Escravos do Estado

Nessa época de declaração do Imposto de Renda, na qual sentimos o peso do Estado em nossas vidas, contemplamos os escândalos de corrupção de líderes políticos

Postado dia 27/03/2017 às 08:00 por Luiz Edmundo

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Foto: Reprodução

O Estado brasileiro tem-se mostrado um lobo feroz sobre aqueles que são os mais desprotegidos de suas investidas tributárias: os assalariados.

Essa presa fácil do fisco tem sua receita tributada na fonte, na folha de pagamento com o IR, o INSS e o imposto sindical. Alia-se a isso a extrema eficácia do sistema arrecadatório – paradoxalmente aos serviços que o Estado presta a população, a cobrança dos impostos funciona perfeitamente, dando pouca margem para manobras de sonegação.

Nessa época de declaração do Imposto de Renda, na qual sentimos o peso do Estado em nossas vidas, contemplamos boquiabertos frequentes escândalos de corrupção de líderes políticos e funcionários públicos, escândalos esses na qual os acusados beneficiam de tantas indulgências que a justiça não se realiza, tarda e falha.

Diante de tanta impunidade a justiça é olhada com desconfiança pela opinião pública. Estaria ela aparelhada por aqueles políticos que ela deveria julgar? Como se referem ao Supremo Tribunal Federal ao não condenar um só político por ele julgado. Seria essa uma evidência da articulação dos poderes Legislativo, Judiciário e Executivo, que garantiria a impunidade e a perpetuação da tolerância, da leniência com o mal feito das administrações públicas?

O trabalhador assalariado paga por todas as promessas de um Estado que nada realiza com eficácia, nos deixando com a nítida impressão que os esforços contributivos servem apenas para alimentar a corrupção.

A indignação é geral, vivemos períodos de profundo inconformismo, porém essa mesma força que expropria a economia do trabalhador assalariado, procura conduzir suas insatisfações para longe do alvo que de fato os libertaria da exploração.

Assim “lideres populares” levantam bandeiras das mais variadas, porém nunca tocando no aspecto fundamental que alimenta e fortalece cada vez mais o monstro da corrupção: a elevada carga tributária a que está sujeito o trabalhador assalariado desse país.

Nenhuma das bandeiras levantadas hoje reivindicam menores impostos.  E, associado a isso, a proposta do chamado “Estado Mínimo” nos debates político é tratada como uma escatologia, uma blasfêmia contra os interesses gerais da população. Óbvio, como diz a sabedoria popular: “Macaco não quebra o galho em que está sentado”.

Contraditoriamente, reforça-se a ideia que a solução para as mazelas nacionais está no Estado e na ação dos políticos. Ou seja, pretendem curar o mal com a própria doença.

A defesa do Estado conta com a adesão daqueles que, mesmo não sendo beneficiados pelos privilégios, têm na providência estatal, no seu assistencialismo, as mais prováveis expectativas de “salvação”, de melhoria social ou de elevação do padrão de vida.

leao2Não chega aos ouvidos das populações desses trópicos os ideais liberais que pregoam a autossuficiência dos indivíduos. Ideias como “cada pessoa é, sob todos pontos de vista, mais apta e capaz de cuidar de si que qualquer outra pessoa”, de Jeremy Bentham. Não se defende o direito à prosperidade, à riqueza como uma consequência natural de quem trabalha honestamente.

Se reduzíssemos a carga tributária, que os brasileiros pagam hoje pela metade, teríamos uma economia para os indivíduos de 20%. Isso elevaria sua poupança, podendo assim antecipar seu sonho de aposentadoria ou de independência financeira. Estimularia os mercados com o maior poder de consumo, geraria mais empregos e oportunidade de trabalho aos jovens e, também, aumentaria a receita tributária como consequência da maior atividade econômica.

Menos imposto é mais individuo, é mais prosperidade, é mais liberdade porque nenhum Estado, nenhum governo pode ser o protagonista de nossas vidas e nem o árbitro de nossas decisões.

Enquanto pagamos nossos impostos, vemos o desenrolar infindável de investigações e julgamentos que nunca terminam, mas sempre são substituídas por novos escândalos de corrupção que nos levam a esquecer os anteriores e nos mantêm, passivamente, pagando nossos impostos.

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Sobre o Autor

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Luiz Edmundo

Economista e doutor em engenharia da produção, dedicam-se ao ensino superior como professor.

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