Jesus, o exorcista

Os Evangelhos contam diversos casos em que o filho de Deus expulsou demônios com grande facilidade. Para os primeiros biógrafos de Cristo, os seres do inferno estão entre nós

Postado dia 05/12/2016 às 08:00 por Tiago Cordeiro

exorcista

Foto: Reprodução

Maria Madalena tornou-se seguidora de Jesus Cristo quando ele expulsou sete demônios diferentes de seu corpo. Um morador de Gerasa, na Galileia, vivia nu, deitado em covas de cemitério abertas, até que o filho de Deus expulsou de dentro dele tantos seres infernais que eles ocuparam mais de 2 mil porcos! Os animais se lançaram sobre um abismo e a população, assustada (e, quem sabe, irritada com o prejuízo…), convidou o profeta a se retirar e nunca mais voltar.

Jesus era um exorcista de mão cheia. Retirava demônios com grande facilidade porque eles se apavoravam quando encontravam pela frente o filho de Deus. Mas Cristo foi além: deu este poder a seus seguidores. O evangelista Lucas conta que o profeta mandou 72 discípulos, dois a dois. Eles voltaram tão eufóricos com a capacidade de dominar espíritos do inferno que tomaram uma bronca: eles deveriam estar felizes por ajudar as pessoas, e não por terem algum tipo de poder.

Em outra situação, um garoto possuído constrangeu os apóstolos de Jesus, que não conseguiram colocar o demônio para fora de maneira nenhuma. “Este tipo de espírito só pode ser expulso com oração”, o profeta explicou, segundo o evangelho de Marcos, depois de retirar o mal do jovem.

É impressionante a naturalidade com que os evangelhos lidam com a existência de demônios. Eles não estão presentes, de forma alguma, no Antigo Testamento – lá, a obsessão é com os falsos deuses e mesmo Lúcifer aparece muito pouco. Mas, para os cristãos, a existência de seres infernais está mais do que comprovada e faz parte do dia-a-dia.

Jesus exorciza tanto quanto cura doenças ou ressuscita mortos. Mas não existem registros de que padres ou bispos contemporâneos tenham herdado o poder da ressuscitação ou da cura de problemas de saúde. Agora, eles ainda hoje, 2 mil anos depois, se mostram capazes de exorcizar.

O Vaticano treina exorcistas e publica manuais com instruções detalhadas. A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) publica regularmente um livro, chamado Ritual de Exorcismo e Outras Súplicas, onde se leem orações como esta: “Eu te esconjuro, Satanás, inimigo da salvação do gênero humano. Afasta-te deste servo que o Senhor criou à sua imagem”.

A cúpula do cristianismo recomenda cautela no trato de supostos casos de possessão. Alerta que menos de 5% dos pedidos de exorcismo realmente merecem atenção espiritual – os demais casos são encaminhados para médicos e psiquiatras. Mas a igreja católica continua fiel à crença: demônios existem, podem invadir pessoas e atormentá-las e podem muito bem ser expulsos.

Mas é preciso tomar um cuidado. O próprio Jesus sugere que corpos que já foram possuídos podem voltar a abrigar demônios: “Quando um espírito mau sai de alguém, anda por lugares sem água, procurando onde descansar”, ele diz, em Lucas. “Se não encontra nenhum lugar, ele diz: ‘Vou voltar para a minha casa, de onde saí’. Vai buscar outros sete espíritos piores ainda, e todos vão morar ali. E assim a situação daquela pessoa fica pior do que antes.”

Toda essa proximidade com o demônio marcou fundo as mentes dos teólogos que desenvolveram o cristianismo ao longo dos séculos. O próprio manual de exorcismo da CNBB ensina: o mal é tão real, tão presente, que desafiá-lo e superá-lo faz parte da missão de todo religioso. Dizem as autoridades religiosas, bem calcadas nos exemplos de Jesus, que é preciso encarar os demônios para alcançar a salvação suprema. Em suma: eles estão entre nós e somos obrigados a lidar com eles.

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Sobre o Autor

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Tiago Cordeiro

Pós graduado em Literatura Brasileira. Trabalhou pelas revistas Veja, Época, Galileu, apaixonado pela área de tecnologia e religião.

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