A escola sem partido

Em tempos de política em êxtase, o senador Magno Malta (PR-ES) veio colocar mais combustível na fogueira: trata-se do projeto “Escola Sem Partido”

Postado dia 11/08/2016 às 08:00 por Marcelo Petersen

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Foto: Reprodução/Internet

Antes de começar propriamente o texto, sugiro a leitura de “Educadores hipócritas, alunos reféns“, de Pedro Henrique, que faz um contraponto que visa estimular o debate e a reflexão.

Em tempos de política em êxtase, o senador Magno Malta (PR-ES) veio colocar mais combustível na fogueira: trata-se do projeto “Escola Sem Partido”. A sociedade brasileira está fragmentada com a avalanche de notícias do Congresso e do Planalto que chegam pelos meios de comunicação. São muitos projetos e processos acontecendo ao mesmo tempo e a sociedade não tem tido tempo de uma reflexão mais aprofundada. Esse projeto, assim como outros, surgiu no vácuo deixado pela esquerda brasileira em crise.

Há campanhas contra e a favor da escola sem partido sem que as pessoas sequer tenham lido seu texto.

escola1O Senado criou uma enquete  – que não tem nenhum valor legal, mas serve como termômetro –  a respeito. O resultado parcial mostra claramente a divisão do país.

Todo o texto legal gira em torno da imparcialidade, que é positivista e obsoleta. Max Weber, em “A Objetividade”, já colocou por terra tal conceito. Cada indivíduo é um conjunto de valores e crenças que são indissociáveis. Assim, é impossível ser totalmente objetivo e imparcial em qualquer coisa que façamos, mesmo que seja um ato simples como comprar uma caneta: dependendo de seus valores, você pode comprar uma caneta azul simples da marca mais barata ou um modelo mais sofisticado. Há de se frisar, no entanto, que não ter imparcialidade não significa ser tendencioso. De acordo com o dicionário Caldas Aulete,

TENDENCIOSO:  (ten.den.ci:o.so) [ô] –  Que indica segundas intenções, parcialidade ou preconceito (opinião tendenciosa).

Isenção e imparcialidade são mitos. Hipocrisia é pensar o contrário. O professor tem de falar sobre “O Capital” (Karl Marx) e também sobre “Riqueza das Nações” (Adam Smith), obras importantíssimas para se entender o sistema econômico moderno. Não se deve deduzir o que há dentro desses livros e sim lê-los, interpretá-los e não somente repetir o que se ouve. Se o docente somente transmite o conteúdo de “O Capital”, está sendo tendencioso. Caso só fale de Adam Smith e “esqueça” que Marx existe, também está sendo tendencioso.

O aluno precisa desenvolver o senso crítico, que só é formado quando se observam vários pontos de vista e há a devida reflexão.

No próximo artigo continuaremos falando a respeito do projeto “Escola Sem Partido”.

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Marcelo Petersen

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