Lula: o homem que vendeu os pobres

O partido que subiu ao poder jurando lutar pelos pobres agora mandará a conta para eles pagarem

Postado dia 19/09/2016 às 09:13 por Pedro Henrique

lula

Foto: Reprodução/Internet

Nesta semana pudemos constatar, com uma apresentação fulminante do Ministério Público, aquilo que víamos embaçado por entre vidros enegrecidos pela corrupção sistêmica. Tudo o que víamos por meio de espectros de uma desconfiança foi confirmado com ares de plausibilidade irrefutável: Lula foi o comandante de todo o esquema do “petrolão”.

Todos os analistas políticos sérios, aqueles que não possuem compromissos com partidos ou ideologias, já apontavam tal situação há tempos. Tudo que sabíamos do petrolão, até a acusação do MP, tratava do sistema de propinas que saíam das grandes empreiteiras, principalmente da OAS, para conseguir licitações e superfaturamento de obras para a Petrobrás. Tais propinas se direcionavam aos partidos políticos coligados ao grupo do governo (PT). Em resumo, três eram os partidos que faziam com que o esquema criminoso de propinas funcionasse: PT, PMDB e PP.

Os carteis pagavam propinas altíssimas para o PT, que era o partido do governo e o grupo que chefiava o esquema. Era o PT que pagava tais propinas aos demais partidos coligados. Tais propinas se direcionavam a dois intentos: comprar deputados para que leis criadas pelo governo obtivessem a maioria dos votos e, também, garantir que os nomeados aos grandes cargos na Petrobrás aceitassem o esquema de licitações direcionadas ao carteis das ditas empreiteiras.

Tudo girava de tal maneira: o carteis pagavam propinas aos políticos, os políticos criavam coligações para repassar as propinas aos outros políticos — para conseguirem a maioria na Câmara dos Deputados, pagando ou oferecendo cargos para tal propósito. Assim feito, com a maioria dos parlamentares ao lado do governo, leis que interessavam ao governo ou ao grupo de carteis eram passadas adiante.

Em troca, os partidos cediam as licitações superfaturadas — pagas com dinheiro público — ao cartel de empreiteiras que geravam propinas aos políticos. Uma troca de favores muito bem organizada, uma quadrilha muito bem estruturada, denomine-os como quiserem.

Mas o que eu gostaria realmente de sublinhar é que tal esquema possuía um coração. Isto é, um centro de comando, sem o qual nada funcionaria. Tal coração era aquele que possuía o poder de nomear os altos cargos da maior estatal brasileira, isto é, o presidente da república. Se não houvesse pessoas no comando da Petrobrás que continuassem o esquema de carteis, todo o jogo sujo pararia no mesmo momento; afinal, somente com a autorização dos chefes da Petrobrás era possível a burla das licitações e do superfaturamento.

Não obstante, veja, para tal comando era necessária a nomeação do presidente da república. Ele necessariamente teria que conhecer e participar do sistema de corrupção para bem escolher seus indicados, indicados esses que continuariam a jogatina suja das propinas. Tudo dependia das nomeações presidenciais, ou seja, de Lula.

A prova contra Lula, além daquelas que por segredo de justiça não foram totalmente reveladas, é o próprio fato de o esquema ter existido. O petrolão dependia do presidente para funcionar, dependia, também, obviamente, de homens corrompidos que aceitassem o esquema e lhe dessem continuidade. Sem as nomeações corretas, o esquema teria sido revelado ou pausado.

Quando escuto petistas pedindo provas, ou inventando frases que nunca foram ditas, vejo o desespero de esconder toda a sujeira humana e política que jaziam sob seus olhos. Homens e mulheres que, diante da plausibilidade e lógica inconteste dos fatos, mostram-se atordoados. Partindo para as teorias já conhecidas de perseguições e tramas dignas de Oscar.

No fim, tudo continua sendo culpa do “capital estrangeiro”, que montou uma arapuca contra os “proletários do poder”. Entretanto, não há como negar aquilo que se mostra de forma clara. Provas factuais não são somente flagras em vídeos, notas fiscais e áudios gravados. Ora, sejamos minimamente sensatos, um esquema corruptor a base de propinas, isto é, dinheiro sujo, não gera comprovantes; corruptores que estão colocando no lixo da vergonha bilhões de dinheiro público não se reúnem sob câmeras nem aceitam dispositivos de áudios.

Provas de crimes se fazem, também, pela ligação lógica dos fatos descobertos, pelo emaranhado de testemunhas e delações que, de forma incontestável, levam todos a um denominador comum, a um comando sem o qual não seria possível todo o combo de ações criminosas.

Alguns dados: Lula enriqueceu 360% no período em que foi presidente, no período em que propinas comiam soltas. Como? Palestras? Ah sim, é bom dizer, o Ministério Público auditou os ganhos do Instituto Lula: tal instituição recebeu R$ 30 milhões de propinas. Lula, através de propinas da OAS, ganhou um tríplex no Guarujá, testemunhas visuais e delações dos próprios empreiteiros dão conta do fato. Ao calcularem os prejuízos do petrolão aos cofres públicos, se constatou que o rombo já ultrapassa R$ 42 bilhões. Quem pagará tudo isso? Pois é: eu, você e os próprios defensores do PT.

Eu vejo como o brasileiro foi ludibriado e sinto nojo do PT por isso. Segundo o MP, os principais beneficiados foram o PT e o Lula. O presidente que se elegeu com o voto do pobre prostituiu-se com o dinheiro dos ricos. O partido que subiu ao poder jurando lutar pelos pobres, agora mandará a conta para eles pagarem.

Não que seu evasivo caráter sublimado já não fosse conhecido por aqueles que não o tinham como um deus. O PT mostrou em vistas panorâmicas toda a podridão de seus atos, toda a mentira corruptora que jaz em seus discursos. Um partido que mostrou que seu modo de governar é a “propinocracia”.

O Lula tornou-se um Robin Hood às avessas, o homem que tira dos pobres para satisfazer os cabarés dos ricos. Eu quero muito entender como é possível que haja pessoas defendendo o Lula e seu partido. Não se trata de esquerda ou direita, socialismo ou conservadorismo, mas de lógica, de sensatez humana.

Boa parte do povo insiste em deitar-se com aqueles que os agridem, uma forma assustadora de masoquismo social. Uma burrice que merece palmas e plateias, pois, não me recordo, na história da humanidade, qual foi a última vez que o povo tenha com tanto gosto se depravado em defesa daqueles que o mata!

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Sobre o Autor

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Pedro Henrique

Pedro Henrique, filósofo, ensaísta, crítico social, estudioso de política e palestrante

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