Junji Abe

Prefeito de Mogi das Cruzes por dois mandatos, vereador e deputado federal, o político de 75 anos é, antes de tudo, um agricultor.

Postado dia 19/05/2016 às 14:06 por Wilson Neves

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Prefeito de Mogi das Cruzes por dois mandatos, vereador e deputado federal, o político de 75 anos é, antes de tudo, um agricultor. Filho de japoneses que migraram para o Brasil em 1928 e se instalaram em Biritiba Ussu, em 1935, Junji trabalhou no campo desde os 5 anos de idade. Foi no campo que se apaixonou por futebol e viu sua vocação para a política florescer. Na entrevista, o ex-prefeito, hoje deputado federal suplente, conta sua história, analisa o passado e o futuro de Mogi das Cruzes: “Mogi está se mostrando um exemplo para o Brasil em termos de avanço, sustentabilidade e boa gestão”.

##SP: Como é a história da sua família?

1920 - Makie e Tokuji Abe, meus avós, com os filhos Izumi (papai), de 5 anos, e Tioko, de 12 anos, no Japão

1920 – Makie e Tokuji Abe, meus avós, com os filhos Izumi (papai), de 5 anos, e Tioko, de 12 anos, no Japão

Sou uma pessoa privilegiada. Nasci no antigo bairro de Biritiba Ussu, hoje distrito de Biritiba Ussu, em 1940. Sou neto e filho de imigrantes japoneses. Meu avô Tokuji Abe e a minha avó Makie Abe, acompanhados do filho Izumi, meu pai, que era um adolescente de 15 anos, e uma tia de saudosa memória, Tioko, de 12 anos, vieram diretamente pra Mogi das Cruzes, diferentemente da história da maioria das imigrações. Nossos japoneses, assim como as famílias espanholas e as italianas, foram para o interior do estado de São Paulo, como também para o Paraná, pois havia um contrato de imigração que previa quatro ou cinco anos como colonos das fazendas de café. No caso do meu avô, Tokuji Abe, ele veio direto para Mogi das Cruzes porque já havia um provinciano de Oita estabelecido na cidade. Ele veio como convidado desse seu amigo e, graças a Deus, a família Abe fez história aqui em Mogi. Sou um eterno agradecido à nação brasileira. Vovô e vovó, papai e mamãe sempre disseram que nós, brasileiros descendentes, tínhamos obrigação de amar esta pátria, tínhamos o dever de ajudar a população e sermos mais brasileiros do que os próprios brasileiros. Porque a economia em colapso e o desornamento social fizeram com que o Japão tivesse de pedir para alguns países que abrigassem seus concidadãos. Daí a razão da imigração que coincidiu com a década de 1880, quando houve a abolição da escravatura. Esse pessoal veio todo para substituir a mão-de-obra escrava. Sou agradecido por ser brasileiro e mogiano, de nascimento e de coração.

##SP: A sua formação profissional qual é?

Sou agricultor. Naquela época chamava-se lavrador. Depois, passou para agricultor e para produtor rural. Hoje, somos classificados como empresários rurais.

##SP: No início o senhor trabalhou na agricultura?

Vovô (à direita), papai, meu irmão Hidekazu e eu, o menorzinho, representamos três gerações da família Abe na agricultura.

Vovô (à direita), papai, meu irmão Hidekazu e eu, o menorzinho, representamos três gerações da família Abe na agricultura.

Sim. Quando conto essa história, as pessoas não acreditam, porque elas geralmente só olham o presente. Mas todos os imigrantes e seus descendentes, principalmente da nossa geração, tiveram vidas difíceis. Sabíamos que éramos obrigados, por dever de ofício, a ajudar nossa família. Com 5 anos de idade, eu já ajudava papai e mamãe na labuta da lavoura.

##SP: Como a agricultura influenciou a vida dos imigrantes japoneses em Mogi, incluindo a sua?

