Eu tento não gostar de Temer, mas ele não colabora

Tudo que o presidente da República propôs como emergência e passos a serem seguidos, até o momento vem cumprindo

Postado dia 21/10/2016 às 11:19 por Pedro Henrique

 

temer

Foto: Reprodução

No dia 18/10 fomos agraciados com um dos acertos mais gritantes do governo Temer. Através da sua bancada na Câmara dos Deputados: a liberação de 1,1 bilhão[1], para o FIES e ENEM, foi votada e passou, agora o próximo passo é a sanção do presidente. Tal medida é urgentíssima, pois salva milhões de estudantes em suas carreiras acadêmicas e, futuramente, profissionais. O rombo nos cofres públicos resultante da corrupção sistemática de que já temos ciência, aliado à crise interna, já vinha limitando as verbas destinadas à educação ainda no governo Dilma[2].

Minha filosofia política prevê gastos públicos necessários e extremamente vitais a qualquer nação. A educação é uma delas, talvez a mais importante de todas. A minha grande ressalva ao governo Temer até o dado momento era sua política muito voltada à economia, o que não é ruim, mas completamente insuficiente. Se a educação é um dos pilares do ordenamento civil, primeiramente deve-se cuidar dela, ou, no máximo, ao mesmo tempo que cuida da economia.

Poderá se advogar a mudança corajosa de Temer no Ensino Médio. Entretanto, sejamos verdadeiros, ainda não temos prova alguma de sua eficácia, além dos muitos e retumbantes discursos do Ministro da Educação. A verdade é que a educação deveria ser visada por esse governo de forma primígena; ainda que tardiamente — se é que podemos considerar poucos meses como tardio — o governo parece estar investindo nesse intento atualmente.

O que devemos levar em conta em tal medida é a praticidade e a transparência das ideias do governo atual: tudo que ele propôs como emergência e passos a serem seguidos, até o momento ele vem cumprindo. Defendi tal governo frente à inépcia do anterior, defendi como maneira emergencial dada a crise moral, política e institucional que repousa sobre o PT. Defendi, também, sabendo que não era — e nem é — o governo ideal para o país, apenas o estepe necessário.

O PMDB possui uma atuação nojenta na política brasileira. Ele é a periguete dos partidos governantes: a ele não importa muito a visão política defendida nem as medidas e atuações previstas pelo governo em vigor, basta tão somente estar unido de maneira conjugal ao governo que se posta como reinante.

Entretanto, como forma de justiça, devemos aplaudir a coerência das escolhas e das pautas trazidas a debate e a votação no Congresso. Pautas essas de uma sanidade estrutural em vista das urgências nacionais. Pautas realmente emergenciais foram levadas a cabo, como a diminuição dos cargos públicos e a aprovação PEC 241 que limita os gastos governamentais. A coragem de Temer e de sua equipe, sem entrar no mérito dos nomes que a compõem, merece ser verdadeiramente elogiada.

Outro aspecto que, pela luz da justiça, eu devo efetivar em palavras é a coerência da bancada petista que votou pela liberação da verba[3]. Ainda que a política do FIES seja uma vitória do governo petista, a bancada, como voto de protesto, poderia ter se oposto, como em outras oportunidades bem o fez, atitude nojenta sobre a qual já escrevi aqui mesmo na Sociedade Pública: “Quando um partido vale mais que a nação”[4].

Me parece que, em alguns momentos, ainda que rancorosos, governo e oposição petista podem unir força em prol do país. Ainda que, sinceramente, creio terem eles votado positivamente somente por ser um projeto petista o FIES, tendo em vista que em outras oportunidades tentaram obstruir a votação.

O fato é que, quando há acertos, devemos elogiar. Quando há erros, devemos ferrenhamente criticar. Este é o papel do crítico político, aquele que possui a arte da escrita e o dever da retórica em suas mãos. O governo vem acertando e, ainda que eu deseje ferrenhamente as eleições de 2018, a verdade é que Temer está se mostrando um excelente líder, capaz, inteligente, profundamente diplomático e decidido em suas opiniões.

O pulso firme que faltou a Dilma parece sobrar em Temer. Entretanto, devo me ressalvar, isso tudo em vistas do que foram feitos nesses poucos meses de governo. Futuramente ele poderá se mostrar tão corrupto, fraco e decepcionante como Dilma mostrou ser aos seus ex-seguidores mais lúcidos.

Quando se trata de elogiar um governo, devemos sempre ficar com um pé atrás. Podemos fazê-lo, assim como podemos confiar a um dependente químico em abstinência a profissão de farmacêutico: queremos crer e confiar piamente em sua força moral, ainda que nos seja extremamente prudente desconfiar de suas possíveis fraquezas.

[1] http://g1.globo.com/educacao/noticia/2016/10/congresso-aprova-credito-de-r-7025-milhoes-para-fies.html
[2] http://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2016/01/02/educacao-perde-r-105-bi-em-2015.htm
[3] http://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2016/10/18/congresso-aprova-projeto-que-libera-recursos-para-o-fies
[4] http://sociedadepublica.com.br/quando-um-partido-vale-mais-que-nacao/
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Sobre o Autor

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Pedro Henrique

Pedro Henrique, filósofo, ensaísta, crítico social, estudioso de política e palestrante

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