Distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho

É frequente o número de trabalhadores afastados por doenças do trabalho. Dados da Previdência Social indicam que 70% das enfermidades laborais são relacionadas aos riscos ergonômicos

Postado dia 18/11/2015 às 08:57 por Enrique Parapar

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Em 1700, o médico italiano Bernardino Ramazzini relatou que “a necessária posição da mão para fazer correr a pena sobre o papel ocasiona não leve dano que se comunica a todo braço, devido à constante tensão tônica dos músculos e tendões e, com o andar do tempo, diminui o vigor da mão”. Tratava-se de distúrbios osteomusculares que acometiam os então escribas e notários.

No ambiente laboral, temos o enorme desafio de conhecer e evitar que atividades dos trabalhadores causem enfermidades que possam comprometer sua qualidade de vida e capacidade laborativa.

É frequente o número de trabalhadores afastados por doenças do trabalho. Dados da Previdência Social indicam que 70% das enfermidades laborais são relacionadas aos riscos ergonômicos, gerando distúrbios osteomusculares.

DEFINIÇÃO:

Trata-se de afecções que acometem o sistema musculoesquelético ocorridas em decorrência do trabalho.

HISTÓRICO:

  • Em 1973, no XII Congresso Nacional de Prevenção de Acidentes de Trabalho, o termo LER foi utilizado para descrever tenossinovites em lavadeiras, limpadoras e engomadeiras.
  • Em 1985, a OMS (Organização Mundial De Saúde) classifica as “doenças relacionadas ao trabalho” como multifatoriais. Os fatores relacionados ao trabalho contribuem de maneira importante para a gênese da doença, mas eles são apenas uma classe de fatores, dentre outros, que contribuem para essa gênese.
  • Em 1987, é publicada a portaria número 4062, pelo Então Ministério Da Previdência E Assistência Social, reconhecendo a tenossinovite como doença do trabalho.
  • Em 1997, é publicado no diário oficial da união, de minuta de texto pelo INSS para receber contribuições da sociedade, para elaboração de “norma técnica para avaliação da incapacidade laborativa em doenças ocupacionais – distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho – DORT”.

NOMENCLATURAS:

Existem várias nomenclaturas que tratam do mesmo assunto. As mais conhecidas são:

  • EUA – DTC (distúrbios por traumas cumulativos);
  • Austrália – LTR (lesões por tensões repetitivas);
  • Japão – DCO (distúrbios cervicobraquiais ocupacionais);
  • França – SOO (síndrome do overuse ocupacional);
  • Brasil – LER (lesões por esforços repetitivos) e LTC (lesões por traumas cumulativos).
  • Em 1995, o termo worked-related muskuloskeletal disorders (WMSD) – distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT) é consolidado nos centros científicos mais avançados do mundo.

 

PRINCIPAIS CAUSAS:

Os fatores que podem levar à aquisição de DORT podem ser divididos em primários (geradores) e secundários (contributivos). Os principais fatores são:

Fatores Primários Fatores Secundários
Má postura Estresse
Repetitividade Excesso de horas extras
Exigência de força muscular Trabalho em temperaturas baixas
Vibração Ritmo de trabalho acelerado
Compressão mecânica Mobiliário/equipamentos inadequados

 

ÁREAS DO CORPO MAIS AFETADAS:

As regiões do corpo mais atingidas pelos distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho são:

  • Pescoço (coluna cervical);
  • Ombros;
  • Cotovelos;
  • Punhos;
  • Mãos;
  • Coluna tóraco-lombar.

 

PATOLOGIAS:

As enfermidades mais frequentes nos distúrbios osteomusculares são:

Tendinite Hérnia de Disco
Tenossinovite Epicondilite
Bursite Gânglios
Fascite Lombalgia
Dorsalgia Lombociatalgia
Cervicobraquialgia Protusão de Disco
Síndrome do Túnel do Carpo Síndrome de De Quervain

 

SINAIS E SINTOMAS:

O trabalhador acometido por DORT poderá manifestar os seguintes sinais e/ou sintomas:

  • Dor,
  • Formigamento (parestesias),
  • Diminuição da força muscular,
  • Inflamação,
  • Inchaço (edema),
  • Dormência (hipoestesias)
  • Cansaço,

 

ESTÁGIOS CLÍNICOS:

Na maioria dos casos os estágios clínicos de DORT seguem a seguinte sequência:

  • Grau I – Sensação de peso, desconforto e dor. Ausência de sinais clínicos. Produtividade normal.
  • Grau II – Dor mais persistente e intensa, sensação de calor e formigamento. Discreta diminuição da produtividade.
  • Grau III – Dor persistente e irradiada, formigamento e diminuição da força muscular. Produtividade comprometida e alterações nas atividades da vida diária.
  • Grau IV – Dor forte e contínua, alterações psicológicas e dificuldades para dormir. Total comprometimento da produtividade. Sinais clínicos de edemas e inflamações.

Cabe mencionar que a maioria dos trabalhadores procura o médico da empresa ou particular, quando se encontra no Grau III.

A falta de investimento em ergonomia e saúde do trabalhador é o principal vilão nesse caso. Constantemente, trabalhadores são afastados temporariamente ou definitivamente de suas atividades laborais, quando acometidos de enfermidades do sistema musculoesquelético.

Empresas que investem na prevenção de doenças do trabalho colhem bons frutos, estudos indicam que, para cada US$ 1,00 investido, o retorno é de US$ 4,00.

Na próxima edição, falaremos sobre a ergonomia aplicada ao trabalho, ciência tão importante no nosso dia a dia ocupacional.

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Sobre o Autor

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Enrique Parapar

Fisioterapeuta e professor de educação física, é pós graduado em Fisioterapia do Trabalho e em atividades em academia.

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