Jackpot

Hoje eu quero dividir com vocês um “causo” espetacular, simplesmente inusitado que me aconteceu neste Cassino, no Cassino de Estoril

Postado dia 05/11/2015 às 14:55 por Fernando Maque

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Enquanto morei em Portugal, um dos passeios que mais adorava era ir ao Cassino de Estoril. Era simplesmente maravilhoso estar naquele lugar. Quase todos os sábados eu me preparava para ir tomar o meu legítimo expresso num Piano-Bar lindo, de fazer cair lágrimas dos menos emocionais.

Neste Piano-Bar sempre haviam quartetos, trios ou power-duos de Jazz que de tão bons eram considerados shows e não música ambiente. Eu tive o prazer de cantar com um desses quartetos e acreditem, foi um dos momentos mais emocionantes que já pude desfrutar de minha carreira. Mas em outra oportunidade contarei este fato que, de tão rico, dará um “causo” pra lá de nostálgico e lírico.

Mas hoje eu quero dividir com vocês um “causo” espetacular, simplesmente inusitado que me aconteceu neste Cassino, no Cassino de Estoril.

Eu adoro Cassinos, simplesmente adoro. Dentre tantas coisas que lá acontecem como Shows, Concertos, Feiras, Mostras de Artes, Cafés, Restaurantes e mais uma sortidade de entretenimentos claro, existe o jogo.

Jogar num Cassino é uma ciência matemática. É pensar e agir tendo todas as probabilidades contra você. Jogar num Cassino tem dois principais propósitos; Ganhar ou divertir-se. Porque não citei a palavra perder? Porque só perde num Cassino quem é otário, quem é vagabundo, quem é um boa-vida que não dá valor ao seu dinheiro. Explicarei melhor.

O principal produto de um Cassino não é você! É o dinheiro. Portanto, o que eles querem é o seu dinheiro, e ponto final. Obviamente que existe por trás disso tudo o conforto, o tratamento, as bebidas, o luxo e mais uma infinidade de artifícios hipnotizantes, mas a decisão de perder é unicamente sua.

Digo perder porque num Cassino você vai para se divertir. Se ganhar ótimo senão, você terá se divertido. Tudo é uma questão de como você encara sua ida a este local.

Pois bem, pensando desta forma, eu sempre joguei em Cassinos. Mas não jogo cartas, poker, dados, blackjack, nada disso. Eu gosto mesmo é das Slots Machines, também conhecidas como caça-níqueis. Eu sou fascinado por esses brinquedinhos de adultos.

Divertir-se, e mais, saber jogar numa slot machine é muito mais que apenas colocar moedas ou notas na máquina e apertar botõezinhos. É “entender” o comportamento da máquina e o que ela está oferecendo à você enquanto aposta. Mais uma vez, repito, probabilidades.

Eu, modestamente falando, entendo e sei jogar muito bem slots-machines. Tanto sei que as estudo, conheço os nomes e vou além, observo-as e enquanto não aprender todas as funções e probabilidades, bônus, jackpots, free-spins, payouts (índice de porcentagem de pagamento ao jogador), eu simplesmente não me sento.

Em Estoril, adorava jogar numa máquina específica. Cheguei no Cassino com 40 Euros. Era o que eu havia proposto a mim mesmo gastar. Coloquei 20 Euros numa Slot Machine específica, ainda mecânica, digamos que quase ultrapassada, tendo em vista que hoje a maioria é digital, com telas de 32 polegadas e touch-screens. O que relatarei aconteceu em 2003.

Estava eu jogando e percebia que o payout estava alto. Eu poderia sair abonado dali, entretanto os slots-machines são cobertos por inúmeras lendas urbanas. Uma delas diz, por exemplo, que se não sair um dinheirão daquela máquina por muito tempo é só jogar que uma hora vai sair. Mentira. Os Slots-machines trabalham com números randômicos e absolutamente aleatórios. Eu, pessoalmente, já vi sair um Jackpot seguido do outro, em questão de 30 minutos, na mesma máquina para o mesmo jogador.

