Economia olímpica – O Brasil deu seu jeito

A abertura dos jogos mostrou que podemos fazer bonito sem gastar muito. O Rio se transformou: as obras do boulevard olímpico e os museus do MAR e do Amanhã vão continuar lá

Postado dia 25/08/2016 às 09:17 por Maiara Madureira

olimpíadas

Foto: Reprodução/Internet

Nos últimos anos fomos absolutamente inconsequentes. Em meio a uma crise que assolava o país – que não era um tsunami mas estava bem longe de ser uma marolinha –, resolvemos ser sede de dois grandes eventos mundiais: a Copa do Mundo, em 2014, e as Olimpíadas, em 2016.

E deu certo. Como disse um narrador da ESPN, quando viu atletas se levantarem para dançar ao som de de Asa Branca, de Luiz Gonzaga – “essa turma volta”. E volta mesmo, ainda mais depois dessa Sapucaí no Maracanã.

O turismo representa uma parte muito relevante no nosso PIB. Em 2015, contribuiu com 3,3% do PIB diretamente, chegando a 9% se considerados seus efeitos indiretos. O número tende a crescer, mas ainda parece pouco analisando tudo o que já passamos.

No dia-a-dia, o turismo tem um impacto grande na geração de empregos: em 2015, o turismo foi responsável por 2,9% do total de empregos e esse número tende a aumentar 2,6% em 2016. Se, mais uma vez, considerarmos os empregos gerados indiretamente pelo turismo, chegamos a 8%.

A copa, por exemplo, aumentou o gasto dos estrangeiros em 75%, e estimou-se que as olimpíadas injetariam mais de R$ 5 bilhões na economia do Rio de Janeiro.

Foram grandes montantes, mesmo para quem enfrentou tanto preconceito. Nessas olimpíadas, estávamos no meio de um processo de impeachment, e, assim, de muitas incertezas econômicas, enfrentamos um surto de zika, as obras atrasaram, e a violência era o mal a ser enfrentado (só não sabíamos como).

Demos nosso jeitinho. A abertura dos jogos mostrou a “gambiarra” e que podemos fazer bonito sem gastar muito. O Rio se transformou: as obras do boulevard olímpico e os museus do MAR e do Amanhã vão continuar lá depois do encerramento dos jogos e são ótimos destinos turísticos.

Mas acredito que o que mais nos fortaleceu foi a imagem que passamos. Ninguém saiu daqui com zika. A violência deu uma trégua e, apesar de terem acontecido alguns casos, não foi nada que pudesse afugentar um turista. E mostramos, no casos dos nossos nadadores norte-americanos, que, temos sim instituições fortes, ainda que não sejam perfeitas.

Temos muito a trabalhar. Temos um número incalculável de praias, paisagens deslumbrantes no interior do país, um clima delicioso no sul e, além disso, uma variedade gastronômica que não é encontrada em nenhum lugar do mundo.

E temos brasileiros – que é o que o Brasil tem de melhor.

Está na hora de jogar pra longe esse inferno astral e curar de vez a nossa síndrome de vira lata.

*Dados do Banco Central do Brasil, do WTTC Report e da RioTur.

Observação: o conteúdo dos artigos da autora são de sua exclusiva responsabilidade. As opiniões expressadas não refletem as opiniões da BM&FBOVESPA.
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Sobre o Autor

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Maiara Madureira

Formada no Largo São Francisco, mestre em Direito Comercial pela USP, fã incondicional de decoração e de bons livros

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