A era de ouro da fotografia

Pouco tempo atrás, nossas recordações ficavam guardadas em caixas e ficavam acessíveis apenas aos mais próximos. Agora as fotos pessoais estão disponíveis para todos

Postado dia 24/08/2015 às 12:29 por Sociedade Pública

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Dá para imaginar que, só no dia de hoje, apenas nas redes sociais, serão postadas mais de 300 milhões de fotografias?  O que significa um total de 125 bilhões de imagens publicadas em um único ano. Que mudança!

Há pouco mais de uma década, ainda tínhamos que comprar os rolinhos de filmes com no máximo 36 poses, depois mandar revelar, na maioria das vezes no tamanho 10x15cm, que nos eram entregues em albunzinhos terríveis. Após apreciar as fotos, guardá-las em uma gaveta, ou caixas de sapatos. O privilégio de contemplá-las ficava apenas para a família e aos amigos mais chegados.

Outra restrição à prática do fotografar era o custo dos filmes e das revelações. Crianças e adolescentes ficavam restritos ao uso das câmeras de seus pais, que teriam que ajudar a colocar o filme e ainda custear toda a brincadeira. Por tudo isso, exercitar a criatividade através desse fantástico canal de idéias era caro e limitado.

Mas os anos 2000 chegaram e, com eles, a rápida evolução tecnológica de câmeras digitais. Com um custo relativamente baixo, elas possibilitaram uma maior experimentação, sem o medo de queimar o filme ou de receber cópias sem nada impressas, ou desfocadas e trepidadas – enfim, todas aquelas que nossos conceitos sobre imagem não aceitassem como sendo boas.

Então entramos na década de 10 do século XXI (que estranho isso, mas estamos nela) e vieram os celulares e smartphones, que chegam até superar em qualidade algumas câmeras compactas digitais mais antigas. Com isso, pudemos chegar à expressiva quantidade de fotos publicadas mencionada acima – e isso fora as que não são postadas e ficam apenas arquivadas na memória eletrônica.

A meu ver, os benefícios para a cultura da fotografia foram enormes.  Novos olhares surgindo a cada dia, crianças e pré-adolescentes sem nenhum bloqueio estético, extrapolando a criatividade (até porque a crítica só faz parte do mundo adulto), mostrando talento nas mídias mais visualizadas, como o Facebook e o Instagram, e contribuindo assim para uma nova ordem imagética.

Os malefícios? Creio que são até poucos. Se não clicarmos naquilo que não desejamos ver, melhor. Isso dependerá do conceito e do refinamento do olhar que adquirirmos à medida que nos alimentarmos do que é bom ou ruim – afinal, como diz o ditado, não somos o que comemos?

Na minha modesta opinião, vejo na disseminação das selfies uma ação de vaidade, egocentrismo e exibicionismo exagerados, sem o poder de agregar valores relevantes. Mas, visto num plano geral, sim, a fotografia faz parte da história da arte que, iniciada lá no século XIX com Niépce, evoluiu modestamente por uns 170 anos, e agora, nos últimos 20 anos, cresceu muito.

Gosto muito da célebre frase de Ansel Adams: “Não fazemos uma foto apenas com uma câmera; ao ato de fotografar trazemos todos os livros que lemos, os filmes que vimos, a música que ouvimos, as pessoas que amamos”.

Fotografia é emoção e sentimento!

 

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