Hoje, temos a rodovia Mogi Bertioga, mas, naquela época essa estrada ia só até Tapanhaú. Por quê? Tanto essa estrada de Biritiba Ussu, Tapanhaú, como a de Capela do Ribeirão, hoje conhecida como Taiaçupeba, foram construídas pelo governo do estado de São Paulo para transportar dutos de água que, posteriormente, fizeram a ligação da Represa do Rio Claro, no sertão de Biritiba Mirim, chamado Casa Grande, para levar água a São Paulo. Foi na década de 1920 para 1930. Então, na trajetória dessas estradas, é que aconteceram as entradas de imigrantes para produção de verduras e legumes. Foi um processo diferente dos italianos e espanhóis que tinham um roteiro de agricultura calcado em culturas extensivas. Os japoneses marcaram época no Brasil com áreas pequenas, investindo na policultura. A vivência me fez, desde pequeno, bem entendido em agricultura. Até hoje domino a produção de verduras, legumes e algumas frutas. Hoje, sou um dos maiores produtores de orquídeas da Grande São Paulo. Mogi das Cruzes é a campeã nacional na produção de orquídeas.

SP: Como foi o desenvolvimento agrícola pela família Abe na região?

1934 - Papai Izumi e mamãe Fumica, com 20 e 18 anos, já casados

1934 – Papai Izumi e mamãe Fumica, com 20 e 18 anos, já casados

Da década de 1950 para a de 1980, até a vinda das represas construídas pelo Estado, a família Abe era a que mais produzia verduras e legumes no Brasil. Cultivávamos cerca de 200 alqueires. Meu avô chegou ao Brasil em 1928 e, em 1935, se instalou em Biritiba Ussu, onde nasci. Montados em lombo de burros e cavalos, meu avô e meu pai se embrenharam na estrada recém-aberta para o transporte dos dutos de água e descobriram um clarão onde eles viram uma topografia melhor. Era um verdadeiro sertão! Desbravaram o local arrancando troncos de árvores para fazer terra fértil. Ali cultivaram, com muita labuta, esse grande império que foi a fazenda Abe. Vovô e papai foram tão empreendedores que também trouxeram chá lá da região do Vale do Ribeira e plantaram 40 alqueires aqui, juntamente com verduras e legumes. Além de cultivar, eles industrializavam com o nome de “Chá Central”. Abastecíamos o mercado nacional e exportávamos esses chás uma vez por ano, mandando mercadoria de caminhão ao Porto de Santos e de lá para a Argentina.

##SP: Como foi sua infância?

Normalmente, os descendentes japoneses iam para o beisebol e para o judô, que são os esportes tradicionais da cultura japonesa. Porém, tínhamos uma grande fazenda, com vários funcionários; na década de 1960, havia quase 50 famílias morando em casas de alvenaria que vovô construiu para eles. Então, acabamos indo para o caminho do futebol, pois brincávamos com os filhos de funcionários. E eu gostava de bola! É a razão de até hoje eu ser amante de futebol. Sou são-paulino roxo!

##SP: Fale sobre duas coisas importantes: família e trabalho.

Essa é minha mulher Elza Abe, em foto tirada em 2005, quando eu tinha 65 anos e ela, 55

Essa é minha mulher Elza Abe, em foto tirada em 2005, quando eu tinha 65 anos e ela, 55

Fico emocionado quando falo em família. A base de toda sociedade é a família. Isso tudo nós sabemos, porém, as pessoas não fazem uma reflexão profunda sobre o significado da família. Família é para todos os momentos, de felicidade ou de infelicidade. Se não tivermos o espelho de uma família bem constituída, não nos realizamos. Daí a razão de estarmos perdendo a unidade familiar. Fico bem preocupado com isso. Os pais precisam incutir nas crianças o significado da família. Na verdade, existem dois valores que fazem as pessoas possuírem caráter, personalidade e dignidade – afinal, por mais que uma pessoa tenha tudo na vida, em termos de uma herança recebida, se ela não tem trabalho próprio, ela jamais sentirá o gosto da alegria e da bênção que Deus nos concede pelo esforço do dia a dia. Família e trabalho, juntamente com a espiritualidade, são para mim itens fundamentais para a vida de qualquer cidadão. Quando mantemos a unidade familiar, temos uma religião – qualquer que seja o credo – batendo em nossa porta. Ocorre que, na atualidade, as pessoas se distanciaram do processo espiritual, afastando-se de práticas básicas como oração e meditação.

