A Estrela de Cinco Pontas

As cinco pontas da Estrela lembram os cinco sentidos que estabelecem a comunicação da alma com o mundo material

Postado dia 18/07/2016 às 08:00 por Antonio Carlos

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Foto: Reprodução/Internet

Quem olha para fora sonha;

Quem olha para dentro desperta!

(Anônimo)

  

CONTEMPLAÇÃO DA ESTRELA FLAMÍGERA

Através dos séculos, sempre existiu a preferência por uma estrela de cinco pontas como figura dos astros de aparência menor do que a do sol e a lua.

O planeta Vênus tem sido representado assim. Era considerado uma estrela matinal e vespertina, ensejou lendas sem conta.

A Vênus amorosa e leviana teve vários nomes, como Afrodite (feita da espuma do mar), a Calipígia (de nádegas bonitas), Cipres, Páfia, Citeréia, Anadómene (surgindo das águas) e Dionéia, nome de sua mãe. Esposa adúltera de Vulcano, amante de Marte, a quem dedicou galanterias comentadas jocosamente pelos Deuses do Olimpo, apaixonou-se pelo mortal Adônis, a quem perseguia e cortejava desesperadamente desde que o viu caçar nas florestas do Líbano – não parou nem mesmo quando ele, no inferno, tornou-se amante de Prosérpina. Conformou-se com a sentença de Júpiter, que autorizou Adônis a passar quatro meses com ela e os meses restantes do ano com Prosérpina. Além disso, na simbologia greco-romana, Vênus ou Afrodite era a Deusa do amor, mãe de Eros ou de Cupido.

gAdônis representava a natureza, a fecundidade capaz de persistir em todas as estações do ano, ou de renovar-se na primavera. Há certas analogias místicas e, mesmo, derivações entre Ishtar, da Mesopotâmia, Astarte, dos Fenícios, a grande mãe Cretense e outras Deusas protetoras do amor, da fecundidade e da geração, e Vênus, a incorrigível adúltera.

Por outro lado, a Estrela de Cinco Pontas sempre foi, desde tempos remotos e até hoje, o distintivo de comandantes militares.

Como Símbolo Maçônico, A Estrela Flamígera, Flamejante ou Flamante é rigorosamente de origem Pitagórica, pelo menos quanto ao seu formato e significado, este muito mais antigo do que aqueles que lhe deram alquimia, a magia e o ocultismo, durante a Idade Média.

O seu sentido mágico alquímico e cabalístico e o seu aspecto flamejante foram imaginados ou copiados por Cornélio Agrippa de Nettesheim (1486-1533), jurista, médico e teólogo, professor em diversas cidades europeias.

A magia, dizia ele, permite a comunicação com o superior para dominar o plano inferior. Para conquistá-la, seria necessário morrer para o mundo (Iniciação). Símbolo e distintivo dos Pitagóricos, a Estrela de Cinco Pontas ou Estrela Homonial é também denominada com impropriedade etimológica, Pentáculo (cinco cavidades), Penta Grama (cinco letras ou sinais gráficos, cinco princípios) ou Pentalfa.

Importa saber que os pitagóricos a usam para representar a sabedoria (sophia) e o conhecimento (gnose).

Por desconhecimento do Grego Clássico, alguns autores de livros chegaram a afirmar que no interior da Estrela Pitagórica estava escrita a letra H, de higiene. Ora o H, no grego, é a letra “ETA”; devidamente acentuada, é artigo definido. Nada tem a ver com a palavra “ingueia” ou “ugueia”, começada com ipsilon, radical do qual derivou “higiene”, a maneira latina, dado que os romanos cometiam o erro de ligar o artigo com o substantivo.

Mais provável é afirmar que os pitagóricos empregavam no interior do pentáculo a letra gama, de gnoses: não há como esquecer a comprovada ligação dos pitagóricos com os mistérios órfilos.

O dualismo corpo e alma (soma e anemos), sustentado pelos órficos, integrava a doutrina da escola itálica.

Pitágoras nada escreveu. O que se pode saber dele está nas alusões constantes dos diálogos ou dialética escritas por diversos autores gregos e romanos.

Entre os pitagóricos a alma tinha o significado de animação e fator de movimento. Alguns deles falavam de um pó sutil que se movimentava como os astros. Outros entendiam por alma a força que movimentava esse pé, ou o próprio movimento cíclico dessa consistência etérea, capaz de introduzir-se no recém-nascido racional ou irracional quando este seria atingido pela trajetória circular do elemento sutil.

A Estrela Flamígera era um símbolo desconhecido pelos pedreiros livres medievais. Seu aparecimento na Maçonaria, a partir de 1737, não encontrou guarida em todos os Ritos. O certo é que os construtores medievais conheciam a figura estelar apenas como desenho geométrico, e não com interpretações ocultas que se introduziram na Maçonaria especulativa.

A Estrela Flamejante corresponde ao Pentagramaton, ou Tríplice Triângulo cruzado dos pitagóricos. Distingue-se do Delta ou Triângulo do Oriente – embora, entre os antigos egípcios, representasse também Horus, que em lugar do pai, Osíris passou a governar as estações do ano e o movimento. O verdadeiro sentido da Estrela Flamígera é Homonial. Eis que o símbolo designa o homem espiritual, o indivíduo dotado de alma (anemos), ou de fator de movimento e trabalho. Ou seja, o indivíduo como espírito ou fagulha interna que lhe concedeu o Grande Arquiteto do Universo.

A ponta superior da Estrela é a cabeça humana, a mente.

