Dúvidas de uma mãe

Hoje me permiti sentir falta do que já fui antes de ser mãe. E deixei a culpa pra depois

Postado dia 08/12/2015 às 00:00 por Joyce Silva

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Essa semana foi a primeira vez, em 10 meses, que senti falta da minha vida pré-Nina. Uma saída rápida e necessária numa sexta-feira à noite me obrigou a passar pela rua dos bares da minha cidade. E ver as luzes, as pessoas bebendo e conversando, sentados despreocupadamente em mesas na calçada, me trouxe lembranças de uma época em que a virada de sexta para sábado era celebrada com a escolha de bares para o happy hour, convites diversos de amigos e papos madrugada adentro.

A sensação não foi das melhores. Confesso que bateu uma dúvida. É possível isso? Depois de 10 meses ter questionamentos quanto ao meu papel de mãe? E o motivo, banal, também fez a culpa assumir um espaço gigante, criando um monstro que levei um tempinho pra lidar.

Mas consegui. E resolvi assumir aqui, publicamente, que sinto falta sim. Sinto falta de sair, de ver gente. De dormir tarde e fazer meus horários, como freelancer que sou há alguns anos. De não ter rotina definida, de almoçar e jantar ao mesmo tempo, depois de passar um dia fazendo uma maratona de séries enquanto corrijo textos e leio Brumas de Avalon comendo chocolate e tomando vinho.

Pequenos prazeres que parecem distantes agora, mas que consigo ver substituídos por outras sensações tão ou mais maravilhosas, como assistir a um desenho com minha filha encostada em mim, no sofá. Ou ensiná-la a fazer caretas e provocar a avó, enquanto sorri pra mim entendendo e rindo de toda a situação.

Hoje, depois de alguns dias, me permiti sentir falta do que já fui. E deixei a culpa pra depois. Agora, só falta o entendimento de como juntar essas duas partes em uma só, e conseguir ser uma mãe e também uma pessoa mais completa, não só pra Nina, mas também para mim.

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Joyce Silva

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