 

##SP: O senhor possui algum hobbie?

Fui transferindo, de período para período, alguns hobbies. Antes de exercer a política partidária, tinha o futebol, uma paixão, assim como gosto de qualquer modalidade esportiva. Além disso, costumava cantar e também pescar com os amigos. Hoje, não tenho tempo de praticar um hobbie, mas sou amante de assistir jogos de futebol. Quando tenho oportunidade, vou ao estádio, ainda que essas idas tenham sido cada vez mais raras. Então, não perco um bom jogo na televisão, principalmente do meu São Paulo Futebol Clube. Também gosto de tuitar sobre tudo. Tenho muito pouco tempo para reunir os amigos. Eu lamento e levo essa preocupação para minha querida esposa Elza. Carrego comigo um ponto de remorso por não poder dar a ela a companhia de que precisa. Diferentemente do entendimento da população, o homem público que exerce a política com “P” maiúsculo acaba prejudicando a família em todos os sentidos.

##SP: Como era Junji Abe antes da vida pública?

Sempre fui um pouco falador, ao contrário de outros descendentes de japoneses que culturalmente são mais discretos. Ao mesmo tempo, sou muito crítico, nunca gostei de coisas erradas. Já nos meus 16 anos, cresci como liderança no time de futebol que tínhamos na fazenda. Sem ser capitão, eu orientava o que as pessoas deveriam fazer. Aos 20 anos, comecei a despertar para a liderança rural. Aos 26 anos, já presidia a Associação de Biritiba e Capela, os maiores polos hortigranjeiros do Alto Tietê. Pertenci ao Sindicato rural de Mogi das Cruzes, fiz parte da diretoria das cooperativas agrícolas. Em 1960, eu exercitava muito o inconformismo de certas políticas públicas do governo, que não vinham ao encontro da produção rural e dos agricultores. O fórum para essas discussões eram as associações agrícolas, sindicatos e cooperativas. Eu falava bem, com certa fluência. Então, as coisas que as pessoas sentiam e não conseguiam expressar, eu conseguia cobrar das autoridades. Isso foi me destacando de tal forma que, após essa liderança rural, fui presidente-fundador da Cooperativa de Telecomunicações de Mogi das Cruzes, viabilizando o que seria, alguns anos depois, o primeiro sistema cooperativo de telefonia rural do Brasil, garantindo a implantação de cerca de mil terminais telefônicos em Mogi das Cruzes, Suzano, Biritiba Mirim e Guararema. A iniciativa pioneira inspirou o surgimento de dezenas de outras instituições similares no País. Tudo foi um ato contínuo para que eu entrasse na vida pública, convidado pelo meu amigo, o falecido Minor Harada, que me precedeu como Presidente do Sindicato Rural de Mogi das Cruzes – entidade que presidi por 20 anos ininterruptos. Fui candidato a vereador em 1972, eleito com o maior número de votos da história das eleições mogianas. Obtive 13% do Colégio Eleitoral, marca até hoje não superada. Assim, iniciei minha vida pública.

##SP: Como o senhor avalia o desenvolvimento de Mogi das Cruzes atualmente?

Vjunji 5ejo de uma forma extraordinária! Sempre tivemos bons prefeitos, independentemente de prioridades diferentes que elegeram em seus mandatos. Por exemplo, Waldemar Costa Filho, que eu reputo como um dos grandes. Foi um tocador de obras, e isso em uma época totalmente diferente de hoje. Imagine, um prefeito, com orçamento municipal, abrir a Serra do Mar para construir a rodovia Mogi Bertioga, como também tirar Mogi das Cruzes do isolamento para ligar a Cidade com a Mogi Dutra. É uma façanha! Houve bons nomes, como o de [Antonio Carlos] Machado, de Chico Nogueira, que era um grande empreendedor mas morreu com um ano de mandato, e também o padre [Manoel Bezerra de] Melo, responsável pela Universidade de Mogi das Cruzes. Tive a honra de suceder o falecido Waldemar Costa Filho em seu último mandato.

