Futebol é coisa de mulher!

O Brasil é o país do futebol, não há o que contestar, mas o futebol ser um esporte de homem nunca soou tão engraçado e cômico como atualmente.

Postado dia 08/03/2017 às 09:00 por Priscila Andrade

futebol

Foto: Reproduçao

Desde o surgimento do futebol, no qual era considerado um esporte reservado aos homens brancos e da elite A inserção da mulher nesse ambiente considerado sagrado para eles foi difícil e ainda continua sendo. Se apropriando dos estudos das relações de gênero, sempre coube ao homem o espaço público – a rua, à mulher o espaço privado – a casa. O homem, o falar alto, a agressividade, coisas que o ambiente futebolístico proporciona, a mulher, o falar baixo, a delicadeza. A mulher se apropriar desse ambiente era uma transgressão, algo fora da ordem estabelecida.

Por causa desse passado, no qual o futebol foi considerado esporte de homem, houve uma naturalização daquilo que foi socialmente construído. Dessa forma, existe no futebol, no estádio, no ambiente futebolístico uma linguagem construída pelos homens, no qual muitas mulheres reafirmam essa linguagem, acreditando que esse esporte foi feito para homens e achando errado as mulheres gostarem disso.

futebolAinda existe surpresa quando a mulher opta por assistir futebol em detrimento a programas considerados femininos. Quando as próprias mulheres consideram absurda a ideia de ir ao estádio como entretenimento para elas, isso se caracteriza uma violência simbólica. O sociólogo Pierre Bourdieu ao falar de violência simbólica diz que “corresponde ao poder de impor a ordem estabelecida como natural por meio de sistemas de classificação ideológica sobre o discurso”.  E com isso, o discurso que perpetua essa distinção permanece, gerando relações de poder para que as coisas permaneçam sempre iguais.

Dessa forma, o machismo se reafirma e permanece muitas vezes de uma forma sutil, como por exemplo, nas avaliações, conhecimentos, percepções em relação ao futebol, ao jogo e jogadas não são levadas a sério quando a mulher é a dona do discurso. E não pode haver erros, erros por parte da mulher não são permitidos.

Se essa situação de avaliações e percepções acerca do futebol acontece com o homem ele não será julgado pelo gênero que pertence. Ser mulher nesse ambiente faz com que ela seja frequentemente testada e exposta às provações e reafirmações das suas análises.

mulheres-organizadas-body-image-1433441559Para isso começar a mudar é necessário entender que há mulheres que preferem ver futebol a ir ao cinema, que sabem tudo sobre o campeonato, que sabe de futebol muito mais que homens. Aos homens um recado: não tentem subjulgar uma mulher que goste de futebol colocando em dúvida sua orientação sexual ou a acusarem de gostar de futebol por ser “Maria-chuteira”, isso só mostra o quanto são inseguros quando as mulheres dominam um assunto mais que os homens.

A expressão “futebol é coisa de homem” nunca foi tão démodé.

O estádio sempre foi lugar da mulher, elas só estão ocupando o que sempre foram delas de direito.

Observação: Ao ler isso se alguém achou essa análise exagerada, argumentando que as coisas estão diferentes, entre em uma página do Facebook intitulada “Movimento Toda Poderosa Corinthiana”. Uma página que visa mostrar o machismo e sexismo existente no futebol, essa semana há uma série de depoimentos de torcedoras, mostrando o que passam, o que ouvem, o que sentem quando tentam simplesmente demonstrar, ir a um estádio ou torcer pelo seu time de futebol. Aí perceberão o quanto o machismo é nocivo e prejudicial.

Machismo não é tradição.

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Sobre o Autor

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Priscila Andrade

Professora e Educadora Sexual. Pedagoga e Mestre em Educação Sexual,

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