Gênero de 1ª necessidade

Enquanto prefeito de Mogi, criamos oficinas de rap, hip hop e dança de rua. O sucesso da iniciativa destronou os que nos acusavam de promover ritmos da marginalidade

Postado dia 29/06/2016 às 08:00 por Junji Abe

hip hop

Foto: Reprodução/Internet

Tempos atrás, a cultura era tratada como artigo de luxo. Essa visão tacanha é uma das causas de males que tanto afligem a sociedade atual. Outra sandice é achar que o povo não gosta de arte. Também não pode haver preconceitos. Enquanto prefeito de Mogi, criamos oficinas de rap, hip hop e dança de rua. O sucesso da iniciativa destronou os que nos acusavam de promover ritmos da marginalidade. Igualmente, enfrentamos descrédito para formar a Orquestra Sinfônica Jovem Minha Terra Mogi com crianças pobres. Os queixos caíram no primeiro concerto.

Depois, implantamos uma Sala de Música sem igual na Escola Municipal Professor Mario Portes, em Jundiapeba. Ouvi protestos de preconceituosos com gente pobre. Besteira. Naquele espaço, os alunos constituíram a Banda Sinfônica que coleciona prêmios em competições no Estado. É uma minúscula amostra de ações públicas que difundem a cultura, promovem a cidadania e afastam menores da criminalidade.

Fiquei emocionado ao reencontrar o professor Kleber Felipe, que ingressou no mundo da música aos 10 anos, fazendo parte do Coral Canarinhos do Itapety, criado quando fui prefeito. Hoje, ensina outras crianças e adolescentes, vivendo da arte. Ele participou da homenagem ao Dia das Mães, proporcionada pelas Orquestra Sinfônica Jovem de Mogi das Cruzes, Orquestra Sinfônica mogiana, Orquestra Sinfônica Jovem Minha Terra Mogi, Camerata de Cordas, Banda Boigy e Quarteto de Cordas.  Todas evoluíram de projetos que implantamos.

A atual administração ampliou muito as iniciativas culturais, multiplicando também o público das artes. A Secretaria Municipal de Cultura tem papel primordial para amparar todos os segmentos. Qualquer que seja o governante, está impedido de retroceder. Veja o presidente interino Michel Temer que tentou acabar com o Ministério da Cultura. Voltou atrás.

É provável que as iniciativas da Municipalidade sejam inúteis para quem se compraz em esbanjar a retórica elitista. Mas, com certeza, são reconhecidas por milhares de crianças beneficiadas, suas famílias, por gente como o professor Kleber. Ou ainda por Márcio Pial, um dos muitos integrantes do hip-hop – discriminado até a Prefeitura abrir espaço. Hoje, ele é celebridade, ao lado de outros artistas, das várias vertentes, que fazem de Mogi um incomparável polo produtor e irradiador de talentos.

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Sobre o Autor

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Junji Abe

Junji Abe, 75 anos, mogiano, produz e comercializa flores e plantas ornamentais, e foi prefeito de Mogi das Cruzes por duas vezes seguidas (2001-2008)

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