A importância da prática do ritual

O ritual é um processo que disciplina e regulamenta nossos atos, fases e atitudes, destinados a promover e desenvolver, gradativamente, os acontecimentos da Natureza, em comunhão com as atividades do ser humano

Postado dia 05/08/2016 às 09:52 por Antonio Carlos

ritual

Foto: Reprodução/Internet

Em toda cerimônia se faz necessário o uso ou a prática de um ritual. Quer queira nas atividades sociais, (festa de debutantes, formatura, aniversário, etc.), religiosas (casamento, bodas de casamento, ordenação de religiosos, sessões fúnebres, etc.), ele (ritual) é um processo que disciplina e regulamenta nossos atos, fases e atitudes, destinados a promover e desenvolver, gradativamente, os acontecimentos da Natureza, em comunhão com as atividades do ser humano.

Não se trata de um acontecimento aleatório ou supersticioso, mas um processo técnico em todos os fatos, ou marcos importantes em nossas vidas.

Nos processos esotéricos, místicos e de ordens iniciáticas, como são os praticados na Maçonaria, Rosa Cruz, e outras ordens, o ritual nada tem de crendices e mistérios, pois ele representa a ordem dos processos, determina ao praticante que faça a atração das forças a serem mobilizadas; depois deverá concentrá-las e, em seguida, de maneira gradativa, dinamizar e direcioná-las para o objetivo escolhido.

Se analisarmos com maior detalhe e perspicácia, realizamos rituais diariamente, ao acordarmos de manhã, ao fazermos cotidianamente os mesmos atos regularmente, e quando deixamos de fazê-lo, por um motivo ou outro, nos sentimos mal o dia todo, como se estivéssemos fora de sintonia.

Se analisarmos com maior detalhe, diariamente somos todos sacerdotes em nossas vidas. Um dos atributos do ritual é que ele tem como característica a repetição, sem falhas dos gestos, palavras e ações, que, quando são feitos com concentração e motivação alegre, ligam-nos com arquétipos e energias sutis, mas benéficas às nossas vidas. Ainda mais importante, é a atuação de cada um dentro do ritual, destinado a nos ligar às energias superiores, ou mesmo significações filosóficas em prol não apenas de quem exerce, mas também de algo maior e muito mais valioso.

O ritual praticado em cerimônias místicas e esotéricas se constitui de um meio poderoso para fazer com que todos aqueles que efetivamente dele participam atinjam um clímax, um estágio superior de consciência, que através da repetição disciplinada e constante, com os requintes e detalhes que lhe são peculiares, com extrema atenção e correção, com suavidade e obediência em um ritmo acertado, gera equilíbrio psicoemocional, com uma paz interior difícil de descrever, além de colocar cada um em um estado de atenção.

Para aqueles que são mais atenciosos e perspicazes, percebem de imediato, quando o Venerável de uma Loja está indisposto, ou desconcentrado, cansado ou nervoso, preocupado ou perturbado por emoções e/ou energias estranhas, ocorre, desde o início do ritual da abertura de uma sessão, uma “quebra” na prática do mesmo. As falas e dizeres dos manuais saem erradas, pulam-se partes dos dizeres constantes dos manuscritos, e por conseguinte, do ritual, no que se refere a sua sequência, ficando claro e evidente a todos os participantes, a falta de sintonia da reunião realizada.

Os erros do Venerável são logo acompanhados pelos seus Oficiais, e por fim, por todos os demais membros da reunião, criando dessa forma, uma completa desarmonia e desconforto para aqueles que participam.

Normalmente, antes do início de uma reunião, é realizada uma meditação, que serve entre outros, para acalmar e serenar os espíritos e ânimos, relaxando os nervos, e o stress acumulado no dia-a-dia, fazendo com que se dissipem as preocupações  “profanas”, para que possamos nos realimentar, carregando nossas “baterias” psicoemocionais, na reunião a ser realizada.

Toda escola iniciática estabelece um ritual, uma liturgia, a ser seguida e praticada de maneira irrepreensível. Não se trata apenas de uma repetição de ações mecanicistas, mas muito mais que isso, trata-se principalmente, de gerar uma fonte de energia que alimente a egrégora, que, por sua vez, dará um sentido e uma força mágica ao ritual e ao cerimonial.

Na Iniciação, esse cerimonial, se bem praticado e executado pelos seus participantes, permite para o iniciado perceber e refletir seu mais profundo significado, produzindo um impacto emocional e espiritual, necessário ao candidato, e marcando, indelevelmente em sua alma, por toda a eternidade.

As Escolas Iniciáticas, herdeiras e depositárias de ritualísticas advindas de sociedades antigas, como a egípcia, por exemplo, objetiva transformar o indivíduo, atuando nele e no grupo como um todo, uma transmutação alquímica interior.

Para isso, o ritual tem uma importância capital nesse processo, e, definitivamente, é um mau maçom, rosa-cruz ou outro integrante dessas escolas iniciáticas, aquele que faz pouco caso da ritualística, ou a realiza apenas, de maneira superficial e mecânica. Gestos, palavras, sons e posturas, são fontes geradoras e canalizadoras de energias, positivas ou negativas, ou melhor, de energias éticas e não éticas.

A responsabilidade dos mandatários e oficiais de uma Loja é zelar para que todos os obreiros trabalhem conforme a maneira prevista na ritualística, corrigindo desvios e impondo disciplina, pontualidade e assiduidade, a dedicação aos estudos e conhecimento profundo de cada grau que o praticante venha a exercer.

Sabe-se, por experiência, que em Lojas e/ou Reuniões onde o relaxamento da disciplina e do rigor da prática ritualística “abateram colunas” ou acabaram sendo extintas. Isso, motivado evidentemente pelo enfraquecimento da egrégora e desunião de seus participantes.

Outra causa comum na dissolução de lojas é o desinteresse dos obreiros, pela falta de motivação. Invariavelmente, isso ocorre em virtude do responsável pela loja, leia-se Venerável, pelo despreparo e/ou desorganização na preparação da instrução, ou tema para ser debatido na sessão. Os obreiros se sentem frustrados por nada terem aprendido de novo naquela reunião, pensando na perda de tempo em frequentar as reuniões da loja.

O bom preparo, no plano físico, emocional, e principalmente, espiritual, é mister e fundamental para que o Venerável seja um agregador de almas para o bom andamento das sessões que estão por vir!

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Sobre o Autor

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Antonio Carlos

Antonio Carlos é mestre em economia e palestrante. Além de ser autor de vários livros voltados para ciências e espiritualidade.

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