Irrigação, drenagem e dragagem

A água destinada à irrigação de frutas e legumes não deve conter substâncias tóxicas ao solo e às plantas

Postado dia 06/12/2016 às 08:00 por Renato Faury

 

Foto: Reprodução/Internet

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Quando irrigar hortaliças que são comidas cruas, deve se evitar a utilização de água contaminada por microrganismos transmissores de doenças, como vírus (hepatite), bactérias (disenterias e febre tifóide), por protozoários (amebíase e giardíase), ou por vermes (verminoses intestinais).

A água, ao escoar pelas plantações, absorve parte dos fertilizantes e dos agrotóxicos utilizados nas lavouras e atinge os corpos hídricos, ocasionando problemas à sobrevivência dos organismos aquáticos e à saúde das pessoas e dos animais que utilizam essa água.

Metais pesados como o cobre e zinco, de baixa toxidez para o homem, são tóxicos para os peixes. A tendência atual é a irrigação feita pelo método do gotejamento. O método é simples e econômico, usa-se o mínimo de água para prover a necessidade das plantas. A água é fornecida às plantas através de uma tubulação perfurada por onde escoam as gotas.

DRENAGEM                                   

As chuvas, ao caírem no chão, têm parte que se infiltra no solo e forma os lençóis subterrâneos de água; parte escoa na superfície formando as enxurradas e se não houver cobertura vegetal, arrasta a terra da superfície.

As áreas urbanas pavimentadas impermeáveis e as permeáveis como as áreas verdes, esportivas, de lazer, agrícolas, precisam afastar as águas das chuvas para manter as suas finalidades.

A retirada do excesso de água (drenagem) é necessária para manter essas áreas sempre adequadas para as atividades previstas. A drenagem superficial através de valetas tem a finalidade de captar as águas superficiais antes que elas alcancem as áreas que pretendemos proteger e são instaladas contornando os campos, os taludes (barrancos), estradas, casas, etc. A drenagem sub superficial de qualquer obra de solo baseia-se no conceito de permeabilidade, que é a propriedade de um meio poroso permitir a passagem da água através de seus poros interligados.

Alguns materiais utilizados para drenagem: pedra, areia, bambu, pneus velhos usados como tubos, tubos perfurados, geo-têxteis (mantas de plástico perfuradas ou não), etc.

A drenagem de áreas impermeáveis é feita coletando as águas em canais superficiais e tubos enterrados que dirigem essas águas até as galerias de águas pluviais, geralmente mantidas pelas Prefeituras Municipais, daí as águas atingem os córregos e os rios principais.

Uma determinada galeria de águas pluviais tem o seu diâmetro calculado em função da importância das possíveis enchentes no local e de quanto se pretende gastar (cálculo econômico), para definir qual a quantidade de água capaz de passar pela tubulação. Eventualmente, este cálculo de diâmetro econômico tem um tempo de recorrência pequeno, ou seja, é projetado para ocorrências de enchentes a cada 5 anos, ou a cada 10 anos para galerias de ruas.

Em caso de barragens importantes, podemos chegar até à previsão estatística de cheias milenares (a cada mil anos).

Nas regiões mais habitadas, a maior parte dos terrenos está impermeabilizada, portanto, há um volume maior de água escoando superficialmente, o que ocasiona inundações com maior frequência.

Atualmente, em áreas densamente povoadas está havendo a implantação dos denominados “Piscinões”, que têm a finalidade de reter certa quantidade de água durante as chuvas fortes e que aos poucos vai sendo liberada, de forma a evitar a ocorrência de inundações; porém os piscinões não eliminam totalmente a ocorrência de inundações.

dragagem

DRAGAGEM

Devido às atividades de arar a terra, cortes e aterros, etc. o solo é desestabilizado, erodido e carreado pelas águas. A água se torna barrenta e atinge os corpos hídricos, podendo depositar barro e areia no fundo ou, dependendo da velocidade das águas e do tamanho das partículas do solo (argila, silte, areia ou pedregulho) levar para longe pela correnteza e depositar em locais de menor velocidade do caudal, ocasionando o assoreamento de rios, córregos e represas.

No decorrer dos anos, há deposição de detritos, naturalmente, numa das margens (na margem com menor velocidade da água), e erosão da margem oposta, onde a velocidade é maior. Este fenômeno cria os conhecidos meandros dos rios, que vão se ampliando até formarem as ilhas fluviais.

Havendo o interesse em manter no mesmo lugar o leito original dos rios, devido à existência de equipamentos urbanos como pontes, estradas, construções nas margens, algumas medidas são tomadas para a sua proteção:

– Colocação de pedras nas margens, de tamanho tal, que não sejam arrastadas pelas enxurradas;

– Dragagem do fundo, no caso de deposição de detritos por conta da baixa velocidade das águas, para impedir a alteração do leito, ou quando há necessidade de aprofundamento;

– Remoções de detritos do fundo; em locais urbanizados, pode haver necessidade, a fim de aumentar a vazão das águas no canal do rio e minimizar enchentes.

Mesmo que não haja erosão significativa, a transformação de lagos em pântanos é natural e ao longo dos anos acabam se transformando em áreas aterradas.

No caso de lagos assoreados, pode ser necessária a remoção dos detritos para evitar a perda do lago, ou seja, a transformação do lago em uma área aterrada.

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Sobre o Autor

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Renato Faury

Engenheiro civil pós graduado em Engenharia Ecológica, e Assessor do meio ambiente do LIONS Internacional Governadoria LC-5

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