Feliz aniversário cidade

Mais um ano se passou e mais aniversários aconteceram e não fomos chamados a comemorar

Postado dia 04/11/2015 às 12:11 por Cidão Fernandes

foto Fernandes Junior

Passando uma geral nas festas onde se comemora os aniversários das cidades, principalmente no Alto Tietê, não demora muito pra perceber duas coisas claras: o alto investimento em mega shows e a falta de investimento durante o ano na potência criativa de seus fazedores artísticos locais.

São nesses shows que percebemos o quanto de dinheiro uma prefeitura tem para investir em cultura. Com pouca ou nenhuma criatividade para arrecadar esse dinheiro da iniciativa privada, poupando assim os cofres públicos desse custo, cabe ao município bancar a brincadeira toda.

Mas e quando artistas locais propõem parcerias que requereria bem menos investimentos da prefeitura e recebem o já famoso “é um projeto incrível, mas não temos dinheiro para isso”… Como fica?

Quando isso acontece meus queridos, é porque a prefeitura em questão não quer diálogo com os fazedores. Seus secretários (em minúsculo mesmo) de Cultura (em maiúscula mesmo) tomam a secretaria como extensão dos seus gostos pessoais. Não entendem para o que vieram.

Mas peraí… Acho que estou sendo otimista ainda. Quem disse que eles estão preocupados com o fato de não entenderem a importância da sua pasta? Caramba… Desculpem o lapso. Devo estar ficando velho e isso pode estar aguçando meu otimismo desnecessário.

Voltemos uma casa.

Não há interesse em desenvolver cultura com diversidade. Não há vontade em ouvir de verdade as necessidades da classe e a vontade da população que cada dia mais percebe que uma Casa de Cultura em seu bairro é tão importante quanto um posto de saúde ou escola.

Não!

O que há é subsecretaria com subsecretários. Exigem profissionalismo de todos os artistas com CNPJ, portfólio, comprovações mil, aberturas de conta em bancos; dos gestores apenas amarrações políticas, amadorismo e que não falhem nas festas de carnaval, padroeira, dos imigrantes ricos e, claro, aniversário da cidade.

Sem diálogo durante o ano, artistas locais são esquecidos ou, quando muito, recebem cachês chamados descaradamente de “ajuda de custo” para realizarem suas apresentações como se a prefeitura estivesse sendo uma salvadora da pátria e fazendo um favor a cada artista, para quem paga uma micharia, que na maioria das vezes não resolve a manutenção de uma caixa acústica.

O panorama está ruim, admito. Não há tendências de melhoras. O que há é uma eleição municipal à frente. Possivelmente a cultura entrará na pauta eleitoral como a cereja do bolo quando ela deveria ser aquele ingrediente que faz a liga de tudo e dá o sabor característico que se deseja alcançar.

Os políticos virão pedindo não o nosso voto, mas o nosso prestígio que alcançamos a muito custo com os nossos trabalhos diários realizando nosso ofício com muito prazer para ganhar mais votos.  Mas sabemos o fim de tudo. Seremos o bobo da corte e ficaremos fora das festas (sejam elas quais forem) da nossa própria cidade.

Mais um ano se passou e mais aniversários aconteceram e não fomos chamados a comemorar. O jeito então é entrar na festa e ir limpando a bandeja de brigadeiros antes que vejam e nos acusem de termos destruído a festinha de debutantes que os nossos prefeitos e secretários prepararam com tanto egocentrismo só pra nós.

 

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Sobre o Autor

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Cidão Fernandes

Ator, diretor teatral e produtor artístico. Diretor Geral do Teatro da Neura, grupo com 11 anos de trabalhos sediado em Suzano. Militante cultural e curioso.

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