Estamos mesmo em crise?

A Natureza ensina: assim como há hora de florescer, há hora de aquietar. O inverno sempre vem. Precisamos mesmo espernear?

Postado dia 26/10/2015 às 11:45 por Tania Zaccharias

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É interessante observar algumas coisas, que quando vistas de fora são tão óbvias que parecem até que não valem a pena de serem ditas. Mas gosto dessas coisas – elas têm uma graça especial, aquela que a gente ri sozinho quietinho lá dentro, sabe?! Convido vocês hoje para uma dessas reflexões.

Falamos i-n-i-t-e-r-r-u-p-t-a-m-e-n-t-e de crise. Econômica, no Brasil, no mundo. É quase como falar do apocalipse, sempre tem aquele tom que anuncia o fim dos tempos. E claro, entre opiniões, críticas e análises, nas entrelinhas quase sempre fica aquele gostinho de que tudo isso poderia ser evitado, abolido e quiçá nunca experienciado por nós, absolutos e maravilhosos seres humanos.

Legal.  Mas tenho minhas dúvidas (pausa). Vamos então olhar para algo simples – e óbvio – a Natureza.

Qualquer um que tenha mais de 1 ano de vida, experimentou um de seus mais simples e óbvios fenômenos: a ciclicidade. Para florescer, tem que morrer. Para ter verão, tem que ter inverno. Para subir, tem que descer. A Natureza é cíclica. É assim…. E ponto.

Mas para nós, seres-humanos-acima-de-suas-meras-leis, não. Para nós, é possível podermos projetar números sempre crescentes de vendas, consumo, produção, e tudo mais achando que a dinâmica que coordena a realidade, é feita com fórmulas de Excel.  Desde as salas da GV aos anos que atuei como consultora de negócios sempre achei graça dessa questão: Pera! Se o mundo todo projetar tudo sempre de forma crescente, não é meio óbvio que não vai funcionar? Nunca senti que precisasse de um gênio da física quântica para responder isso. A árvore da esquina, sem falar, pode nos dar essa resposta ao deixar suas folhas caírem no outono.

Então, eis que em um momento, a “conjuntura” (seja lá o que isso signifique!), se reajusta. Vendas, mercados, economia, caem. Os seres humanos se chocam, esperneiam, se sacodem… estamos em CRISE!

Será? Será que estamos em crise ou estamos simplesmente nos negando a nos enxergar como Natureza? A reconhecer que a “conjuntura econômica” não é um alterego do Planeta, que funciona segundo nossas próprias leis. A máxima econômica – que me lembro de sentir um choque quando ouvi pela primeira vez nas sala da GV – de “o que é escasso tem valor” é tão, mas tão absolutamente desconectado de nós enquanto espécie do Planeta, que quem sabe o que hoje chamamos de crise, seja apenas uma forma da nossa generosa Mãe nos chamar de volta para a casa – de nos convidar, ainda que com aquele ar bravo e um puxão de orelha, a rever as bases sob as quais fundamentamos toda a nossa estrutura de pensamento, dinâmica de vida e economia. Pedindo, com um chinelo na mão,  que voltemos a ser óbvios.

Assim como há hora de prosperar e florescer, há hora de aquietar. E nem por isso plantas, árvores e cigarras choram e esperneiam quando vem o inverno. Animais se recolhem e esperam ele passar pois sabem que vai florescer novamente. E tudo isso harmonicamente, e sem – com o perdão do trocadilho – crise!

Acho tudo isso bem óbvio. E confesso que quando penso nisso acho graça de nós, seres humanos, e nossos aparatos para lidar com a vida! E felizmente, encerro essa reflexão, sem conseguir conter um leve riso, aquele, que a gente ri sozinho lá dentro…

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Sobre o Autor

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Tania Zaccharias

Ex-menina, atual mulher "porque". Entusiasta da poesia da vida real, curiosa por tudo e sempre questionadora.

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