Esqueça a ração

As consequências de alimentar o pet com as bolinhas industrializadas podem ser graves. No mundo inteiro, especialistas recomendam a volta à alimentação natural

Postado dia 16/08/2016 às 08:00 por Renato Faury

comida

Foto: Reprodução/Internet

A obesidade em cães e gatos é uma doença recente, que surgiu com o aparecimento das rações industrializadas, que utilizam os conservantes BHA e BHT. As duas substâncias foram classificadas como cancerígenas pela Agência Internacional de Pesquisa sobre Câncer, um braço da Organização Mundial de Saúde.

Os cães precisam consumir uma quantidade suficiente de água e as rações comuns contêm cerca de 11% de umidade, contra uma média de 70-80% da comida natural. A maioria dos casos de cálculo renal em cães é causada pelo consumo de ração.

Apesar das evidências, ainda somos encorajados pelos próprios veterinários a manter a alimentação industrializada. A justificativa é de que uma alimentação natural pode não ser capaz de suprir todas as necessidades nutricionais dos animais ou poderia fazer mal à saúde deles. Até mesmo o Conselho Federal de Medicina Veterinária se mostra contra a prática da alimentação caseira.

Essas indicações têm fundamento: até os anos 1970 ou 80, a maioria dos animais domésticos era alimentada com sobras de comida, ou mesmo com alguns pratos feitos especialmente para eles, mas sem nenhum cuidado com a dieta recomendada para cada espécie. Muitos acreditam que uma alimentação balanceada para os cães (animais carnívoros, com tendências onívoras) é a mesma que uma alimentação balanceada para nós humanos (onívoros).

Acontece que os caninos se alimentaram exclusivamente de suas presas por tanto tempo que seus organismos estão completamente adaptados a uma dieta que contenha grandes quantidades de carne crua.

A AN (alimentação natural) vem sendo novamente adotada em larga escala nos Estados Unidos, na Austrália e na Europa. As opções vão de dietas cruas com ossos a dietas com carnes e vegetais cozidos.

“A espécie humana é a única que cozinha sua comida. E ainda assim não entendemos totalmente os prós e contras do cozimento. Entretanto, para todas as outras espécies a dieta biologicamente apropriada é a crua, sem exceções”, afirma o veterinário australiano Tom Lonsdale, autor do livro “Raw Meaty Bones e Work Wonders”. Ele propõe uma dieta essencialmente crua para cães e gatos.

Alguns alimentos não devem fazer parte da dieta dos pets: ossos de galinha cozidos e cebola, enquanto o alho pode ser utilizado, desde que em doses muito pequenas.

O mais importante é que quem opta pela alimentação natural aprova a escolha. A maioria dos criadores que faz esta opção relata uma série de melhorias, que vão desde a prevenção do mau hálito, até a diminuição da queda de pelo, além da redução no volume e no odor das fezes dos animais, sinal de que o organismo está absorvendo melhor os alimentos.

Adotar a alimentação natural cozida não é o mesmo que dar restos de comida para seu pet, já que as necessidades de nutrientes são outras. Deve ser levado em consideração o tempo de adaptação da dieta, que deve durar de 7 a 10 dias. Os novos alimentos devem ser introduzidos gradualmente na rotina do animal para que o organismo possa se acostumar.

É uma fase de desintoxicação, quando o corpo expulsa as substâncias tóxicas. Nesse período, pode ocorrer aparecimento de coceiras, espinhas, fezes amolecidas e hálito forte, mas os sintomas desaparecem em poucos dias, assim que seu animal se adapta à nova alimentação.

Compartilhar:

Sobre o Autor

avatar

Renato Faury

Engenheiro civil pós graduado em Engenharia Ecológica, e Assessor do meio ambiente do LIONS Internacional Governadoria LC-5

Obs: As postagens do autor são de plena responsabilidade do mesmo, o portal se isenta de qualquer conteúdo que possa ser ofensivo.

Veja mais posts deste autor

Leia também

Assine a nossa newsletter