Lixo não existe

Coleta seletiva é solução definitiva, custe o que custar

Postado dia 15/01/2016 às 00:00 por Renato Faury

lixo

Quando misturamos diversos resíduos para serem descartados, estes passam a ter o nome de lixo; nós criamos o lixo, que até então não existia. A situação foi criada por nós mesmos, portanto, nós mesmos temos de resolvê-la. Não o fazemos por preguiça, má vontade, desinteresse, falta de cidadania, (das pessoas e dos dirigentes públicos). Todos os materiais podem e devem ser reaproveitados, reciclados, reutilizados.

Materiais misturados = lixo.

Materiais separados = matérias–primas.

Coleta seletiva é solução definitiva, custe o que custar. Cooperativas de coleta de materiais reaproveitáveis geram emprego e renda para pessoas excluídas, não somente do mercado de trabalho, mas da vida.

Os cidadãos normalmente desconhecem ou não se interessam pelo acondicionamento, pela coleta, tampouco pelo destino do lixo doméstico. O acondicionamento adequado desses resíduos é obrigação da população. A coleta e a disposição final é encargo das Prefeituras Municipais.

Os locais de descarte dos resíduos sólidos são muitas vezes inadequados, insalubres, geradores de doenças, além de chamariz de urubus, ratos e insetos, sendo que fica cada vez mais caro o transporte e mais longe as distâncias para levar o lixo. Alguns “cidadãos” não tão cidadãos descartam os seus resíduos em terrenos baldios e locais ermos, assim como móveis velhos e outros detritos, que acabam sendo queimados, o que emite mais poluentes ao meio ambiente.

Na natureza nada se perde e tudo se transforma (Lavoisier); os resíduos podem ser reaproveitados ou usados para produzir novos materiais:

PET (garrafas plásticas de refrigerantes) – recicladas para uso na construção civil (fabricação de tubulação, principalmente), fabricação de cordas para varais, vassouras e até camisas.

PVC, Poliestireno, Polipropileno – reciclados para o mesmo uso que tinham na primeira embalagem ou industrialização.

Sacos plásticos de diversos tipos – são reaproveitados para usos menos nobres, como em sacos de lixo preto, sacos para viveiro de mudas, etc.

Plásticos diversos misturados, com dificuldade para a separação pode ser usado na fabricação de tábuas e aglomerados para fôrmas de concreto, tapumes, etc. para uso na construção civil.

Pneus – já existem máquinas para moer pneus, possibilitando a sua utilização em placas de cimento/borracha, tubos para escoamento de águas pluviais, pneus intertravados para escoramento de taludes. Moído, o pneu usado pode ser adicionado ao asfalto e à borracha nova.

Sucatas de ferro – de diversos tipos, separadas pelo teor do aço/ carbono e de outros metais presentes no aço, e enviadas diretamente para as fundições.

Latas de alumínio – são compactadas e fundidas para fabricar novas peças de alumínio.

Papéis – há várias qualidades de papel e papelão que são reciclados como papelão novo, papéis para diferentes usos, como papel de embrulho, etc. – – Aparas de papel, Jornais, Revistas, Caixas, Papelão, Formulários de computador, Cartolinas, Cartões, Envelopes, Rascunhos escritos, Folhetos, Impressos em geral, Tetra Pak.

Isopor – pode ser reutilizado para a fabricação de blocos de cimento-isopor para paredes, estuques, lajes, isolantes de calor, outros plásticos.

Material orgânico – devido a sua rápida decomposição com desprendimento de cheiro desagradável e a falta de espaço nas áreas urbanas seria difícil uma solução diferente da coleta pública. Atualmente dispomos de composteiras de diversos tipos e tamanhos, inclusive a elétrica que recicla os resíduos de comida em 24 horas, não emitem cheiro e produzem adubo para as plantas.

Restos de madeiras e resíduos de jardins – são reaproveitáveis para compostagem e outros usos. Pode ser reutilizada na construção civil, na fabricação de utilidades ou como combustível.

As madeiras não aproveitáveis ainda podem ser utilizadas depois de moídas e peneiradas para fabricar composto orgânico, para utilizar em parques e jardins.

Resíduos de hospitais, salas de curativos, ambulatórios, análises clínicas, etc. devem ser incinerados ou destinados conforme as normas específicas das autoridades de saúde e ambientais.

Resíduos de fontes radiativas – deve ter o destino final controlado pelas autoridades e é preocupante porque não percebemos as radiações.

Resíduos eletrônicos – Os equipamentos eletrônicos, como os telefones celulares e os computadores, contêm grandes quantidades de metais nocivos quando dispersos no ambiente, como a solda usada nos circuitos internos, o aço, o arsênio, o cádmio, níquel etc.

O eletrônico é desmontado, as substâncias químicas com valor comercial são vendidas ou reutilizadas e os materiais plásticos reciclados.

Materiais sem reuso – devem ser descartados, seguindo as regras de proteção ao meio ambiente.

O principal perigo do descarte inadequado está na queima desses materiais ao ar livre provocando a contaminação do solo e dos lençóis freáticos.

São considerados recicláveis os resíduos que têm mercado, ou seja, possíveis de transformação industrial. Por exemplo: fraldas descartáveis são recicláveis em alguns países, mas como não dispomos dessa tecnologia, não há destino alternativo aos lixões e aterros sanitários para fraldas descartáveis, por isso, elas não se configuram como materiais recicláveis atualmente.

O programa de coleta seletiva deve ter coerência com a realidade local, isto é, a realidade social, ambiental e econômica da região.

Rejeitos – ou materiais não recicláveis – havendo compradores, passam a ser considerados recicláveis.

 

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Sobre o Autor

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Renato Faury

Engenheiro civil pós graduado em Engenharia Ecológica, e Assessor do meio ambiente do LIONS Internacional Governadoria LC-5

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