Lula lavou as mãos

Enquanto Lula corre das mãos do Juiz Sérgio Moro, pode estar cada vez mais se distanciando da presidência nas eleições de 2018

Postado dia 21/09/2016 às 09:50 por Wilson ADM

Lula

Foto: Reprodução/INternet

O PT ainda concentra suas forças para barrar a operação Lava Jato e tirar a credibilidade das denúncias feitas pelos jovens procurados Deltan Dallagnol e Roberto Pozzobom, que acusam o ex-presidente Lula de ser o mandante supremo do maior esquema de corrupção já realizado no Brasil: a “propinocracia” envolve pagamento de propinas para compra de votos que beneficiaram a permanência do PT no governo, além de um grande esquema de lavagem de dinheiro envolvendo políticos, empresários, empreiteiras, empresas estatais e bancos.

Lula está inconformado com as acusações de ser o mandante do mensalão e do petrolão e se diz perseguido de forma covarde para que sua possível candidatura à presidência da república em 2018 seja prejudicada. Após o suposto golpe político efetuado contra Dilma Rousseff, diz Luís Ináciio, agora as forças antidemocráticas estão conspirando contra ele, a fim de manchar sua honra e sujar o nome de sua família. Vale a pena lembrar que Lula, enquanto insiste em se dizer perseguido por Sérgio Moro, foi declarado réu por um juiz federal de Brasília por cometer obstrução da justiça.

Embora o PT esteja divulgando que o MPF afirmou que não possui provas contra Lula, apenas convicção, é bom lembrar que essa frase nunca foi dita pelos procuradores. O que o PT fez foi montar essa afirmação equivocada de acordo com várias frases faladas durante a apresentação dos fatos para a imprensa. O trabalho do advogado de Lula certamente é um dos mais difíceis atualmente; cada vez mais, as ferramentas para que ele possa desenvolver uma boa defesa tornam-se restritas.

A intenção aqui não é julgar o PT ou sentenciar Lula, mas sim analisar de forma pragmática os diversos acontecimentos que têm sido importantes para o desenvolvimento do Brasil em diversos aspectos. Atualmente estamos passando por uma grande crise, tivemos uma presidente afastada por crimes de responsabilidade e um ex-deputado, ex-presidente da Câmara, cassado por quebra de decoro parlamentar. É importante que analisemos os fatos que levam o brasileiro a examinar de perto as denúncias que andam sendo feitas e questionar se realmente uma denúncia grave é apenas uma mero objeto utilizado para encantar o cenário político com intrigas tolas.

O que sabemos é que tanto o mensalão como o petrolão não são frutos da imaginação de investigadores ou grandes mídias. Quando o ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB) delatou no ano de 2005 que o governo federal pagava propinas para que políticos votassem em projetos que interessavam ao Planalto, o Brasil então conhecia o que viria a ser chamado de mensalão. Mensalmente, grandes quantias em dinheiro iam parar nas mãos de dezenas de políticos corruptos. Os valores passavam pelo famoso “valerioduto”, um conjunto de contas bancárias pertencentes ao empresário Marcos Valério, para as quais se desviava o dinheiro público. Durante esse período, Lula declarou que não sabia de nada e toda a culpa acabou caindo em cima do ex-ministro da casa civil José Dirceu (PT) , que foi cassado e preso, ficando conhecido como o mentor do esquema de corrupção. Com isso Lula conseguiu sua reeleição no ano de 2006.

Anos depois, já no governo de Dilma Rousseff surgiu uma nova bomba chamada petrolão. O que parecia um novo golpe na sociedade brasileira, de acordo com as denúncias do MPF, é a continuação do esquema criminoso de corrupção iniciado no governo de Lula. Então o MPF criou uma força tarefa chamada de operação Lava Jato para que o petrolão fosse investigado. O que foi descoberto foi uma tendenciosa nomeação de vários nomes para ocuparem cadeiras na diretoria da Petrobrás, com o objetivo de que o governo conseguisse desviar dinheiro da empresa enquanto ainda continuava com o pagamento de propina, aparelhando o Estado e garantindo a permanência do PT no poder.

Embora Lula jure sua inocência, as provas de que os esquemas de corrupção existiram são inegáveis, pois muitos envolvidos no petrolão deram nomes aos bois. Muitos daqueles investigados pela Lava Jato que foram julgados e condenados pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro começaram a participar das delações premiadas, dando então informações importantes para que as investigações chegassem em um ponto onde fosse descoberto que não só o PT, mas que o PMDB e o PP também estavam participando do recebimento de dinheiro sujo.

Então chegamos a um estágio em que as pessoas começam a exigir que a Lava Jato caia sobre o atual presidente Michel Temer (PMDB), sobre o ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB), sobre o presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB) e o ex-ministro Romero Jucá (PMDB), mas não querem que a investigação avance sobre membros do PT, principalmente sobre o ex-presidente Lula, alegando perseguição política. Esse tipo de exigência tola e incabível é o que tira a credibilidade dos apoiadores da oposição num momento em que eles têm a chance de demonstrar algum respeito pela democracia e pela justiça.

A situação de Lula é bem grave. A primeira grande irresponsabilidade cometida por ele foi ter negado que soubesse de esquemas de corrupção quando era presidente do Brasil. Não é de hoje que evidências apontam que Lula sempre soube de todos os esquemas e que tinha grandes possibilidades de ser o mandante. As delações premiadas colocam o ex-presidente em uma situação extremamente delicada, pois homens que sabiam demais e eram de sua confiança, como ex-diretor da Petrobrás Nestor Cerveró (Petrobrás) e o empreiteiro da OAS Léo Pinheiro, começaram a detalhar como era o envolvimento do PT no recebimento de dinheiro ilegal.

E tem a história mal contada do apartamento de luxo no Guarujá e do sítio em Atibaia, onde foram achados pertences de sua família, o que só aumenta a possibilidade de mais provas de que Lula tinha um relacionamento por “debaixo dos panos” com as empreiteiras investigadas OAS e Odebrecht.

Talvez o maior erro do PT seja não admitir erros nunca. Sempre justificar seus equívocos afirmando seus méritos, isentar-se de culpa buscando alguém para culpar. A situação no Brasil chegou a tal ponto que é bem difícil que as pessoas em sã consciência possam acreditar que Lula é completamente inocente. Ele pode não ser totalmente culpado, mas provar isso será bem mais difícil do que conseguir se eleger nas eleições de 2018.

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