Eu entendo mas finjo demência

O que pode acontecer com as políticas culturais para o próximo ano?

Postado dia 08/07/2016 às 09:00 por Cidão Fernandes

culturais

Foto: Reprodução/Internet

Após as eleições municipais que se avizinham, tudo fica meio incerto, mas como aqui o negócio é cultura então é importante entender que, nesse caso, o negócio é tão complexo e difícil quanto qualquer outro tema ou necessidade da população.

Não entendi as gestões em cultura na região do Alto Tietê nas atuais administrações. Adoraria entender mas não consigo. Poderia listar aqui uma série de “eu não entendo”, mas quero começar com o “eu não entendo” porque, mesmo tendo artistas em várias pastas nas gestões públicas, não houve uma compreensão de um diálogo real entre gestores culturais, fazedores artísticos e administrações municipais.

O que fica pra mim é a pergunta: para onde você vai, gestor municipal que é artista, depois que acabar essa sua administração? E mais: foi pra isso que você entrou como secretário de cultura? (sim, em minúsculo mesmo).

Dá uma preguiça disso, acreditem. Definitivamente não existe um elo ético entre secretarias de cultura da região e suas reais funções. Não há tentativa de propor novas formas de fomentar e potencializar meios que realmente a população compreenda como importante para impulsionar a arte para ouvidos, olhos e pele de todo mundo. Não há.

Eu não sei o que acontece. Não entendo porque não há uma meia dúzia de conversas francas, de expor parte da impotência da gestão pública – que há mesmo – e que só tem força e legitimidade com a parceria de artistas e suas complexidades de objetivos, escolhas pra vida e práticas por vezes contraditórias.

Amaria saber que sairíamos desses últimos quatro anos falando entre nós:  “Vocês viram? Em (cidade x) teve um avanço incrível!!! Todo mundo reconhece!!!” Amaria dizer isso mas não direi porque não houve.

E agora teremos novas propostas – ou não – com novos candidatos – ou não – e receio que continuaremos a não entender porque uma pasta com tanto potencial é tratada com tanto desprezo e incompetência proposital por seus gestores.

Alias, eu entendo, mas finjo demência.

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Sobre o Autor

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Cidão Fernandes

Ator, diretor teatral e produtor artístico. Diretor Geral do Teatro da Neura, grupo com 11 anos de trabalhos sediado em Suzano. Militante cultural e curioso.

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