A iniciação maçônica, uma reflexão filosófica

“A falsa ciência gera ateus, a verdadeira ciência leva  os homens a curvarem-se diante da Divindade”. Voltaire

Postado dia 09/09/2016 às 09:00 por Antonio Carlos

maçônica

Foto: Reprodução/Internet

Muitas vezes deparamos sobre o que está envolto, em seu misterioso processo alquímico, o processo de transformação do ser, na sua essência espiritual (Eu Interior) em pleno século XXI.

No mundo materialista que vivemos, caracterizado pela busca incessante de sempre querer e se apropriar cada vez mais de bens, serviços e reconhecimento pessoal, como fonte de alimento insaciável para um viver melhor, buscamos alternativas para nos encontrar, achar o nosso ponto de equilíbrio, como já disse certa vez o famoso escritor Umberto Eco, em seu livro O Pêndulo de Focault. Entre essas alternativas, está o ingresso nas Escolas Iniciáticas (a Maçonaria é uma delas…), por muitos tida como a tábua de salvação para um novo amanhã!

Ao ingressarmos na Arte Real, passamos por uma Iniciação, processo este que misteriosamente transforma o indivíduo recém-chegado, ou profano, em um novo renascer…

O termo Iniciação, como consta nos dicionários, é definido como ato ou efeito de iniciar-se, ou o começo de qualquer coisa.

Poderíamos entender como o começo, ou o recebimento preliminar de qualquer coisa, misteriosa ou ainda desconhecida; seja para os ocultistas, ou iniciar-se em uma atividade humana de qualquer espécie (esportiva, profissional, intelectual, etc.).

Deve-se entender, neste contexto, que a Iniciação é ampla. Ou seja, Maçônica, Escolas Esotéricas e Iniciáticas, seitas das mais diferentes correntes e tendências do pensamento, religiões, entidades filosóficas, movimentos políticos cuja admissão, muitas vezes, é feita com iniciação, e até mesmo nas Escolas Satânicas espalhadas em várias regiões do nosso planeta.

Dessa forma, podemos (e devemos) excluir desse cenário os Grandes Iluminados de outrora, pois já nasceram com a mente aberta, cósmica e privilegiada. Afinal, a harmonia e a perfeita combinação de seus genes já trouxeram do ventre materno tais características que os tornaram serem especiais. Exemplos disso, apenas para citar alguns, são Leonardo da Vinci, Einstein, Pitágoras, Platão, Sócrates, Apolônio de Tiana.

Na Iniciação Maçônica, se realizada com primor e eficácia, acredita-se que o neófito conseguirá mergulhar nas profundezas e nos mistérios da mente e do Universo.

No complemento dessa Iniciação, o adepto continuará o seu trabalho no auto-desenvolvimento de seu aprimoramento psíquico-espiritual, no desbastar de suas asperezas interiores – que só ele, e mais ninguém, sabe quais são…

O aprofundamento das instruções recebidas do seu grau, com muito estudo, meditação e dedicação, irá conduzi-lo nas brumas do seu Eu Interior, para a consagração do seu Eu Superior (centelha divina que todos nós possuímos em nossa Alma-Espírito). Para isso, torna-se necessário o desapego pelo materialismo exacerbado em que vivemos, progredindo paulatinamente na ascensão espiritual de sua Iniciação Total, apesar de saber que nenhum de nós conseguirá atingir a Iniciação completa, pois sempre terá algo a acrescentar para chegar no cume da senda espiritual!

Nestes tempos em que vivemos, de evolução constante da tecnologia, e, consequentemente, de avanço da ciência em sua plenitude, o homem moderno está, cada vez mais, desmistificando as religiões tradicionais, como também já não aceita as inúmeras seitas e religiões que surgem a cada dia, com o pretexto de ser melhor que as demais, com o bastão da pseudo-verdade, em busca do seu eterno caminho na busca divina.

Incrível, mas infelizmente essas neo-religiões buscam apenas arrecadar mais dinheiro de seus seguidores, que inocentemente são domesticados pela falsa fé, manipulados por dogmas e idolatrias de seus pregadores que, em nome de Deus, falam, em seus sermões, para aqueles menos avisados ou inocentes pela crença no Ente Superior…

O homem moderno que busca as verdades ocultas sabe da necessidade em pesquisar as tradições; sabe inquirir, deduzir e avaliar, dentro da sua escala de valores, o que é correto e adequado para sua evolução. Procura nas várias correntes do pensamento, as Escolas Iniciáticas, entre elas a Maçonaria, para viver e presenciar novas experiências, novas nuances, e novas respostas do seu mar de dúvidas que possui em seu mais íntimo ser!

Como sabiamente disse certa vez Sócrates, o mais difícil é Conhecer a si próprio; esse auto-conhecimento, do fundo de suas profundezas, parodiando o Mito das Cavernas de Platão, e que certa vez fez Zaratustra, por meio da meditação ou por ascese, ou metodicamente auxiliado pela autocrítica, após muito esforço, estudo e desprendimento, chegar um dia, a sua iluminação interior.

O sonho de todo maçom é chegar mais ou menos perto desse autoconhecimento, que é justamente o que a Verdadeira Maçonaria, que é a Escola da Vida, espera desse neófito no decorrer de sua vida maçônica.

