Gestores novos, práticas antigas

No Alto Tietê, estamos em meio as gestões extremamente conservadoras que diminuíram drasticamente seus orçamentos para as Secretarias de Cultura

Postado dia 01/03/2017 às 12:00 por Cidão Fernandes

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Foto: reprodução

Não há mais dúvida: vivemos em um momento de confusão e falta de olhar para o outro nos tempos atuais. Nesse mundo dividido entre o ódio e o amor, a compreensão e a intolerância, o cuidado e o descaso, acredito que vai levar tempo para percebermos que todos vamos perder essa guerra inútil.

Mas também acredito que a arte pode ser uma poderosa ferramenta para construir possibilidades de uma realidade mais olho no olho, mais contato físico, mais harmonia entre todos os seres. Sou desses.

Mas não será fácil essa empreitada em busca de valores mais humanos. No que tange à luta dos artistas, não é novidade: sempre lutamos, acreditamos, sonhamos e seguimos. Para aliviar um pouco essa luta, a presença do sistema político – seja ele municipal, estadual ou federal – é imprescindível. Ele deveria servir para equilibrar a balança entre a indústria cultural e os fazedores de cultura e assim possibilitar que o maior número de pessoas tenha acesso ao maior número de artistas possível, ao contrário que que os leigos (mas especialistas) em cultura (sempre de plantão) acreditam.

cãoAfunilando para o lado de cá, esse aqui do Alto Tietê, estamos em meio as gestões extremamente conservadoras que diminuíram drasticamente seus orçamentos para as Secretarias de Cultura. Além disso está seguindo aquela máxima de “jogar” nessas secretarias pessoas com pouca ou nenhuma vivência artística mas que servem para acomodar os acordos políticos que todos nós sabemos que existe. Uma visão retrógrada, equivocada, mas que não surpreende.

Nem tenho mais a ilusão de que não investem em cultura porque “é perigoso e eles não querem investir em alguma coisa que pode ir contra eles mesmos”. O governo não investe em cultura simplesmente porque, para eles, cultura é gasto, artista é tudo vagabundo e a população precisa mesmo é de escola e hospital. Mas sabemos que nem a escola e nem o Hospital estão indo bem. Então o fato mesmo é que eles simplesmente não ligam.

Quanto mais rápido aprendermos isso, melhor será a mesa para o diálogo com esses gestores. Ainda insistem em bater nas nossas costas e desejar boa sorte como se eles não tivessem nada a ver com a responsabilidade do cargo que ocupam.

É inicio de gestão de todos os gestores e os caminhos que se mostram nos indica que o mais (quase nada) do mesmo se manterá firme. Sorte pra nós!

Leia mais sobre gestão cultural

Ministério da Educação e Cultura? Não senhor!

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Sobre o Autor

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Cidão Fernandes

Ator, diretor teatral e produtor artístico. Diretor Geral do Teatro da Neura, grupo com 11 anos de trabalhos sediado em Suzano. Militante cultural e curioso.

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