Eduardo Cunha perdeu

O ex-presidente da Câmara dos Deputados teve seu mandato cassado e se diz vítima de politicagem

Postado dia 13/09/2016 às 09:00 por Sociedade Pública

Cunha

Foto: Reprodução/Internet

Em sessão na Câmara dos Deputados ocorrida na segunda feira (12), Eduardo Cunha (PMDB –RJ) teve seus direitos políticos cassados por 450 votos a favor e 10 votos contra, por ter cometido crime de quebra de decoro parlamentar, após ter mentido em uma CPI da Petrobrás. Na ocasião, ele negou que mantivesse contas bancárias fora do país.

Cunha já havia dado uma declaração um tanto esquisita para a imprensa em 2015, quando afirmou a existência das contas na Suíça, mas negou ser o titular, dizendo-se apenas “usufrutuário” dos ativos investidos em um fundo truste criado por ele depois de 2003. Cunha disse que todo o dinheiro recebido por transações de comércio internacional ocorreu ainda nos anos 80, e que não possui documentos dessas atividades, pois segundo ele, as empresas que realizavam as exportações já não existem mais. Essa declaração bastou para que o ex-deputado fosse acusado de mentir em uma CPI, o que complicou sua situação.

A sessão começou com os depoimentos. Primeiramente teve a palavra o relator do processo, Marcos Rogério (DEM-RO), que acusou Cunha de ter contas bancárias na Suíça e de ter omitido a existência de milhões de dólares arrecadados por meios criminosos. Em seguida, Marcelo Nobre fez a defesa do peemedebista e criticou as acusações do relator, afirmando que Cunha não possui contas no exterior e que não havia nada provado. Sendo assim, estaria sendo julgado injustamente devido a ausências de provas ou de números que comprovassem a existência de tais contas.

A seguir Eduardo Cunha começou o seu depoimento de quase 30 minutos. Durante seu discurso, era hostilizado com gritos de “fora Cunha” e “ladrão”. Começou sua fala fazendo uma crítica aos deputados presentes na Câmara, acusando-os de falta de conhecimento do processo pelo qual era julgado, dizendo várias vezes que os deputados não haviam ao menos lido o processo.

Criticou o PT e se definiu como o principal responsável pelo impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. Disse ser perseguido por este motivo. Chegou a ficar emocionado quando falou de sua história como parlamentar, e sobre ter visto a imagem de sua família sendo prejudicada para que ele fosse atingido durante esse processo.

Durante a votação, Eduardo Cunha ficou o tempo todo de costas para seus opositores, sendo criticado diversas vezes pelo seu comportamento fugaz. Em alguns depoimentos o ex-deputado foi severamente agredido verbalmente, chamado de mafioso, bandido, mentiroso e até de psicopata.

Após o fim da votação, derrotado por 450 votos a favor de sua saída contra 10 a favor de sua permanência, o ex-presidente da Câmara dos Deputados falou com a imprensa. Disse que essa cassação é um troféu para a oposição. Admitiu ter cometido muitos erros, mas disse que, durante o processo não foi julgado por eles.

Agora que perdeu seus direitos políticos, Eduardo Cunha notificou a imprensa que em breve deverá lançar um livro relatando todo o processo do impeachment com detalhes, mas que não fará uma delação premiada porque, segundo ele, não é criminoso.

Compartilhar:

Sobre o Autor

avatar

Sociedade Pública

A Sociedade Pública é uma revista digital que reúne personalidades de diversas áreas, escrevendo sobre os acontecimentos nos ambientes: político, tecnológico, econômico, social, demográfico e cultural.

Obs: As postagens do autor são de plena responsabilidade do mesmo, o portal se isenta de qualquer conteúdo que possa ser ofensivo.

Veja mais posts deste autor

Leia também

Assine a nossa newsletter