João Anatalino

João Anatalino Rodrigues é escritor com 10 livros publicados e também é palestrante. Sendo um grande estudioso, é profundo conhecedor da ciência da Programação Neurolinguística, filosofias e histórias

Postado dia 17/10/2016 às 02:26 por Sociedade Pública

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Nascido em Cunha, uma cidadezinha perto de Guaratingueta, atualmente um município turístico, veio para Mogi acompanhado de seu pai José e de sua mãe Maria, por volta de 1952 quando ainda tinha cinco anos de idade, assim, considera-se mogiano. Contou que o sobrenome Anatalino foi dado a ele pelo escrivão do cartório, já que ele nasceu no dia do Natal. João viu Mogi das Cruzes crescer, pois se naquela época a cidade tinha apenas 30 mil habitantes, hoje já possui mais de 400 mil. Atualmente é casado com Amélia Lins Rodrigues e tem duas filhas, Jéssica e Jennifer, que vive na Austrália, além de muitos netos. Lembra-se que durante sua infância brincava muito na rua, segundo ele, isso era bem gostoso… Hoje, João Anatalino, vendo essa nova geração de crianças, faz uma observação pessoal: “A impressão que tenho hoje é que essa criançada perde um tanto da vida focada em aparelhos eletrônicos”, disse o escritor para a Revista Digital Sociedade Pública, que nessa entrevista fala aos nossos leitores sobre cultura, maçonaria, PNL, educação e literatura.

joao2O senhor começou seu interesse por literatura em Mogi?
Foi em Mogi sim, eu comecei quando eu ainda estava estudando no antigo colégio Santa Mônica Madureza, era o meu professor o senhor Percy Benedicto, ele me trouxe o interesse por literatura, por gostar das redações que eu fazia, e percebeu em mim um talento para escrever. Outros professores também começaram a gostar de meus textos, isso me fez perceber essa vocação, mas durante meu período da faculdade comecei a escrever artigos para jornais, isso foi durante o período militar.

Como foi sua vida acadêmica durante o período militar?

Eu fiz faculdade de filosofia, economia e direito. Filosofia eu acabei não terminando… Houve diversos problemas por causa da revolução da época, pois eu fazia filosofia na PUC de São Paulo, aproximadamente em 1966, era uma época bem conturbada. Eu costumava frequentar os sindicatos pois eu trabalhava em uma metalúrgica e estava envolvido na revolução democrática. Houve um dia que eu e meus amigos acabamos sendo presos, pois estávamos pichando um muro protestando contra a ditadura, porém, infelizmente passava um veículo militar naquele momento e prendeu a mim e meus amigos por uns três dias, onde ficamos incomunicáveis em uma prisão em Sorocabana. Ainda bem que isso foi apenas para nos dar um susto. Graças a esse susto eu voltei para Mogi das Cruzes (risos). A repressão militar continuava em Mogi, embora não tão agressiva como em São Paulo, inclusive conheci pessoas que desapareceram nessa época e nunca mais foram encontradas. Cheguei a fazer um conto que relatava o caso de um desses vários desaparecimentos chamado: Os ossos do imperador.

E continuou estudando em Mogi?

Praticamente recomecei do zero em Mogi, larguei meu trabalho na metalúrgica, e vim trabalhar na NGK. Trabalhei em diversas outras empresas aqui e em Suzano, sempre na área metalúrgica. Em Mogi vim fazer economia na Universidade Brás Cubas, era o começo da faculdade, fui um dos primeiros alunos a me formar na UBC. Posteriormente fiz faculdade de direito, já no ano de 1995.

Esse seu envolvimento com o sindicato dos metalúrgicos, universidades e revolução contra o regime militar impactou sua vida para que o senhor começasse a se dedicar mais à literatura?

De certa forma sim, pois eu já tinha bastante experiência por ter conhecido pessoas que atuavam com arte. Principalmente quando fiz filosofia na PUC, pois havia lá um grupo de estudantes especialistas em fazer uma espécie de torcida para vários artistas, como Chico Buarque, Geraldo Vandré, Gilberto Gil… Eu e minha turma fazíamos torcida para o Geraldo Vandré. Então inserido nesse meio eu tive mais contato com cultura, arte e com pessoas atuantes. Uma história curiosa é que no final da década de oitenta eu cheguei a trabalhar alguns dias com o Geraldo Vandré. Consegui um emprego na Receita Federal como auditor, o Geraldo já havia largado a carreira musical nessa época e também era auditor. Fiscalizamos e fechamos juntos alguns supermercados durante toda aquela maluquice causada pelo ex-presidente José Sarney.

