Essência humana

É possível sair do zero e progredir em prol da causa animal. Basta vontade política, com a imprescindível participação popular.

Postado dia 14/11/2016 às 09:00 por Junji Abe

Foto: Reprodução

Foto: Reprodução

Ainda falta muito para garantir políticas públicas direcionadas ao tratamento digno dos animais. Mas, quando vejo as ações desenvolvidas em Mogi das Cruzes, sinto orgulho dos avanços. No ano 2000, com a ajuda da população, preparávamos o PGP (Plano de Governo Participativo). Elencamos a implantação de um local apropriado para atendimento de cães e gatos abandonados na lista de compromissos a serem honrados.

Quando chegamos à Prefeitura, sabíamos que os animais recolhidos eram levados para o tal do “barracão” – um depósito de materiais da Prefeitura. A realidade era bem pior. Não bastassem as instalações absurdamente precárias, não havia pessoal especializado. Ou seja, nem um único médico veterinário. Os bichinhos apreendidos eram mandados para laboratórios de pesquisas. Viravam cobaias. Eram tirados das ruas para serem torturados em testes dos mais diversos.

Saber da barbaridade que se passava a alguns metros do prédio-sede da Prefeitura me arrasou. Interrompi as remessas para laboratórios, contratei veterinários e comecei a cruzada para viabilizar a implantação de um Centro de Controle de Zoonoses (CCZ). Em 2006, inauguramos o espaço, dotado de tecnologia de ponta e classificado como um dos mais modernos do País. A estrutura possibilitou, por exemplo, a inédita campanha de esterilização gratuita de cães e gatos e a vacinação antirrábica em massa, além de ações de conscientização para a posse responsável. Tudo, sob a supervisão de veterinários da Prefeitura.

Nosso sucessor, Marco Bertaiolli, deu continuidade ao processo. Lançou o Petmóvel que leva aos bairros o serviço de castração de cães e gatos. O Centro de Bem-Estar Animal coloca Mogi no rol dos raros municípios dotados de um hospital veterinário gratuito, voltado às famílias mogianas desprovidas de recursos para cuidar dos animais de estimação. A unidade também eleva os índices de castração animal. ONGs estimam que haja 25 mil bichinhos perambulando pelas ruas.

Como se vê, é possível sair do zero e progredir em prol da causa animal. Basta vontade política, com a imprescindível participação popular. Contudo, isso não elimina a necessidade de a população agir, com responsabilidade, na relação com os animais domésticos. Adotá-los significa inseri-los em sua família. Isso exige alimentação, vacinas, cuidados e amor. Castrar também é um ato de amor, porque reduz a incidência de câncer. Lembre-se ainda de que, por mais monstruoso que seja, há gente abandonando ninhadas de filhotes no lixo. Temos a grande oportunidade de colaborar para resgatar valores perdidos em meio à violência cotidiana. E, principalmente, de preservar a essência humana, em nós mesmos e nas gerações futuras.

Compartilhar:

Sobre o Autor

avatar

Junji Abe

Junji Abe, 75 anos, mogiano, produz e comercializa flores e plantas ornamentais, e foi prefeito de Mogi das Cruzes por duas vezes seguidas (2001-2008)

Obs: As postagens do autor são de plena responsabilidade do mesmo, o portal se isenta de qualquer conteúdo que possa ser ofensivo.

Veja mais posts deste autor

Leia também

Assine a nossa newsletter