Os 20 Euros que pus na máquina iam se acabando. Já estavam em 12 Euros. Em um desses “giros” a máquina me ofereceu escolher entre “giradas grátis” chamadas de Free-Spins ou Multiplyer Bonus, que é quando os ganhos são temporariamente multiplicados por 2, 3 ou 4 e assim por diante. Pensei, sem pressa, pois a máquina não faria nada sem antes eu me decidir, e assim optei pelos Free-Spins, ou seja, optei por 10 rodadas grátis e o que viesse dali seriam ganhos acumulados.

É evidente que pouco poderia vir ou quase nada porém, a minha esperança seria a última a morrer naquela ocasião. Afinal de contas eu estava ali fazendo o que? O que???? Me divertindo. E muito por sinal.

A máquina rodou 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 e no oitavo giro tudo acendeu. Ela piscava loucamente. Fazia barulhos, músicas, sons de tudo quanto é lado. Todos à minha volta pararam seus jogos e passaram a olhar para a minha máquina. Eu havia acertado o Jackpot, o valor acumulado.

Parado, atônito e muito espantado percebi que havia ganhado uma boa grana. Eu acabara de ganhar 3.101.53 dólares, iguais a 12.033.01 Reais.

Em Portugal a moeda era o Euro e convertido ainda assim era um dinheiro espetacular. Isso me fez recontar muitas vezes que lá estive e concluir que nunca, em minha vida tinha gastado mais que 500 Euros naquele lugar. A bem da verdade prefiro pensar que eu só ganhei porque eu nunca fui para um Cassino para “ganhar a vida” e sim aproveitar a vida. Em meu pensamento é muito simples; ao invés de me divertir e gastar 300 dólares com um passeio de helicóptero por exemplo eu prefiro jogar e me divertir, e sempre me divirto muito. Eu entro com a cabeça no entretenimento e não com o intuito de sacar dinheiro. Dinheiro ganha-se trabalhando e não dentro de um Cassino, não é mesmo? A não ser que você seja um funcionário de lá.

Aguardei sentadinho na minha máquina algum funcionário manifestar-se quanto ao meu Jackpot pois a máquina piscava e gritava feito uma louca desvairada. Foi quando dois funcionários se aproximaram. Vestidos de smoking, elegantíssimos e com uma postura de dar orgulho a qualquer profissional de RPG, ambos vinham com uma bandeja. Na bandeja havia um monte de notas de Euros empilhadas juntamente com um café expresso e um ingresso cortesia para um Show.

Foi então que perguntaram meu nome, pediram-me a minha identificação, educadamente perguntaram-me se aquela máquina era a minha, a que eu estava jogando e depois de orgulhosamente e com um sorriso gigantesco dizer que sim eles pediram para que eu os acompanhasse na contagem das notas. Sim… eles contariam o dinheiro, as notas amontoadas, muitas, uma sobre a outra, na minha frente e sob a minha conferência.

E assim foram contando os Euros. Uma nota caia sobre a outra e enquanto isso eu pensava que havia atingido um patamar de entendimento dos Slots-Machines superior. Eu sabia que ganharia. Se eu fosse persistente, sem pressa, se eu fosse ardiloso e meticuloso para jogar. Eu sabia que ganharia se eu fosse antes de tudo, estratégico.

Com o dinheiro conferido, um dos funcionários sorri para mim e diz assim:

– Parabéns Sr. Fernando! Estamos muito contentes que tenha acertado o jackpot. O que desejamos é que nossos jogadores sejam contemplados e que estejam sempre satisfeitos.

– Obrigado! Muito obrigado! Agora posso ir embora muito feliz!

– Mas como assim Sr. Fernando? Agora que ganhou, que está com sorte é que deveria acumular mais ganhos. Agora que deveria jogar mais. O Sr. Está com muita sorte!

E foi então que eu respondi com um sorriso tranquilo no rosto;

– Agradeço a sua torcida porém você poderia olhar por um segundo para a máquina que eu estava jogando?

– Sim, estou a olhar Sr. O que tem ela?

– A sorte que você diz que eu tenho, eu acabo de deixar ali para outro jogador colhe-la.

Sorri, tomei o meu café expresso, guardei meus Euros, tomei um taxi e voltei pra casa.

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Sobre o Autor

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Fernando Maque

Filho de uma exímia pianista, Fernando tem a música no DNA, na veia e faz dela sua razão de viver. Um artista ímpar.

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