Legado dos Jogos Olímpicos

Mais do que memórias e medalhas, a Olimpíada no Brasil deixa um legado fabuloso

Postado dia 26/08/2016 às 08:00 por Junji Abe

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Foto: Reprodução/Internet

Choramos de alegria, sofremos, nos indignamos com a farsa de Lochte e nos orgulhamos dos espetáculos produzidos pelo Brasil e com o trabalho descomunal de voluntários. Mais do que memórias e medalhas, os Jogos Olímpicos Rio-2016 deixam um legado fabuloso. As histórias são marcantes. A da judoca Rafaela Silva, dona do primeiro ouro brasileiro, é a carioca pobre da Cidade de Deus que, não fosse o esporte, poderia ter destino similar ao de seus amigos presos ou mortos.

A do pugilista baiano Robson Conceição, também dourado. Ou a de Thiago Braz e seu salto de ouro. O que dizer de outro menino pobre, que levou a canoagem nacional a um nível nunca imaginado? Isaquias Queiroz, vencedor de três medalhas, teria largado o esporte se não fosse gente que acreditou nele. Outro herói improvável é o ex-pedreiro Maicon Siqueira, bronze no taekwondo.

Todos eles encontraram no esporte o caminho da superação. Fica ainda o exemplo do quarentão Serginho, o maior líbero de todos os tempos e guardião do time de ouro do vôlei masculino. Ele chorou por falta de dinheiro, mas manteve o foco e a fé, sem deixar de valorizar as origens. Assim foi com outros medalhistas.

Vimos também que, acima das competições, deve prevalecer a bondade, como a da neozelandesa Nikki Hamblin, que parou para socorrer a americana Abbey D’Agostino, vítima de acidente na corrida de 5 mil metros. Ao passar a bola para Tóquio, particularmente para as mãos do meu xará, o premiê japonês, Shinzo Abe, o Brasil tem motivos para cultivar novos sonhos.

Que as histórias de superação inspirem outros brasileirinhos. E façam governantes investirem na oferta de esportes. Não é só questão de pódio. É ferramenta indispensável à promoção da cidadania. E poderosa vacina contra a ociosidade que favorece a violência.

Até 2000, Mogi das Cruzes envolvia menos de 10 mil mogianos num único projeto municipal. Assumimos a Prefeitura em 2001, lançando os primeiros programas para práticas esportivas e lazer. Em 2008, quando deixamos o cargo, as dez principais iniciativas só de esportes atendiam, por ano, 130 mil pessoas de todas as idades. As ações foram ampliadas pelo meu sucessor. Um dos mais bem-sucedidos projetos é a Rua Feliz, com 13 anos de existência – 5,5 anos deles em nossas gestões, agregando mais de 450 mil atendimentos.

Envolvida com esportes e lazer, a comunidade exercita a cidadania e cultiva a integração social. Nesse campeonato, se joga todo dia. Nada de mitos. Há gente comum cumprindo seu papel. E isso faz toda a diferença na estrada onde a única derrota é a desistência. Que venha Tóquio! Que venham dias sempre melhores!

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Sobre o Autor

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Junji Abe

Junji Abe, 75 anos, mogiano, produz e comercializa flores e plantas ornamentais, e foi prefeito de Mogi das Cruzes por duas vezes seguidas (2001-2008)

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