Flashes do cárcere

Confira a evolução do cárcere brasileiro de acordo com os séculos

Postado dia 04/03/2016 às 08:30 por Heródoto Barbeiro

carcere

Foto: Divulgação/Internet

(Século 21 ) Um ministro da Justiça, em pleno século 21, definiu as prisões brasileiras: masmorras medievais. Chamou a atenção de todos quando declarou que preferia morrer do que ser preso em uma delas. Não estava se referindo as assépticas prisões destinadas a empreiteiros e políticos apanhados  em uma trama de corrupção. Estes são os condenados aristocratas que usufruem de um mínimo de conforto nas celas e de respeito à condição humana. São apoiados por advogados caríssimos e que garantem o tipo de tratamento que recebem. Todo o resto do universo de presos vive na promiscuidade, muitos dormem no chão, não tem roupas limpas. Convivem com as fezes humanas, dos ratos e dos morcegos que ajudam a diminuir a população carcerária com as doenças que transmitem. Em algumas há o  domínio do crime organizado e a lei é imposta pela violência que inclui até mesmo a decapitação do adversário. O Estado Islâmico teve a quem imitar. Como recuperar uma pessoa nessas prisões que se assemelham a Bastilha? Até Containers foram usados como celas, ainda que a temperatura interna chegasse aos 50 graus. Raramente se noticia sobre as condições da carceragem onde insistem em querer desmentir a lei da física  que diz que dois corpos não ocupam o mesmo lugar ao mesmo tempo.  Por isso delegacias, prisões e penitenciárias tem muito mais gente do que sua capacidade.

(Século 20) A prisão do Estado Novo inovou pela técnicas modernas de tortura importadas do mundo nazi-fascista. Vargas queria que as prisões fossem mais do que um depósito de opositores. Desenvolveu um método novo para convencer os presos a esquecerem suas ideologias. Uma delas era prender o parente como fez com Olga Benário, mulher do líder comunista encarcerado Luis Carlos Prestes. Não contente enviou-a para um  campo de concentração na Alemanha. Olga era judia. O mesmo destino teve a mulher de Harry Berger. Este era considerado o mentor de Prestes e foi submetido a sessão de tortura terrível. Berger e outros tiveram dentes e unhas arrancados com alicate ou eram queimados com maçarico. Carlos Guilherme Mota conta que em São Paulo presos políticos eram confinados em solitárias com água fria gotejando na cabeça. Pagu, líder trotskista, foi violentada com buchas de mostarda e martirizada com arame incandescente na uretra.Muitos morreram. Prestes, Pagu e Berger sobreviveram. Este graça a lei de proteção aos animais aventada pelo seu advogado Sobral Pinto.

(Século 19) A prisão em Recife não era muito melhor. Lá prenderam o Frei Joaquim do Amor Divino, conhecido como Frei Caneca. Em 1824, em pleno império, o preso era alimentado e apoiado pelas ordens religiosas que levam comida, roupa e um pouco de remédios. Ele foi acusado de ser republicano e não reconhecer a autoridade do imperador. Foi fuzilado.

(Século 18) Joaquim José foi preso e levado para a ilhas das Cobras no Rio de Janeiro, em 1789. Era acusado de participar de uma sedição contra o domínio português em Minas Gerais. Teve sorte de não ser algemado em correntes, mas por causa da infestação de piolhos teve a barba e o cabelo raspados. Foi ouvido pela autoridade judiciária e em três audiências negou que tivesse qualquer responsabilidade no movimento. Somente no quarto interrogatório admitiu ter participado. Talvez as condições do  cárcere tenham influenciado essa atitude de se responsabilizar pela inconfidência. Tiradentes ficou preso três anos até ser levado a uma prisão na cidade do  Rio e enforcado.

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Sobre o Autor

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Heródoto Barbeiro

Heródoto Barbeiro, escritor e jornalista, âncora do Jornal da Record News e editor do Blog do Barbeiro. Foi âncora do Roda Viva da TV Cultura e do Jornal da CBN. Tem livros nas áreas de jornalismo, história, mundo corporativo e budismo.

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