O que mudou em Mogi após seu mandato?

Era o início do novo milênio, e somávamos certa experiência de atuação junto a órgãos públicos. Já tinha sido vereador e três vezes deputado estadual antes de ocupar a cadeira de prefeito, graças à compreensão e ao apoio do povo mogiano. Trouxemos na mente que tínhamos que modernizar o sistema de administração, descentralizando, criando secretarias e fazendo uma boa ligação com dois entes federativos: o governo do estado e o governo federal. Tínhamos a visão de que, só com orçamento municipal, Mogi, por mais pujante que fosse, não teria condições de atender as necessidades do povo. Em 2001, o município de Suzano tinha uma arrecadação de ICMS maior do que Mogi. Com nossa chegada, junto com uma boa equipe, conseguimos tornar Mogi atrativa para uma série de empresas, flexibilizando um pouco as leis de proteções dos mananciais em biodesenvolvimento. Ou seja, expansão empresarial sem agressão ambiental. Como deputado estadual, eu sabia como poderíamos, sem ofender a lei, motivar as empresas e as indústrias a expandirem seus negócios.

##SP: Qual foi o primeiro projeto enviado para a Câmara em seu mandato?

Foi a proposta de desenvolvimento empresarial e industrial. Para estimular esse avanço, concederíamos isenção parcial ou total de impostos, como IPTU e ISS, para aqueles que poderiam gerar mais empregos, riquezas e tributos com incentivo de ordem fiscal. Alcançamos um crescimento extraordinário das indústrias mogianas. Naquela época, a então Aços Anhanguera, que depois virou Villares (hoje Gerdau), estava com problemas, assim como a NGK. Nós conseguimos! Começou a crescer o orçamento, e com orçamento maior você consegue aumentar a atenção nas áreas fundamentais, como educação, saúde, saneamento básico, transporte e infraestrutura. Para reforçar o combate a violência, implantamos a Ciemp (Central Integrada de Emergências Pública), baseada num sistema de monitoramento por câmeras de vídeo que contribuiu de forma maciça no enfrentamento da criminalidade, possibilitando prisões em flagrante e inibindo ocorrências. Segurança pública é dever do Estado, mas Mogi sempre esteve trabalhando para junto. Desde reformas e manutenção de prédios, passando por combustível para viaturas até pró-labore para os policiais, militares e civis. Nossa vinda abriu um leque enorme para o desenvolvimento de Mogi das Cruzes. Os frutos desses avanços se evidenciam nas riquezas que transferimos para os setores básicos que sustentam nossa sociedade, como educação, saúde, saneamento básico e habitação, entre outros.

##SP: Das obras que o senhor realizou, quais considera mais importantes? Elas tiveram continuidade e manutenção?

junji6O alicerce das ações foi a modernização do processo administrativo da cidade, calcado no conceito de descentralização, integração e participação. As principais iniciativas das nossas duas gestões seguiram o que a população estabeleceu nas edições 1 e 2 do PGP – Plano de Governo Participativo. Todos os setores atuaram em sinergia para cumprir essas diretrizes. Na saúde, por exemplo, criamos a rede de prós para atendimento especializado aos segmentos mais necessitados de atenção: Pró-Mulher, Pró-Criança, Pró-Hiper (idosos) e Promeg – Programa de Medicamento Gratuito para fornecer remédios grátis aos pacientes. Para se ter ideia, quando assumimos, a cidade tratava somente 0,5% do total de esgotos recolhidos. Quando saímos, depois de 8 anos, o tratamento de esgoto estava em 42%. O prefeito Bertaiolli está tendo sucesso na continuidade: chegará, neste ano, a 78% de esgoto tratado. É um avanço extraordinário. Aqui em Mogi das Cruzes não é a Sabesp que cuida da distribuição, mas sim a autarquia municipal chamada Semae. A Sabesp é uma empresa estadual que tem um capital fabuloso, e ainda assim, a tarifa do Semae é mais baixa. Contamos ainda com o governador Geraldo Alckmin, convidado pelo Bertaiolli para anunciar o início das obras da nova ligação Mogi das Cruzes até Jundiapeba, na pista que vai se chamar Avenida das Orquídeas. Aquela obra já estava prevista no plano diretor de 2006, o que prova a importância da continuidade de uma eficiente administração pública. É um fato que faz a diferença de Mogi das Cruzes em relação à maioria dos municípios.

