Lírica: a borbulha nua e, agora, crua

Uma revolução nos espumantes brasileiros está aocntecendo

Postado dia 22/12/2016 às 08:00 por Edgard Reymann

lírica

Foto: Reprodução

O espumante brasileiro não é mais uma promessa, mas uma realidade. Atingiram um nível de qualidade e confiabilidade que permite ao consumidor escolher sem medo um rótulo, sabendo o que vai encontrar. Algumas novidades chegam volta e meia ao mercado. Lançada ano passado, o Lírica Crua é um “passo adiante” ao espumante top de linha de vinícola Hermann, o Lírica Brut. O novo rótulo, que guardei por um ano, tem como novidade algo que costuma se experimentar em visitas a algumas vinícolas do Sul: a possibilidade de prova-lo sem o tal do “dégorgement”.

O processo de dégorgement se dá quando, após um período determinado das leveduras dentro de uma garrafa de espumante feito pelo método tradicional, ou champenoise, o mesmo do champagne, elas são retiradas. No caso da crua, elas ficaram. Algum problema? Claro que não. O que a sua presença contínua faz, até que você resolva abrir a garrafa, é continuar promovendo novas transformações, dando um resultado um tanto diferente na degustação. De imediato, deve-se dizer que trata-se de um espumante de aspecto turvo, pois a levedura ficará espalhada pelo líquido. Nem por isso menos atraente no visual. Fica uma cor dourada mais densa, sem perder o brilho. O perlage (borbulhas) é intenso, porém fino. Quando na boca, sua cremosidade é mais intensa. Desde 2013 “sur lie”, ou seja, em contato com as leveduras, ficou, portanto cerca de 40 meses em contato com a levedura. E sua expectativa de guarda é de sete anos – até 2020. Não aguentei e bebi agora. Estava, claro, excelente. No nariz, notas cítricas são muito evidentes, seguidas por notas de frutas francas, como pera, e florais. Até o aroma “massa pão” típico dos espumantes tradicionais ficou um tanto encoberto por essas notas cítricas. Na boca, ótima acidez garante seu frescor – muitos espumantes feitos pelo método tradicional há alguns anos passaram a privilegiar mais o frescor e a leveza do que as notas de frutas secas e o corpo mais robusto, já que o frescor é uma preferência nacional.

Cultivado na região da Serra do Sudeste gaúcho, bem ao lado da Campanha, o Lírica Crua é feito de uvas Chardonnay (80%), Pinot Noir (10%) e Gouveio (10%). Sua produção, no entanto, se dá em Pinto Bandeira, na vinícola Geisse – um dos grande produtores nacionais. Uma característica do solo que ajuda a fazer este espumante mais fresco é o solo um pouco mais ácido do que a média. Seu caráter mais frutado também o torna excelente para acompanhar canapés e pratos à base de peixe, mesmo os de rio, e outras carnes brancas. Mas ele é bom de qualquer jeito. E o preço não é um acinte: R$ 76,40. A Lírica Brut normal sai por R$ 64,94.

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Sobre o Autor

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Edgard Reymann

Jornalista que está atualmente dedicando suas atenções para o vinho e para a gastronomia

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