Economia compartilhada

A internet é a mãe do compartilhamentarismo

Postado dia 07/06/2016 às 07:30 por Heródoto Barbeiro

 

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Foto: Reprodução/Internet

A civilização humana se organizou no período pré histórico sob a infraestrutura da economia compartilhada. Não havia outra possibilidade para a sobrevivência dos grupos  humanos se não fosse através do compartilhamento. Os homens saíam em conjunto para caçar e o produto do trabalho era repartido entre todos. É provável que nos primeiros tempos os mais fortes ficassem com os melhores nacos da presa. As mulheres saiam para a coleta dos frutos e dividiam com as mais fracas que ficavam nas cavernas cuidando do fogo, das crianças e dos doentes. Sem compartilhamento provavelmente não haveria humanidade. Nem o avanço que significou a Revolução do Neolítico com o sedentarismo no lugar do nomadismo e o advento da agricultura. No período das navegações marítimas, graças à expansão das nações europeias, a partir do Século 15, começou  a ser construído o processo de internacionalização da economia mundial. Havia comércio e navegação nos oceanos do mundo antes das caravelas e naus singrarem os mares. Porém com as navegações ocidentais foi possível cruzar as diversas rotas marítimas, mercadorias, especiarias, matérias primas raras e escravos de diversas cores de pele. Portanto a civilização humana conhecia o compartilhamento e o internacionalismo econômico no período de acumulação primitiva do capitalismo.

A história não se repete. O globalismo atual é fruto do capitalismo contemporâneo. Nada tem a ver com o que se passou no início do Renascimento. São momentos históricos distintos, que se desenvolveram em conjunturas e estruturas diferentes. Ainda assim há quem faça confusão achando que o internacionalismo e o globalismo são  as mesmas coisas. E não são. Talvez fique mais fácil entender as diferenças de períodos históricos com o exemplo do compartilhamento. A sociedade contemporânea vive hoje a economia do compartilhado. Obviamente nada tem a ver com o período pré histórico quando nem capitalismo existia. O compartilhar se torna uma atividade importante na economia mundial, e as atividades vão do compartilhamento de bicicletas nas grandes cidades a hospedagem em muitas cidades do mundo através de sites de compartilhamento. O Airbnb é apenas um deles e o seu fundador Joe Gebbia lembra que, em 2016, 80 milhões de pessoas conviveram com estranhos em 190 países do mundo. Ou seja, a totalidade dos países oferecem hospedagem aos turistas e viajantes. Repentinamente os hotéis e hospedarias ganharam um concorrente inesperado: o cidadão comum que dispõe de um quarto, uma casa ou um apartamento para compartilhar e amealhar alguns cobres no seu orçamento familiar. Sem dúvida ajuda a promover uma distribuição da riqueza, como a geração de energia elétrica doméstica e outras atividades realizadas em pequenas células de produção.

A internet é a mãe do compartilhamentarismo. Graças a ela é possível dividir e, o que é mais importante, obter algum ganho através da capilaridade e interatividade que a caracteriza. Obviamente que esta mudança favorece alguns e da prejuízos a outros. Há já empresas  que alugam carros compartilhados. Uma pessoa que só usa o seu carro no final de semana, pode permitir que ele seja alugado durante os dias que não usa o carro. Com isso as montadoras vão vender menos. Os postos de combustíveis não. Cada vez mais as pessoas repartem espaços e serviços. Não se compra mais um furadeira elétrica, que se usa muito raramente, é preferível compartilhar. Uma única ferramenta usada por várias pessoas e gerando renda e não apenas o custo da aquisição. Ou seja um custo marginal próximo de zero. Uma máquina de lavar roupa também pode ser compartilhada. Ninguém usa  uma lavadora 24 horas. O mesmo vale para o compartilhamento de transporte. Um carro que busque cinco pessoas que vão na mesma direção, faz com que cada um pague um terço do valor de uma corrida, e o motorista receba mais pelo mesmo caminho. Quem realiza esse trabalho pode ser um taxista ou um motorista de uber ou de qualquer outro aplicativo. O compartilhamento veio para ficar. Não tem volta porque é uma quebra de paradigma, ou seja vai tirar algumas pessoas e empresas da zona de conforto, mas vai proporcionar a melhor divisão da renda e o surgimento de novos empreendedores.

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Sobre o Autor

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Heródoto Barbeiro

Heródoto Barbeiro, escritor e jornalista, âncora do Jornal da Record News e editor do Blog do Barbeiro. Foi âncora do Roda Viva da TV Cultura e do Jornal da CBN. Tem livros nas áreas de jornalismo, história, mundo corporativo e budismo.

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