A lista que você deveria conhecer

Como artista me enquadro nos valores que essa lista possui e mesmo não tendo a honra de ter sido colocado ao lado dessas pessoas, as defenderei porque nenhuma delas odeia o próximo ou deseja seu mal

Postado dia 22/03/2016 às 00:00 por Cidão Fernandes

artista

Foto: Reprodução/Internet

Não sei se eu disse por aqui antes, mas tenho uma teoria de que idiotice é um estado sobre o qual aquele que é idiota não desconhece seus efeitos em si: é opção da pessoa que a possui. E cada vez venho confirmando isso de forma prática. Pois veja:

Rolou essa semana que passou um descalabro digno de países antidemocráticos e sem identidade, coisa que o Brasil não é, e que me deixou um pouco curioso – apesar de não surpreso. Rodrigo Constantino, um cara que conseguiu ser despedido da Revista Veja e que teve todos os seus escritos apagados do site da revista continua sua saga esquizofrênica de tentar ganhar a vida apertando uma única tecla: desqualificar pessoas que não pensam como ele, principalmente politicamente.

Dessa vez ele criou uma lista com dezenas de nomes de jornalistas, intelectuais e artistas que a sociedade brasileira deveria banir ou, segundo ele, boicotar por pensar diferente dele no que diz respeito ao momento político pelo qual o país está passando.

Tenho orgulho de viver em um país que produziu grandes nomes em várias esferas, que demorou décadas e décadas para que fossem construídas personalidades capazes de colaborar para que o Brasil tivesse alternativas ao status quo sempre empurrado goela abaixo como única forma de pensar e se comportar em sociedade. O mesmo padrão que por séculos explorou os mais pobres e os fez acreditar que sua pobreza era condição irremediável.

Aprendi demais com as pessoas dessa lista que o senhor Constantino colocou: Chico Buarque, Luis Fernando Verissimo, Fernando Morais, Gilberto Gil, Wagner Moura, Marieta Severo, José de Abreu, Camila Pitanga, Gregorio Duvivier, Laerte Coutinho, Paulo Betti, Alcione, Beth Carvalho, Xico Sá, Marilena Chaui, Vladimir Safatle, Chico César, Letícia Sabatella, Mário Sérgio Cortella, Frei Betto, Maria Rita Kehl e tantos outros que não incluí para não ocupar esse tão precioso espaço.

Num país como o Brasil, com o tamanho dele, não é mais admissível que alguém apareça como detentor da verdade e desqualifique – ou tente desqualificar, convenhamos – pessoas que ajudaram e ajudam a nos mostrar cada vez mais que os diferentes merecem conhecer e conviver no mesmo lugar e que somente com diálogo e escuta (peraí que essa vou escrever em caixa alta) ESCUTA é que a tolerância ganhará espaço.

Como artista me enquadro nos valores que essa lista possui e mesmo não tendo a honra de ter sido colocado ao lado dessas pessoas – quem sou eu não é mesmo? – as defenderei porque nenhuma delas apoiou a ditadura de 64, nenhuma delas destilou ódio entre as pessoas, nenhuma delas abandonou ou xingou seu próprio povo independente de como esse povo se comportou durante sua trajetória, nenhuma delas acredita que pobre deve ficar isolado em favelas ou becos escuros e sem ajuda para quebrar o ciclo de fome e desespero no qual vivem, nenhuma delas usou sua influência para se vender a um status quo que está em plena ruína no país. Enfim, nenhuma delas odeia o próximo ou deseja seu mal.

Sendo assim, defendo esses artistas brasileiros humildemente aqui de Suzano, acreditando que a idiotice cada vez mais terá menos espaço entre aqueles que, mesmo pensando diferente, querem o melhor do Brasil.

E quanto ao boicote… bem. O rapaz supracitado foi demitido da Revista Veja. Tirem suas conclusões se vai colar ou não.

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Sobre o Autor

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Cidão Fernandes

Ator, diretor teatral e produtor artístico. Diretor Geral do Teatro da Neura, grupo com 11 anos de trabalhos sediado em Suzano. Militante cultural e curioso.

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