Expresse-se

Pensando no empoderamento sexual das mulheres, acredito que ainda temos muito pra avançar nesse sentido, por mais passos largos que já tenhamos dado ao longo da nossa história

Postado dia 08/03/2016 às 00:00 por Luanda Nogueira

machismo (1)

Não é raro muitas mulheres ainda estarem no lugar de “objeto sexual” do homem, muitas delas ainda se calam, sofrem, sentem dor na relação sexual, guardam sentimento de insatisfação e, mesmo assim, se colocam no lugar de culpadas.

No discurso de muitas mulheres que buscam ajuda profissional na esfera sexual, na maioria das vezes elas afirmam que a culpa é delas.

Durante a história os papéis sociais aos quais a mulher foi rejeitada limitaram-na de falar e expressar sobre seus desejos e vontades, e isso implicava no que ela podia querer ou não.

Aliás, séculos atrás era considerado anormal a mulher que tivesse orgasmo ou que apreciasse o sexo e essa ideia ainda impera para muitas mulheres até hoje.

Foi com o advento revolucionário da pílula que o “prazer” foi  “autorizado” à mulher, antes disso, a função do sexo era somente para procriação e prazer do homem.

E isso ainda é tão recente, que não admira muitas mulheres estarem ainda nesse lugar, de não expressarem o que realmente querem e desejam, muitas vezes por medo, pois as barreiras da censura, mitos e tabus que envolvem o tema são tarefas árduas de serem desconstruídas.

Nos tempos atuais ainda é visível o modelo da mulher que serve, que atende as vontade do “outro” e aí que cabe muitas vezes esse lugar que algumas insistem em se colocar, de “objeto” do homem.

É comum observar o empenho da mulher em se preocupar muita mais com o parceiro do que com ela mesma, visto que qualquer queixa o problema não é do homem e sim dela, por isso que na maioria das vezes são as mulheres que buscam ajuda profissional.

Falar sobre o empoderamento sexual feminino  faz refletir sobre o respeito ao seu corpo, seus desejos, suas vontades, o que  desejam ou não. O incentivo da comunicação dessa mulher abrange todos os aspectos inclusive a própria violência verbal, física e o assédio sexual sofrido, muitas vezes calada.

Essa conscientização faz com as mulheres não se calem mais, não silenciem suas emoções, sentimentos que muitas vezes sufocam e acabam por resultar em adoecimento, resultados esses que não são raros de constatar em muitas mulheres na clínica.

Quanto mais a mulher se apropriar de seus Direitos e se permitir a falar, expressar o que sente, acredito que mais próximas estaremos de uma relação mais saudável em todos os sentidos.

Precisamos aprender e aceitar que o sexo não significa só prazer e satisfação, mas tem a ver com o respeito por si própria, consciência do seu valor e estima, e que merecemos tudo de melhor, e isso tem que ser uma constante!

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Sobre o Autor

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Luanda Nogueira

Psicóloga com Enfoque em Sexualidade Humana, Educação e Saúde Sexual.

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