A era do ser humano: marcas de coração, mente e espírito

É necessário criar vínculos, mantendo uma relação afetiva e moral não somente com quem você vende, mas com toda a sociedade

Postado dia 05/07/2016 às 08:30 por Wilson ADM

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Foto: Reprodução/Ideia de marketing

Quando falamos de construir marcas, também estamos falando sobre influenciar e fazer parte da cultura, de entender sobre o ser humano e relacionar-se com as pessoas em um nível muito mais profundo do que apenas comunicar e comunicar, sem nenhuma preocupação em fazer parte de suas vidas.

O marketing 3.0 nos apresenta as forças que estão movendo essa visão do marketing centrado no ser humano, em que a tecnologia atua como força propulsora das mudanças das relações entre marcas e consumidores e do papel exercido pelas marcas na sociedade. Nesta nova era, a tecnologia facilita a disseminação de informações, ideias e opiniões públicas, permitindo que a criação de valor das marcas tenham uma participação primordial dos consumidores, obrigando essas marcas a terem como objetivo principal a construção de um mundo melhor.

Isso quer dizer ações de marketing mais colaborativas, culturais e espirituais. Esse cenário nos leva à relação mais significativa das marcas com os consumidores de todos os tempos. É necessário criar vínculos, mantendo uma relação afetiva e moral não somente com quem você vende, mas com toda a sociedade, todos os seus stakeholders. Podemos resumir a evolução do marketing nas etapas a seguir:

  1. O marketing 1.0 era voltado à massa, unicamente pensado na venda de produtos, com proposições de valor muito mais funcionais.
  2. Já o marketing 2.0 pensava na segmentação e, posteriormente, nos nichos. Satisfazer e reter os consumidores eram os principais objetivos. Uma era impulsionada pela tecnologia da informação.
  3. Hoje, o marketing 3.0 visa a construção de um mundo melhor. Quer dizer que vender, satisfazer e reter clientes não importa mais? Obviamente isso importa sim, e muito. Porém, se vender estiver na essência e a empresas enxergarem apenas consumidores e não seres humanos plenos, a criação de valor e sobrevivência a longo prazo podem estar comprometidas.

Podemos dizer que o futuro do marketing deverá ser cada vez mais horizontal. Isso é influenciado também por um dos fatores encadeados na era da colaboração: consumidores confiam mais em outros consumidores, menos em marcas.

Emissor –> Emissor –> Emissor 

Emissor, mensagem, receptor. A velha teoria destes elementos da comunicação se transformaram.

Os consumidores em geral perderam a fé nas práticas de negócio. Propagandas já não possuem o mesmo impacto, ainda mais aquelas que ainda estão no nível do marketing 1.0 ou até mesmo 2.0. É preciso ir um nível além, criar vínculos com significado, entender os códigos sociais e culturais que permeiam nossa sociedade e entender as mudanças de comportamento.

Com essas mudanças, a emissão das mensagens cria um ciclo quase infinito. Não existem mais barreiras que coloquem o consumidor como elemento final da comunicação, ele faz parte da comunicação, ele transforma a mensagem, ele quer ser ouvido e criar diálogos.

Com todas essas novas vertentes, podemos entender na prática as consequências dessas mudanças com o caso Uber.

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Foto: Reprodução/Internet

Uber: um exemplo claro sobre os efeitos da era da colaboração

O fenômeno Uber nos traz algumas respostas sob diversos ângulos do marketing 3.0 e da tecnologia como extensão do homem.

Podemos começar a entender este fenômeno fazendo a seguinte pergunta para as pessoas: o que é o Uber pra você? Das incríveis respostas que podemos ter, algumas delas podem girar em torna das seguintes opções:

  • Uma rede social de motoristas;
  • Uber é inovação;
  • Uma empresa de transporte público.

Entre essas e outras respostas, dificilmente alguém responderia que o “Uber é um aplicativo para dispositivos móveis”. Mas por quê? Não é isso que eles realmente são? Se alguém perguntasse o que é o Itaú as pessoas não responderiam logo que é um banco?

As associações que o Uber construiu vêm de encontro não somente com um DNA, ou uma essência de marca clara e autêntica. É também resultado do entendimento das mudanças sociais que ocorreram nos últimos anos.

O primeiro ponto importante a observar é que o Uber está concorrendo diretamente com um serviço (ou organização?) orientado ao marketing 1.0 (táxi), onde o objetivo principal é vender e trabalhando com uma proposição de valor extremamente funcional que é se transportar de um lugar a outro. É um monopólio que, por décadas, atua sem valores bem definidos e sem preocupação alguma nas experiências geradas.

Desta forma, o Uber resolveu um problema cultural existente no único serviço similar até então. A era da participação e do marketing colaborativo estão presentes, impulsionados pela tecnologia disponível. O serviço é avaliado pelos próprios usuários, ajudando a manter a qualidade e a seguir propósito da marca. Os usuários também são avaliados pelos motoristas, concretizando a essência do marketing 3.0, que visa manter uma relação saudável entre organizações, governo e população. E, assim, fazer um mundo melhor.

O Uber entendeu as mudanças no comportamento do consumo, no capitalismo e na forma de pensar na gestão das marcas.

Resta a nós acompanharmos os próximos capítulos desta história e cobrar respeito e consistência também das marcas que estão presentes neste novo contexto. Até por que o Uber, ao menos por enquanto, é o único aplicativo que possui este serviço.

Logo, ele automaticamente não é um monopólio? Sendo radical, em um futuro hipotético onde o Uber domina o mercado, cresce mundialmente e desbanca o táxi, o propósito continuará vivo e a tecnologia ainda sim será usada a nosso favor? Esperamos que sim. Mesmo porque a essência do marketing 3.0 é uma esperançosa ótica das relações entre empresas e sociedade e a construção de um mundo melhor.

paulolima1Referências: Marketing 3.0 As Forças que Estão Definindo o Novo Marketing Centrado no Ser Humano / Aula de E-Branding do Professor Rodrigo Amorim pela BSP / Artigo Paradoxos da globalização e participação colaborativa: a era das marcas relevantes, por Gabriel Dias, postado inicialmente no Ideia de Marketing

Artigo enviado por Paulo Lima.

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Sobre o Autor

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Wilson ADM

Publicitário e especialista em Marketing, fundador e diretor da revista digital “Sociedade Pública”. Acredito no ser humano e num futuro onde a comunicação verdadeira e clara é uma ferramenta de integração e de entendimento franco e pacífico entre as pessoas. Esse futuro pra mim é agora.

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