E quando o senhor começou a escrever livros?

Meu primeiro livro publicado foi “Noite, Vento e Chuva” (1986). Esse livro deveria se chamar “Crônicas da cidade amada”, mas o nome foi modificado, essa primeira obra fala da minha relação com a cidade de Mogi das Cruzes, relato nele diversas experiências que eu tive, falo sobre como era Mogi das Cruzes antigamente, descrevo como foi ter trabalhado na Elgin e na NGK também, escrevi sobre lembranças do meu tempo de menino e da minha juventude na cidade. Continuei escrevendo para jornais, mas fiquei um tempo sem publicar livros. Escrevi, então, Centúria (1995), uma obra com cem sonetos homenageando minha primeira esposa, que veio a falecer no ano de 2000. No ano de 2000 eu lancei o livro chamado: “A procura da melhor resposta”, minha primeira obra que fala sobre PNL.


O que o motivou a estudar a PNL (Programação Neurolinguística)?

Comecei a estudar PNL porque no ano 2000 eu havia fundado uma ONG chamada AMOA. Como era um trabalho que a gente ainda não conhecia muito bem, e precisávamos treinar jovens para o mercado de trabalho, comecei a buscar uma forma de me relacionar com eles, onde a maioria vinha de periferias e tinham um histórico de vida bem complicado. Eu então resolvi buscar uma pedagogia que facilitasse essa comunicação. Foi um sucesso, a AMOA serviu de modelo para futuras ONGS que quisessem criar essa forma de auxiliar jovens a encontrarem um ofício, pois havia uma lei no ministério do trabalho que dificultava essa inclusão. Até hoje a AMOA está funcionando e mantendo suas práticas, provamos que na verdade estávamos educando os jovens e suas famílias, dando treinamentos para jovens e empresários, mostrando que existe uma vida melhor fora das ruas e dando oportunidade para as empresas. Então meu terceiro livro “A procura da Melhor Resposta” retrata a experiência com a PNL, que foi a busca de resultados práticos, um grande sucesso por sinal. Posteriormente lancei outro livro chamado “PNL para a vida diária” que fala sobre o poder dos arquétipos.

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Muitos de seus livros falam sobre a maçonaria e sobre espiritualidade. O senhor é um estudioso de teologia?

Eu gosto bastante de teologia, principalmente sobre a teologia vinculada com a história. Boa parte de nossa história é ligada a essa ciência, a ideia que o homem tem da experiência religiosa muitas vezes conforma a vida dele, inclusive conforma a vida do povo. A sociedade se formou em função da religião. Se você pegar a história da América Latina e dos Estados Unidos, verá que são histórias totalmente diferentes. Essa diferença é religiosa. Os ingleses que foram pra América eram protestantes fugindo de uma repressão católica e foram pra América do Norte para viverem em paz e criar famílias, enquanto que, os portugueses católicos e os espanhóis também católicos, vieram para América pra explorar e levar as riquezas para a Europa. Esse é um dos motivos que me chama a atenção e me faz querer entender melhor as religiões e como elas afetam nossa história. Eu mesmo não sou ligado a nenhuma religião, mas tenho grande interesse em me aprofundar nesse estudo pelo sentido filosófico.

Seu quarto livro abrange a religiosidade de uma forma voltado para o lúdico, que é o “Filho do Homem” Fale um pouco sobre essa obra.

Essa obra é inspirada em um romance do José Saramago, chamado “O evangelho segundo Jesus Cristo” é um evangelho fictício meio complicado, um pouco polêmico, e o Saramago após publicar isso foi praticamente excomungado e expulso de Portugal, no entanto chegou a ganhar um prêmio Nobel de literatura por isso. Eu tinha umas histórias semelhantes e resolvi fazer o meu também (risos). Essa obra “O Filho do Homem” se passa sobre a infância de Jesus Cristo, uma imaginação sobre quais foram as ideias e filosofias que o levaram a ser o que foi.

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O que é a maçonaria? E quando o senhor começou na maçonaria?