As demais pontas são os braços e as pernas. Na Maçonaria essa ideia serve para lembrar ao Maçom que o homem deve criar e trabalhar, isto é, inventar, planejar, executar e realizar, com sabedoria e conhecimento. Pode ocorrer que o ser humano falhe nos seus desígnios. O Maçom também pode falhar como ser humano, mas seu dever é imitar, dentro de seus ínfimos poderes, o Grande Arquiteto do Universo, o ser dos seres.

Aí está o principal segredo do Grau de Companheiro.

Outra interpretação é a que se refere a 3+2=5, soma em que três é a divindade cuja fagulha é encarnada e dois é o material, o ser que se reproduz por dois sexos opostos e não consegue perpetuar-se de outro modo.

pentagrama 2

As cinco pontas da Estrela ainda lembram os cinco sentidos que estabelecem a comunicação da alma com o mundo material. Tato, audição, visão, olfato e paladar, dos quais para os Maçons três servem a comunicação fraternal, pois é pelo tato que se conhecem os toques. Pela audição se percebem as palavras e as baterias, e pela visão se notam os sinais.

Mas não se pode esquecer o paladar, pelo qual se conhecem as bebidas amargas e doces, bem como o sal, o pão e o vinho. Finalmente, pelo olfato se percebem as fragrâncias das flores e os aromas do Altar de Perfumes.

A letra “G”, interior com o significado de gnose ou conhecimento, lembra a quinta essência, quanto ao transcendental.

Quanto ao Homonial, lembra ao Maçom o dever de conhecer-se a si mesmo.

No Grau de Companheiro recomenda-se ao Maçom o dever de analisar as próprias faculdades e bem empregar os poderes pessoais em benefício da humanidade.

POSIÇÃO DA ESTRELA FLAMÍGERA NO TEMPLO

Os Rituais do mundo e os diversos Ritos Maçônicos não se entendem também quanto à colocação da Estrela Flamígera no alto do recinto do Templo. Uns a colocam no Oriente à frente do trono, outros a configuram no interior do Delta, o que parece mais sugestivo, principalmente quando o Obreiro, na elevação de Grau, é chamado a contemplar o Triângulo Radiante.

Outros, entendendo que ela é de brilho intermediário, isto é, de luminosidade simbolicamente situada entre a luz ativa do sol e a luz próxima ou reflexa da lua, mandam situá-la no meio do teto do Templo, dependurada, ou pelo menos no meio-dia, onde, à maneira inglesa, está o 2º Vigilante.

Outros a consideram uma Estrela do Ocidente. Lojas do Rito Moderno as têm colocado no Ocidente ao lado o 2º Vigilante (norte).

Entende-se que a melhor forma é se colocar a Estrela Homonial no meio do teto do Templo, ou de maneira que o Iniciado possa contemplar o Símbolo quando é chamado a fazê-lo.

 

SIGNIFICADOS MAÇÔNICOS DA LETRA G NO INTERIOR DO PENTAGRAMA

Ficou demonstrado então que a melhor significação do G central do pentagrama é gnose=conhecimento.

O caráter Homonial da Estrela Flamejante é indiscutível, a luz das fontes pitagóricas e das referências gregas e romanas.

Ninguém negaria ao Símbolo o seu sentido mágico, sendo que Pitágoras se dedicava à magia.

Não vemos, portanto, qualquer possibilidade de se confundir o pentagrama com o Delta. Este é divino e aquele é Homonial e referente ao homem espiritual.
g3No pentagrama a letra G quer dizer principalmente gnose. Porém, para satisfazer gregos e troianos, é necessário se acrescentar os significados GERAÇÃO, GÊNIO, GEOMETRIA e GRAVITAÇÃO, e também GLÓRIA PARA DEUS, GRANDEZA PARA O VENERÁVEL DA LOJA, ou para A LOJA, e tem sido registrado em muitos Rituais Maçônicos na tentativa de se encontrar ligação entre estes hipotéticos significados da letra “G”.

Diz-se que GERAÇÃO estaria ligada ao princípio (gênesis da Bíblia) ou a Arquem, dos gregos. Gênio seria o correspondente a “DJINN” dos árabes e a “GINES” dos persas, que no ocultismo tange aos chamados “ELEMENTAIS” ou “SEMI-INTELIGENTES ESPÍRITOS DA NATUREZA” e em outras interpretações quer dizer o espírito criador ou inventor, ou a chama realizadora.

GEOMETRIA, ciência da medida das extensões, que lembra as regras do grande geômetra para realizar a Arquitetura do Universo. Na sabedoria ela provocou os diálogos sobre ORDEM, EQUILÍBRIO e HARMONIA. A GRAVITAÇÃO lembra Newton e sua lei: A matéria atrai a matéria na razão direta das massas e na razão inversa do quadrado das distâncias.

ARQUEU, O PRINCÍPIO, O FOGO REALIZADOR

A palavra Arqueu deriva do grego e queria dizer princípio, principal, primeiro, príncipe, reino, domínio. Para os gregos, a palavra tinha o sentido de poder formador da natureza. Seria a essência vital que exprime as propriedades e as características das coisas.

Por comparação, corresponderia ao sopro divino que deu vida a Adão na Bíblia.

Ensinam certas instruções maçônicas o motivo simbólico das chamas que envolvem a Estrela Pentacular, relembrando Arqueu, o Fogo Realizador, ou ensinando que a letra G significa o gênio ou a ÁSCUA SAGRADA que anima o Companheiro Maçom à realização.

Tem-se afirmado que a Estrela Flamígera traduz a luz interna do Companheiro Maçom ou que representa o próprio homem Maçom dotado da luz divina que lhe foi transmitida.

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Sobre o Autor

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Antonio Carlos

Antonio Carlos é mestre em economia e palestrante. Além de ser autor de vários livros voltados para ciências e espiritualidade.

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