É o carnaval

A magia do carnaval de rua resgatando lembranças e memórias

Postado dia 27/02/2017 às 00:00 por Mariana Pastore

carnaval

Foto: Divulgação/Internet

“Carnaval, carnaval, carnaval… eu fico triste… quando chega… o carnaval.” Assim eu me sentia nos últimos anos. Talvez por morar no bairro boêmio de São Paulo, para onde milhares de paulistanos se dirigem nessa época e fica praticamente impraticável ir e vir, e dormir. Talvez por ter trabalhado nos últimos três carnavais e acompanhado a folia somente pela tela do computador ou da TV. Quem sabe? A verdade é que nesse ano, tudo mudou.

Apesar do clichê “O Brasil é o país do carnaval”, parece que finalmente compreendi a grandeza dessa festa popular para nós, brasileiros, órfãos do futebol. Seria o carnaval nossa última esperança pós-7×1? Eu sei que tem muita gente que não gosta, respeito, mas não tem nada mais mágico do que curtir o carnaval de rua na sua própria cidade.

Mágico no sentido de todos os lugares pelos quais você passa diariamente se transformam. Sua rua não é mais a sua rua, vira palco para cinco homens lindos vestidos de bailarinas, cada uma de uma cor; para aquela criança que mal sabe o que é a vida, mas já está com os dedinhos para cima, vestida de mulher maravilha; e para aquela senhorinha da velha guarda do bloco mais tradicional da região, com seu abadá velho de guerra. Todos os 35ºC que faziam na tarde daquele sábado valeram o sorriso de cada um.

Lembro da primeira vez que curti o Carnaval de rua na minha própria cidade. Choveu canivetes e purpurina, mas a minha relação com São Paulo mudou um pouquinho naquele domingo pré-Carnaval de 2009. E foi então que percebi como é importante ter uma relação diferente com nossa cidade. São Paulo não é só trânsito, nossas ruas não são só feitas de buracos, que desviamos como num enduro sem fim. Existe beleza no caos, existe música, existem marchinhas!

Marchinhas essa que me lembram a infância, onde curtia o carnaval fantasiada de baiana ou melindrosa em algum clube do interior, juntando confetes e serpentina do chão. Ah, que época boa! O Carnaval de rua resgatou todas essas lembranças e memórias. E mostrou que não é preciso gastar verdadeiras fortunas com abadás, camarotes, bloquinhos pagos (a maior piada!) ou desfiles. Festa mais democrática não há.

Como já citei, além de pessoas de todas as idades, sempre encontro os amigos das fases mais diferentes da vida, os quais não costumo cruzar nunca em qualquer outro tipo de situação. Às vezes também esbarro em colegas de trabalho, tropeço em um primo distante, e ainda nesse ano, fiquei sabendo que até meu chefe estava no mesmo bloco que eu.

Mas o melhor encontro espontâneo foi na chegada ao bloco. Avistei de longe meu pai e minha madrasta, desavisados. E eu com a cara pintada, coroa de flores no cabelo e uma cervejinha na mão. “Pai!” Ele estava indo ao cinema. Ainda não foi contagiado pelo carnaval. Ainda! Quem sabe… A melhor observação do clima de festa que tomou conta de toda a região, tomada por foliões fantasiados e animados, foi dele. “Por que as pessoas estão tão felizes minha filha?” Eu, que agora entendo, só respondi: “É o carnaval pai! É o carnaval!”

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Sobre o Autor

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Mariana Pastore

Mariana Pastore é jornalista, atualmente é freelancer na área. É apaixonada por viagens, e pelo universo da arte e cultura

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