##SP: O que Mogi precisa para crescer mais? Qual área que precisa de mais investimentos?

Mogi das Cruzes é abençoada! Na região metropolitana, não temos nenhuma reserva de áreas para empresas de porte médio ou grandes portes como Mogi das Cruzes. Sempre falamos do distrito industrial do Taboão, que tem uma reserva de 15 milhões de metros quadrados, que podem receber ainda 100 empresas, cada qual com mais ou menos 200 mil metros quadrados de área. Faltam ainda investimentos de infraestrutura, como ruas e avenidas, para poder delimitar melhor aquela região – que é, sem sombra de dúvida, o sustentáculo das futuras gerações de Mogi das Cruzes. E Mogi tem de se preparar, porque… Coitada de Biritiba Mirim e Salesópolis! Em função da lei de proteção dos mananciais, elas não podem ter nada que garanta sustentabilidade orçamentária. Então, Mogi acaba tendo o dever de fornecer sustentabilidade para a população das cidades vizinhas. Mogi está crescendo em termos populacionais. Por isso, cabe aos homens públicos da cidade um esforço para que possamos ter genuinamente a vontade de fazermos com que a qualidade de vida da população não recue. Este é o grande ponto de partida para que possamos continuar evoluindo. Além do Taboão, a Avenida das Orquídeas pode proporcionar para toda aquela várzea de Brás Cubas, talvez, centenas de indústrias naquela região. Vejo esta realidade acontecendo, desde que a sociedade de Mogi foque no progresso e apoie os bons candidatos que teremos nas duas eleições a seguir. É preciso que a próxima gestão municipal siga o critério de valorizar esses bolsões de territórios, que são fundamentais para o desenvolvimento empresarial e industrial. Eles proporcionam sustentabilidade para a geração de empregos, riquezas e tributos, necessários para levar educação, saúde, moradia, transporte e saneamento para a população.

##SP: A crise afetou a região do Alto Tietê?

Mogi das Cruzes não é uma ilha. Recebe os reflexos da péssima condução do Brasil em nível nacional. Digo com franqueza: não sou contra o PT ou qualquer outro partido. Sou contra aqueles que chegam no poder e vão pelo caminho do populismo e da demagogia. Apesar de ter criado importantes programas de assistência social, como o Bolsa Família, não podíamos ter permitido que o presidente Lula gastasse mais do que o país arrecadava. E ele veio gastando o que a nação não tinha. A presidente afastada Dilma é praticamente uma ventríloqua, sem qualquer expressão de ordem administrativa e, principalmente, política. Ela não conseguiu seguir no caminho da governabilidade. Por isso, enfrentamos uma das piores crises que podíamos ter, impulsionada inclusive pela ruptura da moral e da ética. Ela precisava ter renunciado há tempos, mas não teve a dignidade para entender que sua permanência daria continuidade ao sofrimento do povo brasileiro.

##SP: Como o senhor vê a entrada de Michel Temer na presidência?

