Imposto de renda e felicidade podem caminhar juntos?

Estar isento do Imposto de Renda está diretamente ligado a ganhar tão pouco que não dá para contribuir com parte dos seus recursos com a sociedade

Postado dia 14/03/2017 às 08:30 por Leila Navarro

imposto de renda

Foto: Reprodução

Você sabe qual é o país do mundo que mais paga Imposto de Renda? Acha que é o Brasil? Errou! Estamos diante de um paradigma enraizado, porém, totalmente errado! Os países que mais pagam IR são aqueles com alto nível de desenvolvimento. Nos países que ocupam as melhores posições no IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do mundo paga-se quase 50% de Imposto de Renda. Alguns chegam a superar essa percentual.

Você tem conhecimento de qual é a realidade do Brasil? Hoje o Brasil ocupa a 9ª posição como potência mundial. Por outro lado, no quesito IDH ocupamos a 75ª posição. No ranking do IDH, o primeiro lugar é ocupado pela Noruega, seguido da Austrália e Dinamarca. Níger (África) ficou na posição de país menos desenvolvido do mundo, seguido por República Democrática do Congo, República Centro Africana e Chade. Criado em 1990, o IDH compara riqueza, alfabetização, educação, esperança de vida, natalidade e demais fatores entre os países. Com o índice é avaliado o bem-estar de uma população e, assim, classifica-se o país em desenvolvido, em desenvolvimento ou subdesenvolvido. Com essas informações, você acha que felicidade e bem-estar podem ser aliados do Imposto de Renda?

Durante toda a minha vida eu fui empreendedora autônoma e quando me deparei com a necessidade de declarar Imposto de Renda, pedi orientação para o meu pai. Contador por formação, ele estava acostumado a fazer os cálculos necessários das deduções. Fazíamos a minha declaração juntos e quase sempre eu tinha que pagar. Diante da minha indignação, considerando-me “a injustiçada”, o meu pai alertava: “Você devia agradecer porque só paga Imposto de Renda quem ganha, quem não ganha não paga”. Diante disso, você prefere contribuir ou ser isento?

A informação transmitida por meu pai passou a fazer parte da minha vida e por isso, ao contrário da grande maioria, o meu paradigma é que “pagar imposto de renda é que é bom, o ruim é ser isento”. Você já pensou no que realmente significa ser contribuinte ou ser isento? Estar isento do Imposto de Renda está diretamente ligado a ganhar tão pouco que não dá para contribuir com parte dos seus recursos com a sociedade! Ao fazer essa reflexão, concluo que pagar Imposto de Renda é uma coisa boa!

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Recentemente eu dei uma palestra sobre felicidade para os auditores fiscais da Receita Federal e você sabe qual é a grande “infelicidade” deles? Ao exercerem sua atividade profissional, eles são muito mal recebidos. A maioria dos empresários detesta a presença de um auditor e os recebe a contragosto. Imagine todos os dias você visitar pessoas que não conhece e, ao orientar e cobrar um posicionamento correto, ela passa a agredir, justificar, argumentar e responsabilizá-lo pelo percentual que deve ser declarado ao governo com frases do tipo: “Pago e não recebo nada em troca. Para onde vai o meu dinheiro? Que retorno eu tenho com esses impostos? Por que eu devo pagar tudo isso? E essas fraudes, corrupções e blá, blá, blá…”.

E é exatamente aí que eu queria chegar! Poderosos e poderosas! Abram os olhos!  Não dá mais para pensar em “dente por dente, olho por olho”! O roubo do outro não deve justificar as minhas atitudes. Ditos populares como “ladrão que rouba de ladrão tem 100 anos de perdão” devem ser extirpados do senso comum e isso começa com a minha e a sua atitude. Usar a inteligência para sabotar, enganar e criar artimanhas para sonegar é corrupção tanto quanto o ato de desviar dinheiro público. O mais pobre dos pobres são os corruptos que recebem a missão de distribuir renda e desviam as contribuições, o que resulta em total falta de confiança. Um país com alto IC – Índice de Corrupção nunca estará entre os primeiros do IDH. Mas, você está disposto a mudar posicionamentos para o bem comum?

Outro dia ouvi um economista afirmar que para baixar a corrupção em um país é necessário aumentar a penalização. Será isso mesmo? Um erro não deveria justificar o outro – ao contrário do que está gravado no consciente coletivo, acertar é humano e devemos mudar a nossa mentalidade. Fazer a declaração do Imposto de Renda será encarado como um gesto correto, honesto e de felicidade quando as pessoas se conscientizarem que só paga quem ganha e ganhos geram riquezas e riquezas geram bem-estar e tantos outros benefícios.

Você imagina o que seria o Brasil se todos pagassem Imposto de Renda? Visualize o nosso país como um grande condomínio. Se cada um de nós tivesse que contribuir para manter e desenvolver essa grande comunidade, onde o respeito ao bem comum estivesse em primeiro lugar, certamente afirmações como “se é bom para todos é bom para mim” seria a nossa realidade, certo? Então, cabe a nós mudarmos a história de que brasileiro tira vantagem em tudo e passar a concentrar nossas atitudes na afirmação “vantagem só se for para todos! ”.

Nas minhas palestras eu sempre digo que rico é aquele que valoriza o que tem e aproveita as oportunidades e pobre é quem vive reclamando do que não tem. Mas, vou acrescentar outra informação relevante: “ser rico é ter gosto em contribuir e ser pobre é se isentar diante da necessidade alheia”. De que serve ser rico de dinheiro e ser pobre de espírito? Refletindo sobre tudo isso só confirmo que o ensinamento do meu saudoso pai prevalece! Eu sou feliz por que pago IR e você?

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Sobre o Autor

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Leila Navarro

Com abordagens voltadas à felicidade e bem-estar, empreendedorismo, comportamento humano, mudança e atitude, assertividade e comprometimento

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