Jazz? O que é isso?

Por que um artista é ou não é considerado um jazzista?

Postado dia 01/05/2017 às 08:30 por Leonardo Carrasco

jazz

Foto: Reprodução

Uma das grandes dúvidas dentro da Música é em relação ao tal Jazz. Afinal de contas, o que é jazz? Quais são suas características?

Bem, a verdade é que rótulos sempre criam polêmicas e são mais uma necessidade do mercado fonográfico pra colocar discos e artistas separados em seções do que propriamente algo intrínseco à música. O importante é fazer Arte, no caso em forma de som, e as pessoas se emocionarem, se incomodarem, ou mesmo se divertirem com isso.

De qualquer jeito, tentarei traçar alguns pontos que acredito serem interessantes e até ajudem quem esteja buscando novos horizontes sonoros.

O jazz tem sua origem com os negros dos Estados Unidos, principalmente em New Orleans, Chicago e New York. Ele é uma mistura de gêneros anteriores como o Blues, a música folclórica (Folk music), a Marcha – sim, aquelas músicas feitas para bandas militares, e o Ragtime. Esse último é considerado o primeiro estilo musical americano da história! Se quiser sacar qual é a desse ragtime, recomendo escutar Scott Joplin, pois ele é considerado o Rei do ragtime.

Como já é de praxe no mundo da música, tais gêneros foram se mesclando e tempos depois é que encontraram uma palavra pra rotular aquele novo jeito de se fazer música. Tanto que os músicos do início do século XX, período que o jazz surgiu, diziam que o que eles faziam era simplesmente música.

Porém pra não ficar nesse chove-mas-não-molha, o que chamava à atenção e pode ser considerado a característica principal do jazz é a improvisação. O intérprete ganha um papel tão forte quanto o do compositor, coisa que diferencia da música clássica ou mesmo orquestrada nas quais os intérpretes têm a tarefa de reproduzir o que está na partitura. No jazz, a intenção é pegar um tema que identifica uma composição e a partir dele criar novos caminhos que muitas vezes surgem ali, na hora da execução propriamente dita.

Muita gente associa o jazz a instrumentos como saxofone e outros metais, mas até por essa característica essencial do improviso no gênero, também pode-se colocar quaisquer instrumentos numa banda de jazz. Então o que foi acontecendo é que esses músicos do começo do século passado, pegavam temas conhecidos e faziam novas versões deles, mexendo nas harmonias, nos tempos, arranjos e construindo formas notórias de música que passaram a chamar muito a atenção de todos, inclusive os brancos!

A segregação racial que existia na época, fez com que os músicos de jazz só tivessem clubes, bares e bordéis pra tocar, já que os negros eram proibidos de se apresentar em salas de concertos. Assim o jazz ganhou uma fama de música imoral.

Os primeiros subgêneros do jazz foram o Dixieland, no qual havia um revezamento entre os músicos – enquanto um tocava a melodia, os outros tocavam contramelodias;  o Swing e suas big bands; o Bebop que já se opunha com formações pequenas  e priorizava ainda mais a improvisação; e o Jazz Modal que revolucionou ao não utilizar mais uma harmonia tonal, ou seja, se usava várias escalas com tônicas diferentes, assim o jazz ficou mais livre do que nunca pra improvisar sem fronteiras.

Depois disso, já chegando nos anos sessenta, surgiram o Avant-garde jazz e o Free-jazz. Se a música perdera seus limites com o Jazz Modal, esses dois então fizeram uma revolução ainda maior com seu atonalismo. Muitos não conseguem apreciar tais subgêneros, pois de fato não são digeríveis logo de cara. Mas sempre vale a pena abrir os ouvidos e quebrar seus paradigmas.

Como puderam notar, não citei nomes de músicos. Isso foi de propósito, pois não gostaria de elencar alguns artistas em detrimento de outros, além de deixar para outras oportunidades onde pretendo explorar mais essa forma tão ímpar e ao mesmo tempo universal de se fazer música.

Deixando claro que há muitos bons jazzistas ao redor do mundo, incluindo o Brasil. Seja no samba, na bossa nova, no choro, no maracatu etc, a música popular brasileira sofre influência direta do jazz e, com certeza, merece destaque em várias páginas.

Não vou me estender mais. Espero que tal artigo desperte o interesse em quem não tem familiaridade com o jazz e peço que quem gosta do gênero comente aí temáticas para os próximos textos, afinal essas linhas que escrevi são muito pouco pra representar toda a força do jazz. É apenas o começo.

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Sobre o Autor

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Leonardo Carrasco

Formado em marketing e publicidade, músico, ator profissional, dublador e locutor. Atualmente trabalha como diretor de marketing.

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