Educação em turismo

Diversas cidades têm implementado o turismo em disciplinas do ensino fundamental, não como matéria, mas agregando os atrativos e potencialidades da região

Postado dia 07/12/2015 às 00:00 por Fabio Barbosa

business plane parked at the airport

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Tenho observado a crescente preocupação do poder público e da iniciativa privada em investimentos cada vez maiores na atividade turística. Recentemente, escrevi um texto sobre a resiliência do turismo neste mesmo site, onde abordava o movimento oportuno que o turismo tem em se readaptar em problemas diversos, como o da economia do país nesse momento. Enquanto está ruim para alguns setores econômicos, para o turismo pode ser bom.

Segundo a ABAV (Associação Brasileira de Agências de Viagens), há uma expectativa de crescimento de 5% no turismo interno para 2015. Com a alta do dólar, o Brasil ficou mais atrativo para o turismo interno. Há investimentos em diversos setores do turismo, como os Resorts e companhias aéreas que tem investido fortemente em promoção para captar esse público que tinha planos para o exterior e tem a possibilidade de conhecer melhor o Brasil com um custo mais acessível.

Outra situação positiva é a criação dos Municípios de Interesse Turístico, aprovada recentemente pela Assembleia Legislativa de São Paulo e sancionada pelo governador. No Estado já existem 70 Estâncias Turísticas e agora passarão a ser 140 municípios de interesse turístico. Em ambas as situações, as cidades receberão recursos do Departamento de Apoio ao Desenvolvimento de Estâncias – DADE. Há diversas regras que passarão a vigorar a partir de 2016 e será uma disputa interessante, se não virar “município de interesse político”.

Com tudo isso, eu me pergunto: onde está a mão de obra preparada? Qual a formação desse pessoal? Por que somente nesses momentos de crise parte do empresariado e poder público se preocupam em preparar seus espaços? Em meu ponto de vista, isto deveria ser uma constante.

Mas e a educação em turismo, como está? Temos gente suficiente preparada para atender o mercado? O mercado valoriza esses formandos no setor de turismo? São muitas perguntas que gostaria de deixar aqui para reflexão. Mas vou deixar algumas considerações do que tenho observado no setor.

No estado de São Paulo há cerca de 77 cursos de turismo e hotelaria, mas pouco desses formandos são aproveitados para trabalhar no setor. Os cursos de hotelaria são os que melhor têm sido aproveitados pelo setor de hospedagem, o que tem melhorado muito a qualidade de serviços do segmento. Mas quando se trata de remuneração, a reclamação é grande, pois se trata de profissionais que muitas vezes são exigidos qualificações especiais e principalmente uma segunda e/ou terceira língua. Aliás, quanto custa um curso de línguas? Valorizar é preciso.

Quanto ao poder público no estado de São Paulo, em relação aos Municípios de Interesse Turístico, há uma grande corrida para as cidades se adequarem para receber o título de Interesse Turístico. O que me preocupa é que muitas cidades não têm sequer um turismólogo na gestão do turismo municipal, que não quer dizer que tenha que ser o gestor. Muitas não têm uma instituição técnica de turismo e hotelaria para criar mão de obra.

Há cidades que tem implementado o turismo em diversas disciplinas do ensino fundamental, não como matéria, mas agregando os atrativos e potencialidades da região. Acredito que isso sim é uma forma de incutir na cabeça dos jovens a importância que seu espaço tem para a economia local. Em Mogi das Cruzes a Secretaria de Educação e a Coordenadoria de Turismo programam visitas das escolas em diversos atrativos, como atividade complementar. Não está necessariamente inserida nas disciplinas, mas já é um bom caminho para despertar a curiosidade das crianças sobre o que existe de turístico na cidade.

Há alguns anos venho escutando essa forma de inserção de educação para o turismo nas escolas, mas pouco tem sido feito pelo poder público. Acredito que mesmo antes de criar ações junto às instituições de ensino, ainda temos uma longa batalha de “catequizar” os políticos e alguns empresários sobre a importância que o turismo tem para o desenvolvimento local.

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Sobre o Autor

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Fabio Barbosa

Consultor em Turismo pela THG Consultoria e Turismo. Turismólogo pela UNIP . Mestre em turismo pela Iberoamericana.

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