A fábula do perfume e a verdade interior

Ó tolo almiscareiro humano, se voltasse sua mente para dentro de si, em meditação diária profunda, acharia a verdadeira felicidade no silêncio da própria alma

Postado dia 27/01/2016 às 00:00 por Sociedade Pública

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Segundo Paramahansa Yogananda, o almíscar é uma substância valiosa, extremamente aromática, contida numa bolsa sob a pele do abdômen do almiscareiro macho, que habita elevados picos do Himalaia. Com certa idade, o odor começa a exalar dessa bolsa. O almiscareiro fica excitado pelo aroma delicioso e pula para cá e para lá, farejando sob as árvores e furnas, buscando em toda a parte e por muito tempo, a origem dessa fragrância.

O almiscareiro fica agitado e irritado por não encontrar a fonte dessa essência, e enlouquecido, salta dos altos picos e cai para a morte no vale que se estende abaixo.

A maior parte das pessoas se comporta como o almiscareiro: buscam a felicidade no exterior. Buscam em toda a parte, nas diversões, nas tentações, na riqueza, na fama, no poder …. E quando não conseguem encontrar essa felicidade, pulam dos picos das esperanças elevadas e se despedaçam nas pedras da desilusão.

Ó tolo almiscareiro humano, se voltasse sua mente para dentro de si, em meditação diária profunda, acharia a verdadeira felicidade no silêncio da própria alma.

As pessoas quando se concentram prioritariamente em seus próprios pensamentos e sentimentos, em seu mundo interior, procuram se conhecer e se relacionar melhor consigo. Ao contrário disso, quando se envolvem demais com o mundo externo das pessoas e das coisas, tendem a observar mais o que acontece à sua volta, esquecendo-se de si mesmo.

Esta fábula do almiscareiro nos convida a buscar um equilíbrio entre a relação com o mundo externo e a relação com o mundo interior. Sócrates já dizia “Conhece-te a ti mesmo para depois conhecer a verdade sobre todas as outras coisas”, demonstrando que sem saber quem você é não é possível viver em harmonia com a vida.

Com relação a essa busca do autoconhecimento e da verdade, Jesus afirmou: “a verdade vos libertará”. Essa verdade está dentro de nós e deve ser encarada para superarmos nossos traumas, nossas imperfeições.

Confirmando o que Jesus já falava, Freud disse: “a verdade cura”.  E ele também estava certo ao perceber que toda mentira que ficava escondida no inconsciente das pessoas era a causa das doenças psíquicas. Freud chamava essas mentiras de conteúdos reprimidos, conteúdos estes que se tornavam uma ameaça para o indivíduo quando eles, em forma de impulso, ameaçavam romper na consciência, manifestando diferentes comportamentos prejudiciais para o indivíduo e na sua relação com a sociedade. No meu entendimento são esses impulsos provenientes do inconsciente, que não foram integrados através de uma busca pela verdade,  a causa da violência e da agressividade que vemos nos dias de hoje.

Por isso considero importante que cada indivíduo possa encontrar a sua forma de meditação que o coloque em contato consigo mesmo, podendo observar esses conteúdos, essas mentiras que estão escondidas e precisam ser clareadas para a recuperação do equilíbrio e da harmonia.

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