Entretanto, essa sensibilização é própria e particular para cada indivíduo, já que somos seres humanos, e necessitamos tais mudanças, pois existem dentro de nós, inúmeros fantasmas que precisam da Luz Maior para seguirem os seus caminhos.

O caminho de todo homem possui três aspectos essenciais: sua vida pessoal, seu relacionamento com o mundo em que vive, e sua vida cultural.

É justamente nesse terceiro aspecto que o homem moderno entra em suas eternas buscas, no conflito entre a sua espiritualidade e as regras que a sociedade de consumo e as religiões em que vivencia lhe impõe. É necessário navegar nesse emaranhado de pensamentos e teorias, pois o mar revolto se apresenta em condições desfavoráveis para a navegação.

Analogamente ao labirinto de Creta, a busca dessas condições representa o símbolo muito usado pelos antigos de outrora ao traçar os caminhos, isto é; um do Centro e outro caminho tortuoso, repleto de obstáculos, perigos e tentações, que deverá ser percorrido pelo iniciado, com sabedoria, prudência e paciência, para conseguir atingir a meta desse labirinto (que é o Centro), pois a Iniciação ocorrerá por toda a sua vida, sendo eterna a sua busca desse Centro…

Esse Centro seria o “estado de ser”, o nosso verdadeiro Eu, aspecto duplo de nossa personalidade. Essa seria então a finalidade da Iniciação Maçônica, quando o adepto tenderá, simbólica e espiritualmente, chegar cada vez mais perto desse Centro.

Apesar desse rico artifício que a Maçonaria oferece da mais pura espiritualidade (Iniciação), é de se lamentar que muitos maçons ignoram todo esse potencial, ou o substituem por outros valores de menor importância. Muitos se vangloriam que foram iniciados em tal Loja, que são maçons há muitos anos, relatando a sua passagem pela Iniciação, mas narram sem a espiritualidade que a Maçonaria espera desses irmãos… A maioria desses (irmãos) apenas corre atrás dos graus, acreditando que esses (graus) lhe darão maior sabedoria, importância e status em nossa Ordem, acreditando que atingiram a sua Iluminação!

A verdadeira Iniciação ocorre não no seu dia em que ingressou na Arte Real, mas sim sendo o início de uma longa jornada em que acabou de dar o seu primeiro passo…

Muitos também acreditam que a Maçonaria tem como objetivo principal a filantropia, voltada para a benemerência, e esquecem que suas atitudes nunca resolverão os problemas sociais que afetam a comunidade.

Outros pensam que a nossa Ordem deve ter a sua participação na política, como se as suas Lojas fossem a extensão dos partidos políticos a que pertencem.

A Maçonaria é muito mais que isso; ela é verdadeiramente, como sempre digo, uma Universidade da Vida. Ela tem como objetivo, preparar os seus membros, ensinando-os a ser maçons na acepção da palavra, ou seja; homens com menos defeitos, mostrando-lhes o caminho a seguir.

Se algum irmão tiver alguma inclinação para a política ou para a filantropia, ou outra atividade qualquer, então a nossa Ordem guiará com seus princípios para que os irmãos atuem como verdadeiros construtores sociais, atuando como líder desses projetos em que tiver engajado. A Maçonaria apenas prepara o maçom, não age diretamente, pois esse será a missão do verdadeiro maçom.

Para ser verdadeiramente maçom, não basta usar o avental uma vez por semana, ostentar o distintivo na lapela do esquadro e compasso, ou ainda, apresentar o Grau 33 e não saber como um Mestre deve se comportar…

Feliz daquele que, ao adentrar em um Templo Maçônico, sinta o poder espiritual contido nos símbolos decorados em uma Loja e enxergue nesses ideogramas a mais pura expressão divina e humana, com todos seu conteúdo e significado transcendental.

Quem puder sentir a beleza emanada de um Ritual, quando bem executado, pressentir e sentir o momento mágico da liturgia em acender as luzes emanadas dos candelabros místicos do Livro da Lei, do Venerável Mestre e seus Vigilantes, e sentir a presença da Divindade manifestada, quem puder perceber o Pavimento Mosaico com as suas  dualidades existentes na Lei dos Opostos, de sentir a profunda força espiritual irradiada no Olho que Tudo Vê, na presença do Delta Sagrado com a inicial do Tetragrama Sagrado do G?A?D??U?  (IOD HE VAU HE).

Quem conseguir adentrar em uma Loja e sentir-se com a mente totalmente aberta, quem puder, após muitos estudos, perceber que se modificou e amalgamou os ensinamentos obtidos pelas diversas Instruções de seus diferentes graus, e que agora percebe realmente, a presença divina do G.’. A.’. D.’. U.’., sentindo-se mais abrangente, mais humano, sem rancores, muito provavelmente estará chegando no cume da Senda Espiritual, transformando-o na sua Iniciação Simbólica para a Iniciação Real, transcendendo o mundo da materialidade e atingindo o que a Maçonaria espera de cada um de nós, encontrar verdadeiramente o

“Caminho de volta à Casa do Pai…”

 

 

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Sobre o Autor

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Antonio Carlos

Antonio Carlos é mestre em economia e palestrante. Além de ser autor de vários livros voltados para ciências e espiritualidade.

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