Eu sou da turma do Erasmo

Para tudo há seu tempo e creio realmente que haverá de chegar mais rapidamente a era em que as pessoas avaliem os valores morais, a ética, a intenção e a capacidade de resolver os problemas

Postado dia 18/12/2015 às 00:00 por Fernando Lucas

ERASMO DE ROTTERDAN

Continuo no meu período “sabático” pós processo-eleitoral, numa mistura de descanso da mente, exercício físico regular, trabalho focado na área empresarial que trás desafio e aprendizado além da bem vinda e necessária receita oriunda do trabalho.

Nesse meio tempo, tenho lido bastante, algo que sempre me interessou e deu prazer, mas que no ano passado, de trabalho intenso para viabilizar minha candidatura e durante o processo eleitoral em si, ficou bem prejudicado. Mas já estou tirando o atraso com sete livros lidos em menos de três meses.

Bem, no momento estou me aprofundando no livro Elogio da Serenidade, do filósofo Italiano Norberto Bobbio, que vim a conhecer através do Raymundo Magliano Filho, fundador do Instituto Norberto Bobbio no Brasil.

Esse livro trata, como o próprio subtítulo diz, de alguns escritos morais. Trata da questão de valores morais em contraponto e à luz das variadas áreas da humanidade ao longo da história e em especial o autor vai além, especificamente na avaliação das questões morais versus a prática da política.

Foi lendo Bobbio que vim a entender, pelo menos filosófica e teoricamente, o que entendi e que vivi na prática, a experiência de minha primeira incursão no mundo da política partidária e na disputa de uma eleição.

Bobbio faz um inteligente e conceituado contraponto entre a Política sustentada pela Moral, ou Idealista e a política Amoral, sem base ética e moral, sustentada apenas no resultado conquistado por quem tem poder. Ele faz o leitor comum, como eu, saber que na mesma época em que Maquiavel escreveu o famoso livro O Príncipe, clássico manual da política realista, ou melhor, com base no princípio de que “os fins justificam os meios”, houve também outro autor, Erasmo, que escreveu A Educação do Príncipe Cristão, justamente o oposto do que pregou Maquiavel, sendo assim, o exemplo de política idealista.

Além disso, contrasta outros dois pensadores e renomados filósofos modernos que abordam o mesmo tema, Kant e Hegel, o segundo realista, e o primeiro, idealista, já que pelas próprias palavras do autor “o ideal de Kant é o político moral, ainda que com o eventual sacrifício de seus interesses particulares”.

Analisando a história antiga cheia de guerras, conflitos e atrocidades em nome do poder e da conquista, somadas à história bem atual e local, trazida à luz desde o mensalão até as telas do cinema pelo filme Tropa de Elite 2, podemos constatar que invariavelmente a humanidade escolheu e se deixou levar por líderes que leram Maquiavel e Hegel e que, infelizmente,  conscientes ou não, ignoram Kant e Erasmo.

Essa também foi minha constatação na prática do difícil exercício de disputar uma eleição pela primeira vez, logo concorrendo ao cargo de Deputado Estadual, sem ter um histórico político, calcado totalmente pelo patriotismo e idealismo de fazer diferença para a construção de um País e um mundo melhor, onde a moral e o amor imperem. Em tempo, uma campanha sem ter financiamento escuso ou duvidoso.

Bem, é só acompanhar o noticiário desses últimos meses, em especial, onde foi diplomado o palhaço Tiririca para a Câmara Federal, sendo o mais votado do país para constatarmos que ainda (e realmente acredito que ainda, pois haverei de ver chegar o dia e que a moral fale mais alto que o pragmatismo na política) temos uma larga vantagem para a política amoral, onde os fins justificam os meios e que o cidadão com pilares morais sólidos não é ouvido por parcela significativa da sociedade – apesar de que sou bem grato as 34.000 pessoas que votaram em mim que certamente pensam como eu e acreditam que é sim possível – uma vez que de 1.300.000 para 34.000 votos de há uma grande margem e diferença ainda para ser trabalhada.

Pois bem. Como todo idealista que traz do fundo do coração seus ideais e de sua alma os valores morais, reitero que não vou desistir, pois para tudo há seu tempo e creio realmente que haverá de chegar mais rapidamente a era em que as pessoas avaliem os valores morais, a ética, a intenção e a capacidade de resolver os problemas mais do que pelo simples manipular da comunicação e pelo tanto que se gasta em uma campanha.

Enquanto isso, vou trabalhando, me esforçando e fazendo o que estiver ao meu alcance para que esse tempo chegue mais rápido.

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Sobre o Autor

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Fernando Lucas

Empreendedor, membro de conselho de Administração. Ativista por consciência, cidadania, sustentabilidade.

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