A lógica da vida

Peçamos aquilo que realmente merecemos. E comecemos dando o melhor de nós mesmos, que é a capacidade de amar ao próximo

 

Postado dia 06/02/2017 às 08:30 por João Anatalino

vida

Foto: Reprodução

A vida sempre nos dá o que a gente pede á ela. Quem pede muito, recebe muito, quem pede pouco recebe pouco. A razão para essa lógica está no nosso cérebro subconsciente. Ele é muito burrinho e só aprende a obedecer ordens. Se nós dizemos a ele que só queremos um pequeno quinhão na vida, ele acreditará e fará com que nós só procuremos pequenas recompensas. Se dissermos que merecemos muito mais, ele fará com que procuremos grandes realizações.

É evidente que não basta só pedir, só exigir. É preciso primeiro merecer. O mérito é consequência dos bons resultados que a gente obtém na vida. Nenhum técnico colocará no time principal um centroavante que nunca marcou um gol antes. E a vida é o melhor técnico que existe no mundo. Prático, competente e justo.

O grande segredo disso tudo é, portanto, aprender a pedir à vida o que queremos.

Existe uma forma certa de fazer isso, e tudo começa com a nossa disposição de primeiro dar para depois receber. É isso mesmo. A vida é sábia e nada nos dá se não estivermos dispostos a entrar com uma contrapartida nesse jogo. Essa contrapartida se chama trabalho, dedicação, comprometimento, participação, treinamento, estudo, compartilhamento.

Nada vem de graça. Até aqueles que adquirem seus bens através de ações criminosas sabem que estão arriscando a vida e a liberdade por conta disso. É a contrapartida que eles dão pelo prazer de gozar por pouco tempo uma riqueza conquistada ilegalmente.

Mas não é isso que a maioria das pessoas quer. Todos queremos ser felizes e ricos pelo mérito conquistado em nossas ações.

Peçamos à vida aquilo que realmente merecemos. E comecemos dando a ela o melhor de nós mesmos, que é a capacidade de amar ao próximo e oferecer a ele a nossa amizade, o nosso afeto, a nossa mão amiga e a nossa solidariedade. Isso são coisas que todos nós temos e não diminuem nem acabam à medida em que são distribuídas.

E, principalmente, acreditemos que, quanto mais contribuirmos com essa previdência, mais iremos receber.

Convém não esquecer a parábola dos talentos. Quem recebeu dez talentos tem a obrigação de devolver vinte; quem recebeu cinco deve devolver dez; quem recebeu um precisa devolver pelo menos dois. Ninguém tem o direito de esconder os talentos que recebeu e devolver somente o que lhe foi dado com a desculpa que não deve nada a ninguém e por isso está devolvendo somente o que recebeu.

Francisco Octaviano escreveu um lindo poema que fala sobre isso. Ele diz: “ Quem passou pela vida em branca nuvem/ E em plácido repouso adormeceu/ Quem não sentiu o frio da desgraça/ Quem passou pela vida e não viveu/ Não foi homem, foi espectro de homem /Só passou pela vida, não viveu.” E eu complemento com uma frase que vi em um filme: que homem é o homem que não procura deixar melhor o lugar onde foi posto para viver?

Pense nisso esta noite quando for fazer suas orações (se você costuma fazer isso).  Antes de pedir alguma coisa a Deus pergunte-se o que você fez para ter o direito de ser atendido. Se você puder responder a essa pergunta com sinceridade, pode ter certeza que amanhã será o seu dia. Deus o abençoe. Para encerrar, eis um soneto que escrevi sobre esse tema.

 

Se ainda podemos sentir um coração bater
Isso diz que nós ainda estamos bem vivos.
Pois Deus nos deu um dia mais para viver
Não para usar com pensamentos negativos.

Respire fundo, encha o peito, erga a fronte,
No que você crê, isso mesmo é o que terá.
Jesus disse ? Se tiver fé diga a este monte:
Sai daqui, lança-te ao mar: e ele obedecerá.

A vida é justa e só nos dará o que pedirmos,
Nunca mais,  nunca menos que o acordado;
E os acordos somos nós que os redigimos.

Exija da vida tudo que ela tem para lhe dar,

E vá em frente. Mas não espere aí sentado;
Porque ela dá, mas você tem que ir buscar.

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Sobre o Autor

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João Anatalino

João Anatalino Rodrigues é bacharel em Direito e Economia e Mestre em Direito Tributário e escritor com 10 publicações autorais.

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