As indústrias, as empresas, o comércio e os prestadores de serviço só podem retomar algo quando virem uma luz no fim do túnel, porque ninguém vai investir sem saber o que pode acontecer. Espero que, com uma equipe diferente, vinda junto com Michel Temer, possamos agora enxergar o que é mais importante: a credibilidade nos próprios brasileiros. Com a roda da economia girando, pouco a pouco, começa a diminuir o desemprego, melhorar o varejo e o atacado. Quando o atacado funciona junto com o varejo, as indústrias passam a ter mais pedidos, e isso é um sinal positivo para que possamos sair dessa crise. Deus queira que, com esse processo de impeachment e com Temer no poder, tenhamos maior sensação de confiança. Numa comparação simplista, é como um time de futebol que está mal, perdendo várias partidas e, de repente, troca o técnico e a equipe dá uma reviravolta e começa a colher resultados positivos. É disso que o Brasil precisa. Não que vá resolver, mas é um início mais promissor.

junji9##SP: Qual a solução para que Mogi das Cruzes supere a crise e mantenha a qualidade de vida de seus cidadãos?

Em Mogi das Cruzes, independentemente da crise, as obras não param, porque o prefeito Bertaiolli tem uma equipe fabulosa. Sua boa relação com o governo do estado e o governo federal deu a ele a chance de conseguir internar grandes recursos e grandes programas. Grandes obras, que também impulsionam geração de empregos, fazem com que possamos avançar, ao contrário de outros municípios. Se vier algo em 2017 como uma luz para melhorar nossa economia, Mogi das Cruzes vai rapidamente buscar esse caminho, sempre com desenvolvimento, prudência ambiental e perseguindo a justiça social.

##SP: Ouvi dizer de um comerciante de hortaliças que está havendo uma migração dos agricultores para a cidade grande e que o cinturão verde de Mogi está diminuindo. Como o senhor vê esse processo?

É uma tendência natural de todos os países. Para ser homem do campo, seja patrão ou trabalhador rural, é preciso ter vocação. Dentro do ofício do agricultor, do fruticultor ou mesmo do floricultor, não há condições de dizer para uma alface não nascer porque o preço dela não está bom, ou para uma vaca dobrar a produção de leite porque o preço duplicou. Nós sofremos os efeitos da natureza e já tivemos problemas com a diminuição das áreas cultiváveis. Leis de proteção, sejam de mananciais ou ambientais, não permitem que exploremos áreas virgens. O que substitui a quantidade de agricultores de 30 anos atrás, que era três vezes maior do que hoje? A tecnologia! Estamos usufruindo da tecnologia com os agricultores jovens que possuem vocação para o ofício. Quando a economia está boa, a cidade é o chamariz para os jovens. Estamos perdendo agricultores, e só resta uma alternativa: para aqueles que ainda têm a vocação, melhorar cada vez mais a qualificação profissional e usar a tecnologia para produzir três vezes mais do que 20 anos atrás, na mesma área. E assim está sendo.

##SP: Quem é o herói do Brasil? E o vilão?

Em função dessa crise que estamos passando, eu entendo que o povo brasileiro é o herói, porque é ordeiro e pacífico e não merecia essa herança deixada por maus políticos e maus governantes. Temos excelentes homens públicos, mas uma quantidade de maus políticos criou essa situação que vivemos, com demagogia e populismo. Como vilão, reputo essa pequena parcela de maus políticos. Se fossem maçãs dentro de uma caixa, eles acabam apodrecendo e estragando as outras ao seu redor.

##SP: Em que o senhor tem trabalhado atualmente?

Mantenho minha atuação como produtor e líder rural, além de prestar consultoria nas áreas de gestão pública e empresarial. Sou deputado federal suplente. Então, não estou mais em Brasília. Em 2013, fui eleito o 3º deputado federal mais atuante do Estado de São Paulo e o 3º do Brasil, no “ranking do progresso”, divulgado pela Revista Veja. O Atlas Político, site de iniciativa de doutorandos de Harvard, também me indicou como o 11º parlamentar paulista mais produtivo. Os destaques se devem à qualidade dos nossos projetos – 47 no total –, apontados entre os melhores para ajudar o país a ser mais moderno e competitivo. Entretanto, quando deixei a Câmara, em janeiro de 2015, a maioria acabou arquivada. É norma regimental válida para quando o autor deixa de ser titular da Casa. São propostas voltadas à educação, saúde, segurança, moradias populares, agricultura, causa animal, microempreendedor individual, pequena e microempresa, enfim, nas mais diferentes áreas. Na segurança, por exemplo, um colega está cuidando de um projeto que deixei para que possamos inibir violência e vandalismo nas manifestações públicas. Os responsáveis por agressões e quebra-quebras precisam ser criminalizados. Caso contrário, a polícia nada pode fazer. Nem a polícia civil consegue agir, porque não há uma lei específica. Fiz também parte da frente parlamentar de defesa das Santas Casas e dos hospitais filantrópicos para lutar pela melhoria do repasse de recursos que os hospitais conveniados com o SUS recebem.