Eu entrei na maçonaria em 1989. A maçonaria na verdade é uma sociedade de pensamentos. É difícil de classificá-la pela experiência dos diversos contextos culturais comuns. Posso dizer que é uma instituição que capitaliza cultura, pensamentos, experiências políticas e leva para lá, pessoas representativas na sociedade para compartilharem dessas experiências para que elas se tornem líderes na comunidade. Essa é a função da maçonaria. Então quando a gente leva pra maçonaria uma pessoa para ser iniciada, ela precisa estar consciente que estudará uma série de coisas que não irá encontrar na cultura comum, por isso que há um certo misticismo, onde as pessoas dizem que é secreta, mas não é secreta, é discreta. Existem diversos livros sobre a maçonaria, eu mesmo já escrevi vários como “O Tesouro Arcano”, “Cem Anos de Maçonaria”, “Conhecendo a Arte Real” e “Mestres do Universo”. Existem também publicações que foram lançadas há séculos. É uma forma de cultura que é compartilhada somente pelos membros da organização, justamente porque se for popularizada pode se perder nesse núcleo cultural. Só em Mogi existem em torno de 15 lojas, todas buscando a preservação de um grande valor que é base da civilização.

O senhor pode falar um pouco sobre como a maçonaria atua no mundo?

É importante que as pessoas conheçam a parte cultural da maçonaria, os símbolos que ela utiliza, qual a filosofia que ela propaga e que saibam a influência dela na história universal. Os Estados Unidos, por exemplo, são um país fundado por maçons, toda a constituição norte americana foi escrita por maçons. Boa parte da simbologia da bandeira americana tem ligação com a maçonaria. Na nota de um dólar por exemplo, você tem o símbolo da pirâmide com o olho. A cidade de Washington por exemplo, foi construída entre vários símbolos maçons. Vários temas culturais americanos estão ligados a maçonaria. No Brasil também. Dom Pedro I foi iniciado na maçonaria, tão logo ele proclamou a independência. Aliás, a ideia de independência foi realizada pelo pensamento maçon. Foram maçons que fizeram a república brasileira. Marechal Deodoro era Maçon, Benjamin Constant também. Esses são apenas alguns exemplos. Nosso atual presidente Michel Temer é maçon também.

copia-de-jnjnjComo a maçonaria fiscaliza o comportamento de seus membros influentes na sociedade?

Um verdadeiro maçon deverá colocar em prática as ideias corretas. A maçonaria tem uma grande força política e está certamente fiscalizando seus membros. Além disso, existe uma mídia forte na maçonaria, existem muitos maçons que são formadores de opinião, como empresários, jornalistas, artistas, pessoas com certa influência na sociedade e que tem um bom peso.

O senhor escreveu recentemente um livro chamado: O parto de Deus. Esse livro foi lançado para auxiliar a APAE de Mogi das Cruzes. O senhor pode falar um pouco sobre essa obra?

O Resultado financeiro dessa obra será revertido para a APAE, são 120 passagens bíblicas transformadas em sonetos, a novidade dessa obra é que uma pessoa que queira comprar 10 exemplares desse livro pode personalizar a capa, e dar de presente para os amigos. Além disso, existe nesse livro mensagens bíblica bem bonitas.

O senhor já escreveu até hoje 10 livros, sobre diversos assuntos, mas a maioria deles sobre a maçonaria e sobre a PNL. O que o senhor pode dizer sobre essa realização?

Eu deixo registrado um acervo de informações revelando meu ponto de vista. Escrevi todos os meu livros com a intenção de demonstrar minha própria experiência por todos os aspectos que fossem possíveis.

Existe algum livro novo em processo de editoração?

Sim, existe sim, é um livro que fala sobre uma doutrina, inclusive muito utilizada na maçonaria, que é a Kabbalah. A Kabbalah é uma tradição judaica, um sistema de interpretação da bíblia, que interpreta o simbolismo da bíblia. A bíblia é um livro bem simbólico contendo um tanto de paleontologia, história, filosofia, e outras ciências que precisam ser decodificas, a Kabbalah faz isso muito bem. Nesse livro falo sobre a Kabbalah com uma visão geral, e com ela influencia a maçonaria.

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Foto: Sociedade Publica – Toda a obra de João Anatalino

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