Ela partiu…

Dilma Rousseff foi afastada pelo Senado após a votação do impeachment que durou mais de 20 horas

Postado dia 12/05/2016 às 06:41 por Sociedade Pública

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Foto: Reprodução/Internet – Dia 12 de maio de 2016: Senado votou a favor do impeachment de Dilma Rousseff

Chegou ao fim o período em que o PT esteve à frente do governo brasileiro. A votação do processo de impeachment de Dilma Rousseff foi realizada no Senado e terminou com a maioria dos votos a favor do impedimento da petista, com um placar de 55 votos a favor e 22 votos contra após quase 20 horas de sessão.

Dilma agora será afastada da presidência por seis meses. É acusada de ter cometido crimes de responsabilidade. O pedido de impeachment é composto por várias acusações: abertura irregular de créditos suplementares e o uso de “pedaladas” fiscais, o não registro de dívidas e improbidade administrativa.

Quem apoia o governo diz que o impeachment é um golpe realizado pela oposição, que não conseguiu eleger-se de forma democrática e quer atrapalhar o desenvolvimento social do país, buscando o poder a qualquer custo e desrespeitando a democracia. Os apoiadores do governo também alegam que não existiu crime de responsabilidade e que as “pedaladas” foram utilizadas por outros presidentes.

Com a decisão do Senado, quem assume a presidência do Brasil por 180 dias é Michel Temer, do PMDB, o atual vice-presidente da República, eleito em 2014 pelos mesmos votos que empossaram Dilma Rousseff.

Longe da Esplanada, é fato que os brasileiros sofrem os efeitos da recessão econômica em que o país está mergulhado. A inflação em alta pode ser constatada na disparada diária de preços e na existência de milhões de desempregados. A situação das contas públicas é caótica, a dívida pública aumentou substancialmente. As empresas e indústrias enfrentam dificuldades de obter crédito (devido aos juros altos), a instabilidade financeira voltou a ser um fantasma e a falta de investimentos no país só cresce porque os acionistas não se sentem seguros com a capacidade administrativa do Brasil.

Ao longo do período em que o PT comandou o país, o populismo econômico dominou o Brasil. O governo incentivou o povo a tomar dinheiro emprestado, numa espécie de barganha para que a população não se desse conta da dimensão das ilegalidades cometidas em esquemas como o do mensalão e do petróleo.

Agora o PT avisa que fará uma oposição ferrenha ao governo Temer, invocando a militância a não reconhecê-lo como um presidente legítimo. A possibilidade de radicalização preocupa, uma vez que atos recentes promovidos pelo partido em conjunto com movimentos como o MST e MTST resultaram em vias fechadas por pneus em chamas e na invasão de propriedades privadas.

É inegável que o PT levou adiante a concessão de benefícios aos cidadãos mais humildes, principalmente ao longo dos dois governos de Lula. Criou projetos sociais que ajudaram muitas famílias. No entanto, o preço que os brasileiros pagaram foi alto. O partido age como se tivesse se apropriado do proletariado, apesar dos sucessivos escândalos em que está metido.

Agora surge a oportunidade de que o Brasil volte, ainda que meio cambaleando, a tentar se estabilizar ainda em 2017. Temer assume o governo em meio a um furacão com pouco espaço de manobra, muito vigiado em tempos de ativismo virtual e na mira de uma oposição ressentida. Acerta na redução de ministérios, mas terá de seguir com passos firmes e coerentes, caso queira garantir que não terá o mesmo fim de Dilma Rousseff.

 

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