá confiar na família.

Mas quando  escuto os adolescentes com suas dúvidas e angústias de terem o desejo de contar  para seus pais que deram seu primeiro beijo, de contarem  que estão “ficando” ou namorando, e principalmente no que se refere à sua orientação sexual, o que eles esboçam na maioria das vezes são medo e receio.

Portanto, caros e queridos pais que já passaram por essas fases como a puberdade, a adolescência, vocês sabem como ninguém o turbilhão de pensamentos, sentimentos e conflitos que permeiam essa fase rica de nossa vida. Mesmo que vocês não tenham tido essa acolhida de seus pais, não tiveram diálogos, não precisamos repetir com os filhos, pois essa experiência de ser amigo deles é maravilhosa e única.

E caso realmente não estejam preparados  para saber o que ocorre com seus filhos no sentido da sexualidade como namoros, sexo, orientação sexual entre outros, por favor, procurem ajuda profissional para as devidas orientações, pois com certeza é muito melhor a educação partir da família do que aprender de maneira equivocada na rua. Pensem nisso!

 

 

 

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Sobre o Autor

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Luanda Nogueira

Psicóloga com Enfoque em Sexualidade Humana, Educação e Saúde Sexual.

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