Emprego público: um sonho brasileiro

O brasileiro paga uma carga tributária de quase quarenta por cento de sua renda na forma de imposto, sendo que uma parte desse imposto é pago de forma direta

Postado dia 09/06/2016 às 08:30 por Luiz Edmundo

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Foto: Reprodução/Internet

Emprego estável e bem remunerado; segurança financeira; assistência médica; aposentadoria confortável. Estes são alguns dos sonhos que alimentamos em relação às benesses que o emprego público pode nos conceder. Alcançar essas conquistas torna o individuo um ser vitorioso economicamente, um indivíduo socialmente destacado.

No caso dos políticos então, eles adquirem também uma aura de eleitos pela sua superioridade moral e intelectual, o que lhes atribuem privilégios de uma aposentadoria com apenas 8 anos de trabalho, enquanto que a maioria dos trabalhadores têm que trabalhar 35 anos, quando homem, e  30 anos, quando mulher, para finalmente gozar de seu descanso merecido.

A quem custa tamanhas conquistas? Ao povo, é claro, pois quem arca com os salários dos funcionários públicos são os impostos pagos pelo público. Assim, a questão objetiva é saber: vale a pena o esforço da população para tornar o trabalho e a vida, tão maravilhosa para essa casta abastada de servidores público? Casta essa que exclui de suas benesses servidores importantes como policiais, professores e médicos, mas beneficiam juízes, políticos, funcionários de empresas estatais. Cabe lembrar que o esforço tributário imposto à população é colocado por essa mesma casta de servidores que dela, da carga tributária, se abastece em suas condições excepcionais de salários e regimes de trabalho.

O brasileiro paga uma carga tributária de quase 40% de sua renda na forma de imposto, sendo que uma parte é paga de forma direta, como é o caso do imposto de renda. Outra parte é paga indiretamente – ou seja, estão embutidos nos preços dos bens e serviços que pagamos quando os compramos. Acrescente a isso aquilo que o governa gasta acima da sua receita e o transforma em dívida para que o brasileiro pague no futuro.

No Brasil, hoje a Dívida Bruta do Governo Geral (Governo Federal, INSS, governos estaduais e governos municipais) alcançou R$ 4.039,3 bilhões em abril de 2016 (67,5% do PIB). E a conta continua… A inflação pode ser considerada um imposto, pois, além de reduzir do poder aquisitivo da população, ela decorre também dos excessos de emissão de moeda e crédito por parte do governo para financiar seus gastos excessivos. Somando tudo, imposto, inflação e dívida, tem-se a conta a ser paga aos servidores e aos serviços que eles prestam a sociedade.

Se não bastasse todo esse dreno de recursos públicos, aos eleitos a servidores “especiais” da causa pública, esses bem favorecidos profissionais ainda dispõem de mais de uma centena de empresas públicas que podem servi-los com empregos para parentes e apaniguados, ou então no fornecimento de recursos para suas campanhas eleitorais. Empresas riquíssimas como Petrobras, Correios, Sabesp e Cemig estão a disposição da casta de eleitos a funcionários especiais.

De posse de tamanho estímulo salarial, vejamos então, qual o retorno decorrente de todo esse esforço para premiar os bens aquinhoados funcionários públicos. O sistema educacional é deplorável com os piores índices de desempenho dos estudantes brasileiros no cenário mundial, a segurança com índices de violência somente comparáveis com países em estado de guerra. E o sistema previdenciário, sempre a beira da insolvência, ameaçando deixar desassistidos aqueles que contribuíram durante toda sua vida para terem uma velhice tranquila.

Assim, quando os servidores públicos são os mais bem servidos pela sociedade, fica evidente a injusta assimetria entre o custo do serviço público e os benefícios deles decorrentes. E os méritos eventuais de tais cargos só se justificam pela esperteza individualista dessas pessoas em evidenciar a irônica sina dos povos que buscam homens fortes para “salvadores da pátria”, pois somente povos fracos precisam de homens fortes.

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Sobre o Autor

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Luiz Edmundo

Economista e doutor em engenharia da produção, dedicam-se ao ensino superior como professor.

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