Esperanças de meia pataca

Cada vez mais percebo candidatos interessados em ter ao lado um artista para as fotos de apoiadores de campanha. No fundo sabem que artista se vende por pouco

Postado dia 25/01/2016 às 00:00 por Cidão Fernandes

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Como todos sabem 2016 é ano de eleição municipal. Vamos escolher aqueles que administrarão as prefeituras e os que serão responsáveis pelas leis e fiscalização das ações da prefeitura. Já faz tempo que a população está percebendo que o nível dos gestores públicos está bem ruim, em todas as áreas. Sem a credibilidade para encontrar a solução para os problemas acumulados nas cidades, receberemos a visita dessa galera que tem dinheiro para enfiar na nossa cabeça que podem resolver aquilo que sabemos não conseguirem.

Atentos a esse movimento estão os artistas. Relegados a coadjuvantes em todo processo de construção dos pseudo planos de governo dos candidatos, sabemos que as opções que teremos a frente na região do Alto Tietê são péssimas. Mas sigamos.

Já sabemos que nunca houve uma experiência de inserção da gestão municipal numa política que efetivamente perdure nas ações independente do candidato que ganhe. Cultura não está na ordem do dia nos orçamentos e pensamentos mínimos de ninguém que aspira por cargo público e isso é desalentador, uma vez que tira da população o direito do acesso e fruição da obra artística, além de sufocar os fazedores com ações pífias e políticas de balcão sempre pros amigos ou até mesmo ”critérios” de seleção de quem terá apoio para viabilização de projetos culturais de forma duvidosa.

Não tenho mais aquele discurso muito comentado por aí que os políticos não investem em cultura porque tem medo desse poder de transformação que ela pode proporcionar na sociedade. Cada vez mais vejo artistas se corrompendo em nome de sua extensa trajetória na arte, pela relevância que a sua obra merece ter ou até mesmo por estar cansado de lutar tanto e receber pouco. Haja vista que tivemos na região vários secretários de cultura ligados à arte e que tiveram suas gestões enfraquecidas pelos interesses pessoais ou políticos que atravessaram como espada afiada os reais interesses que a cultura precisa.

Artista não está acima do bem e do mal. Tem suas fraquezas e estamos vendo o quanto essas fraquezas não estão colaborando em nada quando temos a oportunidades de termos representantes como gestores públicos.

Sabe qual é o problema disso? É que político na média é um profissional e já percebeu que artista se vende bem mais barato que qualquer outro quando se trata de benefícios públicos. Deve ser por isso que cada vez mais percebo candidatos interessados em ter ao lado um artista para as fotos de apoiadores de campanha. No fundo sabem que artista se vende por pouco.

E aí para 2016 teremos um festival de hipocrisia e esperanças de meia pataca rondando tudo quanto é artista. Em surdina ou escancarado, não vai faltar artista querendo beliscar um pouco mais de conforto financeiro em 2017.

Boa sorte pra nós.

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Sobre o Autor

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Cidão Fernandes

Ator, diretor teatral e produtor artístico. Diretor Geral do Teatro da Neura, grupo com 11 anos de trabalhos sediado em Suzano. Militante cultural e curioso.

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