##SP: Parece-me que o senhor é um homem mais de ação, voltado para fazer acontecer. Está correto? O senhor é mais executivo do que legislativo?

junji casarão do chaCorretíssimo. Não que eu não goste do poder legislativo atuando como parlamentar, porque tudo faz uma página em nossa vida e vem somar em nosso aprendizado. A diferença é que o executivo tem o poder de atender as demandas da população, enquanto o parlamentar só pode pedir e sugerir, além de tentar emplacar leis. Um prefeito que nunca teve oportunidade de ser vereador ou deputado dificilmente se completa, porque lhe falta esta vivência. É fundamental, em nosso regime político, o poder executivo contar com o apoio do legislativo, ou então não consegue alcançar qualquer avanço. Esse apoio, acima de tudo, é puro jogo de cintura, é o bom relacionamento, é o diálogo. É o que falta na presidente afastada Dilma. Não que ela seja prepotente, mas dizem que tem dificuldade em dialogar e segue uma linha ditatorial. Para mim, é uma grande lição ter sido do executivo e do legislativo. Agradeço a Deus pela oportunidade! Levo para dentro do poder público essa experiência.

##SP: Para finalizar, deixe uma mensagem para o povo de Mogi das Cruzes

Primeiramente, quero agradecer a Revista Digital Sociedade Pública. A informação em todas as áreas é fundamental. Ora, se nós estivéssemos em qualquer país da Europa, ou no continente africano ou na região do Oriente Médio, eu não teria condições de falar em otimismo. Mas, nós, brasileiros, seríamos injustos se não fossemos otimistas. Não há no planeta Terra um país com tantas coisas a nosso favor somente pela natureza, além de uma área com dimensão continental e recursos hídricos que geram inclusive nossa energia. Isto não existe em outros países. No Nordeste, embora haja seca, existe solução. Veja o exemplo de Israel, que faz brotar abacate do solo do deserto para abastecer o mercado europeu. Então, temos múltiplas potencialidades. O que falta é a responsabilidade dos governantes para que possamos ter o equilíbrio e, assim, nas diversas camadas da população, tenhamos a possibilidade de realizar estudos e qualificação, sem esquecer a unidade familiar e a religião, qualquer que seja o credo. Chega de exportarmos o cacau para importarmos o chocolate; chega de exportarmos minérios para importarmos o aço. Temos capacidade imensa para agregar valor aos nossos produtos e conseguir melhores resultados!

Esse recado se transfere em número e grau para Mogi das Cruzes. A cidade está perto do mercado consumidor paulistano, o maior da América Latina. Também fica perto do litoral,  além de ter um clima invejável e a Serra do Itapeti, que garantem cenário perfeito para plantar. As áreas disponíveis para expansão empresarial e a logística privilegiada também são uma dádiva para incrementar a oferta de empregos, elevar a renda e arrecadação municipal. O que mais precisamos, meus amigos mogianos? Temos de amar essa Mogi das Cruzes e transpassar essa noção de riqueza e de otimismo para as gerações futuras. Mogi está se mostrando um exemplo para o Brasil em termos de avanço, sustentabilidade e boa gestão. Esses avanços precisam prosseguir. O povo mogiano é muito bom. Quero agradecer a todos, e que Deus continue abençoando o Brasil e, especialmente, esta cidade!

 

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Sobre o Autor

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Wilson Neves

Sou publicitário e especialista em Marketing , proprietário da WCN agencia de propaganda, fundador e diretor da revista digital “Sociedade Pública”.

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